Policiais militares e civis em serviço mataram 142 pessoas no primeiro trimestre de 2026 no estado de São Paulo, cinco a mais do que no mesmo período do ano anterior. Quando incluídos os policiais fora de serviço, o total sobe para 175 mortes entre janeiro e março. Os dados foram levantados pela Agência Brasil a partir de relatório do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
Os números integram uma tendência de alta que se aprofunda desde 2023. No governo anterior, as mortes causadas por policiais militares em serviço caíram de 720, em 2019, para 262, em 2022, uma redução de 63,6%. A partir de 2023, a curva inverteu: naquele ano, 357 pessoas foram mortas, alta de 95 vítimas em relação ao ano anterior. Em 2024, o número saltou para 653, crescimento de 83%. Em 2025, chegou a 703.
“O aumento da letalidade policial que se verifica em diversos indicadores não pode ser naturalizado nem tratado como efeito colateral inevitável da atividade policial. Os dados indicam um problema estrutural que exige enfrentamento direto”, afirmou o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri.
Confronto
Para especialistas, o cenário reflete falhas estruturais que vão além das ruas. Caseri aponta que a combinação de baixos salários, sobrecarga de trabalho, agravada pelos chamados “bicos”, e o avanço do adoecimento mental na tropa cria um ambiente de risco tanto para a população quanto para os próprios policiais.
“Cria uma polícia do confronto. Precisamos de uma polícia que resolva conflitos, não de uma polícia que crie conflitos”, disse o ouvidor.
Entre as medidas urgentes que ele defende estão: enfrentar a precarização das condições de trabalho policial, fiscalizar o uso das câmeras portáteis, revisar protocolos de uso da força, ampliar a transparência e instituir políticas obrigatórias e contínuas de saúde mental para os agentes. “Sem essas medidas, o risco é a consolidação de um modelo de segurança que amplia a violência em vez de reduzi-la”, alertou.
“Apartheid social”
O presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Adilson Santiago, avalia que o estado vive uma crise de segurança pública. Segundo ele, as vítimas seguem um padrão bem definido: são, majoritariamente, pessoas negras e moradoras de periferias.
“Existe um apartheid social para uma população direcionada: pessoas negras e da periferia, que sofrem pela insegurança promovida por aqueles que deveriam nos dar a segurança”, afirmou Santiago. Ele também questiona o preparo das forças policiais. “Pelo visto, não tem formação, não tem um comando que possa conduzir as forças policiais para uma polícia mais humanizada.”
Posicionamento
Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública do estado afirmou que todas as mortes por intervenção policial são investigadas com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Judiciário.
A pasta informou ainda que investiu mais de R$ 27,8 milhões na aquisição de equipamentos de menor potencial ofensivo, como espargidores e armas de incapacitação neuromuscular, e que o total de câmeras portáteis operacionais está sendo ampliado para 15 mil unidades.
O ouvidor, no entanto, foi direto ao rebater a narrativa de que mais mortes significam mais eficiência. “O aumento da letalidade não pode ser interpretado como indicador de eficiência.”
*Com informações da Agência Brasil.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
4 de maio de 2026 8:20 pmQuem mata é Tarcísio de Freitas, o comandante em chefe da PM. Os policiais apenas apertam os gatilhos das armas do governo do Estado.
Carlos
5 de maio de 2026 7:21 amCariocas e paulistas parecem gostar de morrer na mão da polícia, por isso ainda dão palanque para excrescências como os que vêm governando estes estados.
Mas não podemos deixar Bahia de fora. Estado cuja polícia me deixa intrigado desde a morte do comandante do escritório do crime e, na ocasião, contava com a presença no estado do hoje postulante a cargo de presidente.