17 de junho de 2026

PODER: A ACAREAÇÃO DOS MENSALEIROS DO DEM

Arruda participa de acareação com delatores do mensalão do DEM

 

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FILIPE COUTINHO
DE BRASÍLIA

O ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), acusado de ser o chefe do mensalão do DEM, esteve nesta quinta-feira pela primeira vez frente a frente com os delatores do esquema que abalou a política local.

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Por cerca de uma hora, Arruda participou de acareação junto com Durval Barbosa e Edson Sombra, principais testemunhas do mensalão do DEM. Os três foram ao CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), que investiga a participação de promotores no esquema de coleta e distribuição de propina. Eles foram convocados a pedido da promotora Deborah Guerner, principal investigada pelo CNMP.

Barbosa era secretário de Relações Institucionais do governo Arruda quando, no ano passado, decidiu colaborar com a Justiça em troca de delação premiada. Sombra, por sua vez, foi o pivô da prisão de Arruda no início do ano, quando o ex-governador foi acusado de tentar suborná-lo.

O caso corre em segredo no órgão e os advogados se recusaram a comentar a acareação. A Folha apurou que Arruda, Barbosa e Sombra não trocaram nenhuma palavra. Todos mantiveram as versões sobre a atuação da promotora, com exceção de um “ponto controverso” –nas palavras de uma pessoa que esteve na acareação.

Segundo o delator do mensalão, Durval Barbosa, o ex-chefe do Ministério Público do DF Leonardo Bandarra teria recebido mais de R$ 1,6 milhão, além de mesada, para interferir no Ministério Público e impedir investigações sobre os contratos do lixo. Os promotores negam as acusações.

De acordo com Barbosa, a promotora Deborah Guerner seria a intermediária da negociação. Um das conversas, segundo depoimento de Barbosa, foi feita na sauna da casa da promotora.

Arruda, por sua vez, acusa o ex-governador e inimigo político Joaquim Roriz (PSC) de ter pago propina a Deborah. Arruda disse ter ouvido da promotora que Roriz lhe pagou R$ 2,4 milhões, divididos em três prestações de R$ 800 mil, para que não fosse investigado por supostas irregularidades em sua gestão.

O ex-governador depôs na condição de testemunha. A acareação causou desconforto na defesa de Arruda, que até o último minuto tentou evitar o encontro com os delatores. Os advogados temiam que, como testemunha, ele fosse obrigado a responder perguntas que depois pudessem ser usadas no processo em que ele aparece como réu.

Redação

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