5 de junho de 2026

PL das Terras Raras: organização envia recomendações a relator

Rede Pela Soberania faz recomendações ao projeto de lei de terras raras, com foco na preservação ambiental e na soberania nacional.
- Imagem ilustrativa. Foto: Vlad Chețan/Pexels

Rede Pela Soberania enviou recomendações ao relator do PL 2780/2024 sobre terras raras na Câmara dos Deputados.
Projeto cria Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos para controlar exploração e uso das terras raras no Brasil.
Documento sugere controle da cadeia produtiva, proteção ambiental, consulta popular e fortalecimento institucional da mineração.

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da Revista Fórum

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PL das Terras Raras: organização envia recomendações a relator com foco em soberania e proteção ambiental

Projeto que cria política sobre minerais críticos está em tramitação na Câmara dos Deputados; veja principais recomendações da Rede Pela Soberania

Por: Júlia Motta

A organização Rede Pela Soberania elaborou um conjunto de recomendações que serão entregues para o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator do PL 2780/2024, chamado de “PL das Terras Raras”, antes da análise do projeto na Câmara dos Deputados na próxima semana. 

ASSINE O ABAIXO-ASSINADO DA FÓRUM: Fórum lança abaixo-assinado em defesa da Terrabras e soberania do Brasil

O projeto cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) com o objetivo de definir novas diretrizes de tratamento das terras raras e será analisado em meio a um forte debate internacional sobre a exploração desses minerais. O Brasil, que possui a segunda maior reserva de terras raras, se coloca como um dos principais protagonistas nesse cenário, sendo também alvo de interesse e pressão de países, como os Estados Unidos. 

Nesse sentido, a Rede Pela Soberania apresenta um documento feito a partir de debates com especialistas de diferentes áreas, movimentos sociais e organizações da sociedade civil, com o objetivo de reforçar a importância da soberania nacional e da proteção ambiental e democrático nesse processo. 

O presidente da organização, Sylvio Costa, reforça que as terras raras têm sido tratadas como “o petróleo deste século” devido sua importância na indústria moderna, sobretudo para bens ligados à transformação energética, como painéis solares, turbinas para parque eólico e outros. Por isso, o Brasil está diante de uma decisão fundamental que vai definir o futuro do país para as próximas décadas, de acordo com Costa. 

“Ou seguimos no modelo da extração mineral voltada para a exportação de matérias primas, reproduzindo uma lógica colonial, ou dominamos a cadeia produtiva completa de transformação mineral e de produção de bens mais sofisticados, nos consolidando de fato como nação soberana”, afirma o presidente. 

“Nossas recomendações ao relator Arnaldo Jardim vão nessa segunda linha, cuidando tanto de aspectos técnicos essenciais quanto da necessidade de adotar processos ambientalmente seguros, porque estamos falando de um setor altamente poluente e perigoso para a saúde humana, e de implementar políticas em que a população seja consultada em todas as etapas de decisão”, acrescenta Costa. 

As recomendações da Rede Pela Soberania 

O documento apresentado pela organização lista 22 recomendações elaboradas a partir do estudo “Soberania mineral, terras raras e poder geopolítico: um modelo híbrido para o Brasil”, feito pela Rede pela Dra. Luciana Bauer e pelo Dr. Pedro Costa Jr. Abaixo, veja os principais pontos do documento.

  1. Focar no controle da cadeia de valor, não apenas na extração 
  2. Adotar um modelo híbrido de gestão 
  3. Criar uma Lista Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos 
  4. Definir critérios técnicos, econômicos, socioambientais e climáticos para a classificação de minerais críticos e estratégicos 
  5. Instituir contratos especiais de exploração 
  6. Exigir obrigações progressivas de agregação de valor 
  7. Criar um Fundo de Soberania Mineral e Tecnologia Crítica 
  8. Instituir política de estoques estratégicos e compras públicas 
  9. Condicionar a exportação de minério bruto ou concentrado 
  10. Incorporar rastreabilidade socioambiental como vantagem competitiva 
  11. Garantir participação de universidades, de centros tecnológicos e das Forças Armadas 
  12. Prever salvaguardas contra a captura regulatória e o nacionalismo sem capacidade técnica 
  13. Estabelecer horizonte de longo prazo (10 a 30 anos) e roteiro de implementação 
  14. Mensurar impacto econômico por cenários de valor adicionado 
  15. Assegurar licença social e consulta a comunidades, indígenas e tradicionais 
  16. Garantir a preservação da soberania nacional e da ordem democrática 
  17. Condicionar subsídios e benefícios a critérios públicos, temporais e de conteúdo local 
  18. Garantia de participação popular em todas as fases 
  19. Prever fonte estável de recursos para fiscalização mineral, licenciamento e fortalecimento institucional da Agência Nacional de Mineração (ANM) 
  20. Detalhar a rastreabilidade para além da origem do minério, cobrindo toda a cadeia e os seus riscos 
  21. Vincular a política de minerais críticos a contrapartidas obrigatórias de industrialização e de retorno econômico nacional 
  22. Prever auditoria independente, transparência ativa e revisão periódica da política 

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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