O Partido Liberal, que tem como um dos maiores nomes o ex-presidente Jair Bolsonaro, está lançando campanhas digitais na tentativa de derrubar a reforma tributária, além de fazer com que as lideranças da sigla convença seus 99 deputados federais a rejeitar a proposta do governo.
Na manhã desta terça-feira (4), o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, se encontrou com o líder do PL na Câmara, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ), com Braga Netto e Bolsonaro, considerado presidente de honra da sigla. Nas redes sociais, Costa Neto afirmou que o objetivo da reunião foi “alinhar uma boa estratégia para combater a reforma tributária do PT, entre outros assuntos do cenário político do país”.
Além do registro compartilhado no Facebook, o Instagram do PL exibe uma carta assinada por Jair Bolsonaro, em que o ex-presidente reproduz seu hábito mais intrínseco: o de compartilhar a desinformação.
Modus operandi
Na publicação, o ex-presidente afirma que a “reforma do PT” traz o risco de até 60% de aumento no preço da cesta básica. O mandatário, que ficou inelegível por abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação na última sexta-feira (30), aproveitou o canal para ressaltar os feitos da própria gestão e acredita que o governo seria coerente se seguisse a política econômica bolsonarista, que teve “menos impostos e mais arrecadação”.
O impacto da reforma tributária sobre a cesta básica foi estimada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). No último sábado, o presidente da entidade, João Galassi, se encontrou com Fernando Haddad, ministro da Fazenda, para discutir a possibilidade de encarecimento de produtos básicos.
Os números, contudo, já foram rebatidos pelo secretário extraordinário da Reforma Tributária, Bernard Appy, que esclareceu os erros de cálculo feitos pela Abras.
“Não é que estão dizendo que vai haver um aumento de 60% na cesta básica. O que eles estão dizendo é que a carga tributária, o montante que incide sobre a cesta básica teria um aumento de 60%, pelas contas deles. Por esse tipo de raciocínio, se eu tiver uma alíquota de 0,1% e ela for para 1%, aumentou 900%. Segundo, mesmo a conta que eles trouxeram está errada. Por quê? A conta que a Abras fez pegou simplesmente do ponto de vista da tributação atual da margem dos supermercados, na venda de produtos da cesta básica, do PIS Cofins, eles estimaram, com base nas alíquotas de cada estado, qual o impacto da adoção de uma alíquota que fosse 50% de uma alíquota básica, que é o que está previsto na PEC”, explicou o secretário.
*Com informações da Agência Brasil
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