24 de julho de 2026

O jogador outdoor e o capitalismo que tudo precifica, por João Sucata

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ESPORTE BRETÃO

JOGADOR OUTDOOR

O capitalismo envolve ou tende a transformar tudo em mercadoria

por João Sucata

O capitalismo envolve ou tende a transformar tudo em mercadoria, inclusive ideais, clubes, partidos, políticos, juízes, promotores, artistas, pessoas comuns e etc.

Há algum tempo chegou no futebol, primeiro em placas por todo o campo, agora vendendo até o espaço na bunda dos jogadores, tudo virou outdoor, painéis para anunciar produtos, bancos, lançamentos imobiliários.A cueca já obteve espaço, como demonstrado por Neymar, a testa continua livre, sabe-se lá até quando.

Além dos uniformes e visuais tradicionais e os coloridos homogêneos serem vítimas, há inclusive uma poluição cansativa. Bom seria termos uma lei dos campos e uniformes limpos, como tivemos a lei da cidade limpa. Mas quem sustentaria as remunerações delirantes dos craques, técnicos e os ganhos dos cartolas e empresários?

Na época em que surgiu a proposta da Lei Pelé, anunciava-se que o objetivo era evitar que o jogador continuasse a ser um produto, que os clubes ganhassem com o  passe, que deveria ser deles, etc. No entanto, o que era ganho pelos clubes, quando revelavam jogadores, passou a ser de empresários e grupos financeiros.

Vamos ver onde vai parar tudo isso. Em alguns países já se reclama do aumento dos ingressos, exigência muitas vezes do dono do clube, outra figura recente. O futebol era a opção de lazer do povão, mas com o preço do ingresso, hoje em dia a classe média predomina, e até ela anda reclamando.  Quem vê filmes do Jean Manzon, nos jogos antigos, percebe que boa parte dos espectadores eram mulatos ou negros, o que hoje é bem mais raro. A proporção de negros e multado entre os jogadores é bem maior.

Como o povão não indo mais ao estádio, as torcidas organizadas tendem a desaparecer, e também a parcela de sujeitos violentos que nelas se infiltravam. Os promotores que se dedicavam a tentar extingui-las terão mais tempo para se dedicar a competição de abrir processos contra o corintiano Lula por chutar a bola para a direita, para a esquerda, para o centro, ou por deixar de chutar a bola. Ou por não entrar no jogo como eles gostariam.

João Sucata

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. marcio r

    14 de março de 2016 6:06 pm

    Esporte competitivo é uma merda.

    … esporte de guerra. Só pra lavar dim dim e alimentar a corrupção. Que do povo que nada…

  2. tiao

    14 de março de 2016 6:13 pm

    E percebo com tristeza que o

    E percebo com tristeza que o escudo do meu time vai ficando cada vez menor,quase invisível no meio de tanta propaganda.

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