4 de junho de 2026

O MEC e o criacionismo

Sugerido por edsonmarcon

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u478968.shtml

 

13/12/2008 – 10h28

MEC diz que criacionismo não é tema para aula de ciências

 

FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo
TALITA BEDINELLI
colaboração para a Folha

 

O Ministério da Educação tomou posição no debate relativo ao ensino do criacionismo nas escolas do país. Para o MEC, o modelo não deve ser apresentado em aulas de ciências, como fazem alguns colégios privados, em geral confessionais (ligados a uma crença religiosa).

“A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências”, afirmou à Folha a secretária da Educação Básica do Ministério da Educação, Maria do Pilar.

Apesar do posicionamento, o MEC diz não poder interferir no conteúdo ensinado pelas escolas, pois elas têm autonomia.

Conforme informou o colunista da Folha Marcelo Leite no último dia 30, o colégio Mackenzie (presbiteriano) adotou neste ano apostilas que apresentam o criacionismo nas aulas de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental.

Outras escolas, como as adventistas, por exemplo, praticam opção semelhante.

Teorias

Os criacionistas dizem que o Universo foi criado por um ser superior, assim como os seres vivos. Para eles, a vida é muito complexa para ter surgido sem intervenção sobrenatural.

Essa crença se opõe à teoria da evolução desenvolvida por Charles Darwin, presente nas diretrizes curriculares nacionais, segundo a qual todas as espécies provêm de um ancestral único –e, a partir dele, se diferenciaram, chegando à diversidade atual de seres vivos.

O entendimento do MEC é semelhante ao dos pesquisadores contrários ao criacionismo: o modelo não pode ser considerado teoria científica por não estar baseado em evidências (preceito tido como básico para se definir o que é ciência).

“[O ensino do criacionismo como ciência] é uma posição que consideramos incoerente com o ambiente de uma escola em que se busca o conhecimento científico e se incentiva a pesquisa”, afirmou Pilar.

O presidente da Associação Brasileira de Pesquisa da Criação, Christiano da Silva Neto, tem entendimento diferente.

Para ele, como não há consenso sobre qual teoria está correta, “a maneira mais justa e honesta de lidar com a questão é apresentar ambos os modelos nas aulas de ciências, dando-se destaque aos pontos fortes e fracos de cada um”.

Escolas

O criacionismo é ensinado no Colégio Presbiteriano Mackenzie desde 1870, quando a instituição foi fundada.

O conteúdo é abordado no sexto ano do fundamental –para crianças com idade por volta dos 11 anos–, assim como a teoria evolucionista.

Neste ano, no entanto, o colégio passou a adotar um novo material nos três primeiros anos do ensino fundamental. São apostilas com conteúdos didáticos convencionais, onde há a explicação criacionista, mas sem a teoria evolucionista.

Segundo o colégio, nessa idade (por volta dos oito anos) os alunos não estão preparados para aprender o darwinismo. O colégio anunciou que alterará o conteúdo das apostilas, abrandando o caráter religioso, mas manterá o criacionismo.

O Pueri Domus Escolas Associadas, uma rede laica que reúne 160 escolas no Brasil inteiro, algumas com orientação católica ou protestante, também apresenta o criacionismo nas aulas de ciências.

O conteúdo é exposto com o evolucionismo no oitavo ano do ensino fundamental das escolas. Para Lilio Alonso Paoliel-lo Júnior, diretor de conteúdo da rede associada, o objetivo é promover o debate.

“Negativo seria não deixar que a discussão acontecesse. É uma questão de posição pedagógica. O conteúdo é aceito por pais das escolas laicas e das religiosas”, diz o diretor.

A visão também é defendida por Maria Lúcia Callegari, orientadora do colégio Santa Maria (zona sul de SP). “Quando falamos sobre o surgimento da vida, abordamos o criacionismo e o evolucionismo. Trabalhamos com pluralidade na ciência, para romper a idéia de uma verdade absoluta.”

Na escola, o conteúdo é ensinado para os alunos do quinto ano do ensino fundamental e, segundo ela, não há reclamação de pais por causa do conteúdo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

16 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Anarquista Lúcida

    29 de dezembro de 2013 7:57 pm

    Tinha que ser proibido

    Ë 171 dizer que é uma teoria científica. Nenhum cientista reconhecido aceita isso. Nos EUA inclusive é proibido, e no mundo ocidental inteiro nao conheço país nenhum que ensine criacionismo fora de aulas de religiao. 

    1. Gunter Zibell - SP

      29 de dezembro de 2013 8:31 pm

      Não tenho certeza…

      Mas acho que em alguns estados é permitido. Acho que Carolina do Sul.

      Nos EUA há algumas coisas que só acontecem em um estado (ou em poucos estados.)

      Prostituição só é permitida em Nevada, maconha em Colorado (Washington passou o plebiscito mas ainda não regulamentou.) E há inclusive um estado onde o aborto é proibido ou muito restringido (se procurar o mapa na wikipedia aparece.)

       

  2. Tamára Baranov

    29 de dezembro de 2013 7:58 pm

    Certo, certíssimo, isso é

    Certo, certíssimo, isso é para aula de catecismo. 

  3. alessandroduarte

    29 de dezembro de 2013 10:07 pm

    Mais um uso de argumento

    Mais um uso de argumento abdutivo.

    “Os criacionistas dizem que o Universo foi criado por um ser superior, assim como os seres vivos. Para eles, a vida é muito complexa para ter surgido sem intervenção sobrenatural.”

    Conclusão – O universo é complexo e perfeito

     

    Melhor explicação: O universo foi criado por um ser superior

    Deus = ser superior

     

    A ciência também faz uso de argumentos abdutivos, mas, ao contrário do caso acima, busca evidências empíricas para a melhor explicação.

     

    “Para ele, como não há consenso sobre qual teoria está correta, “a maneira mais justa e honesta de lidar com a questão é apresentar ambos os modelos nas aulas de ciências, dando-se destaque aos pontos fortes e fracos de cada um”.”

     

    Isso é mencionado constantemente, mas é claramente uma inverdade. De fato, é possível perceber a seleção natural em relação ao combate de bactérias e uso indiscriminado de antibióticos. Ou pensam que as superbactérias surgem por geração espontânea?

     

    Além disso, é discutível a perfeição e complexidade do universo. Essas ideias leibzinianas de melhor mundo possível carecem de confirmação (novemente empírica).

    1. Edivaldo D

      30 de dezembro de 2013 12:59 am

      Deus não existe

       

      Ou vc vive num mundo real, de fatos, de causa e efeito, de fenômenos observáveis etc… Ou num mundo mágico onde algo não existe e do nada passa a existir, isso é magia, encantamento ou milagre, é o pó de pirlim-pim-pim é uma interpretação fantasiosa da realidade.

       

      Vc tem suas crenças fique com ela, seja tranquilo com sua fé não fique tentando fazer outros acreditar no seu deus de todas as formas possíveis.

      1. alessandroduarte

        30 de dezembro de 2013 1:30 am

        Se sua postagem é direta para

        Se sua postagem é direta para mim, receio que não entendeu o que quis dizer

         

        http://plato.stanford.edu/entries/abduction/

        1. Edivaldo D

          30 de dezembro de 2013 2:02 am

           
          Eu reli sua postagem,

           

          Eu reli sua postagem, entendi que os crias fazem uso do argumento abdutivo mas sem uso de evidência impírica..Parecia-me que vc argumentava em prol do criacionismo, perdão.

  4. hugo1

    29 de dezembro de 2013 11:09 pm

    Toda explicação do

    Toda explicação do criacionismo  é sempre a mesma coisa: pegam argumentos da ciência e no final chegam a conclusão que tudo é tão complexo que só poderia se criado por Deus.

    Esse vídeo representa o pensamento criacionista, assistiu esse assistiu todos.

    http://www.youtube.com/watch?v=VPIwJRuUl-w

  5. NH alemanha

    29 de dezembro de 2013 11:19 pm

    Desde quando não há consenso
    Desde quando não há consenso científico sobre a questão criacionismo/darwinismo?

    A discordância que existe não é científica. É uma discordância entre ciência e religião.

    Ninguém quer obrigar a igreja a ensinar evolução na missa.

    Ninguém quer ouvir do padre questionar a multiplicação dos pães sob a ótica Lavoisier.

    Muito menos queremos ver demonstrado que Moisés abrir o mar está em acordo com o princípio de Bernoulli.

    Agora, se nenhum cientista em sã consciência quer a igreja demonstrando a robustez científica de seus dogmas, por que diabos quer a igreja continuar metendo o bedelho na aula de ciências?

    Fala sério!

  6. Edivaldo D

    30 de dezembro de 2013 12:26 am

    Graças a Deus!
     
    Temas onde

    Graças a Deus!

     

    Temas onde se abordam a figura de Deus pertencem a religião. Em ciência se estuda ciência, nem sequer filosofia… quem quiser que ensine religião a seus filhos dentro de casa ou na escola dominical de sua congregação/igreja, é de direito.

  7. Fernando R.

    30 de dezembro de 2013 1:18 am

    O que me preocupa…

    O que me preocupa de verdade não é a escola confessional ensinando bobagens a seus futuros pagadores de dízimo. O problema maior está no esforço das igrejas retrógradas em convencer às pessoas de que evolução não existe. Aí o aluno chega na escola pública e dá um trabalho danado . Sou professor de Biologia no RJ e faço disso uma questão central nas minhas aulas. Evolução na veia.

    1. Anarquista Lúcida

      30 de dezembro de 2013 6:26 pm

      Você conhece os DVDs da Duetto sobre Evoluçao?

      É a editora da Scientific American (nao estou fazendo propaganda, mas sao excelentes!). Sao 4 DVDs inteiros, que pegam vários aspectos da teoria. Um deles, por ex., fala sobre a evoluçao das bactérias, e o risco que isso representa. Quero ver algum criacionista nao se preocupar com isso… Outro narra a linha evolutiva das baleias, que foi um dos últimos “elos perdidos”, mostrando dados arqueológicos, comparaçao de ossos, argumentos baseados no modo de nadar (baleias nao nadam de um lado para o outro, como os peixes, mas se movem para cima e para baixo, como os mamíferos ao correr). Um inclusive discute os dilemas dos religiosos (os vídeos originais sao americanos, nao dava para nao falar disso lá). É um material didático excelente, bonito, convincente. E se você nao quiser/puder comprar, há em pedaços no YouTube, em inglês e em português. 

  8. Haroldo Werneck

    30 de dezembro de 2013 2:23 am

    O MEC está correto!!!

    Perfeita a decisão do MEC, que assume uma posição técnica com coerência.

    Quanto às escolas confessionais estilo Mackenzie, seguem sugestões para aperfeiçoamento:

    1. Nas aulas de ciências, os alunos também devem ser trabalhados com a pluraridade da ciência discutindo a criação do Saci Pererê, do Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa, entre outros.

    2. Nas aulas de religião, os professores devem apresentar argumentos religiosos que justifiquem o assassinato de pais e irmãos, a prática de incesto, o genocídio e outros feitos em nome do ser supremo.

    3. Explicar cientificamente como o criacionismo evoluiu e chegou ao dízimo…

     

     

  9. Luiz Bruschi

    30 de dezembro de 2013 10:55 am

    Criacionismo X Evolução

    O MEC toma posição correta. Evolução é uma teoria científica e deve ser ensinada como ciência. Criacionismo é uma interpretação teosófica do processo da criação e, para aquelas religiões que assim acreditam (hoje são poucas seitas) que ensinem em suas aulas religiosas. Todos têm direito de expressão, mas não se dança balé clássico em campo de futebol, como também não se joga futebol no linóleo do palco.

  10. C. Renato C.

    31 de dezembro de 2013 9:11 pm

    O MEC está certo, certíssimo.

    O MEC está certo, certíssimo. É pena que o MEC não possa fazer nada de mais contundente para impedir o ensino do Criacionismo nas escolas. Por um lado isso é bom, pois não deve haver controle sobre a liberdade de escolas e professores. Por outro lado, se uma escola começasse, ou rede de escolas, começasse a ensinar o negacionismo histórico e defendesse que o Holocausto é uma farsa, alguma medida mais dura deveria ser tomada. Por favor, não estou dizendo que em termos éticos e morais seja a mesma coisa ensinar criacionismo e negacionismo histórico. Porém, do ponto de vista dos fatos, sim, a situação é a mesma, visto que em ambos os casos não há evidências nem que sustentem o criacionismo e tão pouco o negacionismo histórico. Se o primeiro é, no máximo, uma pseudociência, o segundo é “pseudohistória’, ou menos que isso.

    Outro falha gritante no argumento dos que defendem o Criacionismo é de que é “democrático” ensiná-lo. Bom, neste caso, todos criacionismos deveriam ser exostos e não apenas os mitos judaico-cristãos. Se ensine então o criacionismo dos Guaranis, dos Apaches, das tribos nômades que viveram na Savana africana, dos hindús, etc…

     

    Também deve-se prestar atenção que a partir do momento em que se toma o Criacionismo como Ciência há alguns problemas enormes a serem explicados. Por exemplo. Os criacionistas tomam como literal todas passagens bíblicas, onde em minha opinião, a mais absurda é a da Arca de Nóe, que aliás está ligada diretamente ao Criacionismo. Como alguém em sã consciência pode pensar que um homem na Ásia menor, há milhares de anos atrás, viajou para o Brasil, Austrália e Ártico e conseguiu capturar um casal de micos, de cangurus e de ursos, e depois que a enchente baixou levou caa um deles para seus respectivos continentes?

     

    Bom, só para finalizar este enorme comentário… Após ler Stephen Jay Gould (que nunca foi um combatente ferrenho da religião e nem do Criacionismo, como Dwkins), descobri algo que me fez pensar que se há um deus bondoso, com certeza ele não criou este mundo, quando descreve como certos tipos de vespas inserem suas larvas em um grilo e mantem vivo enquanto se alimentam.

Recomendados para você

Recomendados