O relatório O Partido Digital Bolsonarista (CCI/CEBRAP/DX, 2025), coordenado por Marcos Nobre, sustenta que o bolsonarismo deve ser compreendido não apenas como uma corrente ideológica ou movimento de opinião, mas como uma organização política voltada à conquista e manutenção do poder. Os autores denominam essa estrutura de Partido Digital Bolsonarista (PDB).
A principal tese é que o PDB funciona como um partido de fato, embora opere parcialmente fora das instituições tradicionais da democracia representativa. Em vez de depender de estatutos, programas e estruturas burocráticas, ele se organiza por meio de redes digitais de influência, lealdade pessoal e mobilização permanente em torno da liderança de Jair Bolsonaro.
Nessa interpretação, o PL não constitui o partido bolsonarista propriamente dito. Funciona antes como uma plataforma institucional que fornece recursos financeiros, tempo de televisão, estrutura eleitoral e acesso ao sistema político, enquanto a coordenação política efetiva ocorre nas redes sociais e nos ecossistemas digitais de apoiadores e influenciadores.
O estudo combina análise de redes sociais, dados eleitorais e financiamento de campanhas para demonstrar que existe um núcleo parlamentar altamente coordenado, concentrado principalmente no PL, caracterizado por elevada capacidade de mobilização digital, baixa adesão às pautas do governo e forte alinhamento discursivo. A coordenação aparece em campanhas simultâneas, identidade visual padronizada e sincronização de mensagens.
A figura de Bolsonaro surge como o principal nó articulador da rede, enquanto parlamentares e influenciadores funcionam como multiplicadores. O ataque ao Supremo Tribunal Federal — especialmente ao ministro Alexandre de Moraes — aparece como o tema de maior convergência e coesão interna, reforçando o caráter antissistêmico atribuído ao grupo pelos autores.
O relatório também identifica fragilidades estruturais. Como a organização depende mais da lealdade pessoal do que de mecanismos institucionais, ela está sujeita a disputas por liderança e deserções. O crescimento de figuras como Pablo Marçal é apresentado como exemplo da vulnerabilidade inerente a uma estrutura política baseada em influência digital e carisma.
Entre os achados empíricos, destaca-se o desempenho singular de Nikolas Ferreira, cujo engajamento nas redes supera amplamente o dos demais parlamentares analisados, indicando a existência de hierarquias internas de influência que nem sempre coincidem com os cargos formais da política.
Em síntese, o relatório conclui que o bolsonarismo opera como um partido político digitalizado, organizado em torno de lideranças de influência, capaz de utilizar partidos tradicionais sem se confundir com eles e de mobilizar apoiadores por meio de redes digitais que funcionam paralelamente às estruturas convencionais da democracia representativa.
LEIA TAMBÉM:
Jotinhainsignificantedobasil
11 de junho de 2026 8:23 pmTÔ gostando do ggn,tá saindo da bolha,meu cérebro tá até dando uns tremeliques,a visão não é o agora é o amanhã,quando vc vê tudo vai encaixando lindamente igual a um quebra cabeças(nem sempre)eu não deveria ter escrito escrevinhado isto mas já foi fazwr o quê!!!
Jose carlos lima
12 de junho de 2026 5:49 amO Partido Digital tem o #tecnofascismo ou seja as Big Techs como poderosas correias de transmissão, engajamento e alcance
É sobre ditadura dos algoritmos , sendo que o Brasil é terreno fértil para falsas narrativas como a apregoada por Nikolas Ferreira sobre o pix
O povo brasileiro, segundo pesquisa, é o mais alienado do mundo, o que menos tem conhecimento sobre a sua própria realidade, daí a facilidade com que é capturado pelas bolhas virtuais bolsonaristas
E falar de bolha virtual é falar de aprisionamento, conforme o cenário descrito por Sócrates é registrado por Platão em O Mito da Caverna