A Polícia Civil trabalha com três hipóteses para solucionar o assassinato de Bernadete Pacífico, ialorixá (mãe de santo e sacerdotisa de um terreiro, seja ele de Candomblé, Umbanda ou Quimbanda) e líder quilombola, morta a tiros na última quinta-feira (17).
De acordo com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), a polícia considera briga por território e intolerância religiosa como duas das possíveis causas para a execução, porém a hipótese mais provável seria a de disputa de facções criminosas.
O governador, no entanto, não explicou a relação entre o assassinato e o tráfico de drogas, uma vez que a líder quilombola nunca teve envolvimento com o crime.
Versão da família
A família de Mãe Bernadete e advogados não compactuam com as hipóteses apresentadas por Jerônimo. A idosa de 72 anos assistia televisão com dois netos na sala de casa quando dois homens invadiram o recinto, levaram os netos para os quartos e executaram a ialorixá com 12 tiros.
Antes, Bernadete afirmou que sofria ameaças de madeireiros e grileiros, por denunciar extração ilegal de madeira em área de proteção ambiental. Tanto que ela fazia parte de um Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
Em depoimento à polícia, Wellington dos Santos, de 22 anos, neto da líder quilombola, afirmou que não existe conflito agrário envolvendo o quilombo e que não se recorda de inimizades de sua avó, bem como não se recorda dela ser ameaçada. No entanto, mencionou que sua avó tinha muitos medos, especialmente após o assassinato de seu pai, Binho, assassinado há seis anos.
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