Porque as esquerdas não enxergam a realidade?

Ontem mesmo estive em um “ciclo de debates” que reuniu candidatos do PT e Psol aos legislativos, com pautas variadas como educação, trabalho, machismo, descriminalização da maconha, do aborto, etc.

Esses temas se tornaram “franquias” da esquerda, digamos assim.. é um discurso padrão..

A palavra “golpe” aparece o tempo todo, mas o comportamento geral é como se estivesse tudo normal (?!)

Sequer evoluiu ao longo dos últimos incríveis meses..

O pessoal está totalmente envolvido nos cálculos políticos para 2018 no mesmo padrão de eleições passadas.

Não há uma palavra sequer sobre a desestruturação da república brasileira.

Entre os petistas há uma divergência entre os pragmáticos que sonham embarcar na candidatura Ciro, aqueles que fazem questão de um “Plano B”, mas com alguém do próprio PT, e aqueles que fecham com a candidatura Lula “de A a Z”.

Mas ninguém discute o sistema.

É interessante perceber que mesmo aqueles que estão fechados com ex-presidente, o fazem no sentido de explorar ao máximo o “símbolo” Lula, de olho nas eleições 2018.

Ninguém quer revolucionar nada nas esquerdas brasileiras e isso deveria arrepiar todos os cabelos de todos os pensadores deste campo.

Nós vivemos uma profunda desestruturação, no contexto de uma transição global e não existem revolucionários nas esquerdas??!!

Eu vejo meninos treinados para um discurso estéril, desconectados da realidade, jogando palavras ao vento.

E ainda tem esse detalhe importante, a esquerda não sabe mais fazer política, então ficam os caras falando para eles mesmos..

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.. e tudo gravado em vídeos, transmitidos “ao vivo” (ui, que chique) e que ninguém vai ver.

É a esquerda coxinha.

Pode isso?

O PT está completamente dominado por um pensamento tão conservador a ponto de haver “recomendações internas” para evitar a “extrema esquerda”, e até mesmo evitar “avaliações de conjuntura”.

Acaba que a discussão política se limita a discutir resultado de pesquisa.

Lula é importante porque tem 33%.

Bem, esse é o quadro.

Se quisermos mudar o país, me parece óbvio que temos que mudar, antes, os partidos, ou criar algo novo.

 

Já aproveitando o embalo, deixo abaixo algumas teses que venho insistido ao longo desses últimos anos e que acho mereceriam alguma consideração:

“a república acabou, segue por inércia, mas a qualquer momento haverá o esfacelamento total, e quanto mais demorarmos para perceber isso e começarmos a construir uma alternativa, mais vamos sofrer”

“a discussão “esquerda” versus “direita” não faz o menor sentido no Brasil, a gente devia superar isso construindo um projeto de união nacional, e entre os possíveis fios condutores está a proposta de um novo sistema político, porque há um consenso de que o atual não funciona”

E mais recentemente percebi um fenômeno que ainda não consegui dimensionar, mas que precisa ser superado:

“inteligência social não depende de diploma, a comunidade acadêmica, os intelectuais desse país precisam descer do pedestal em que se encontram e discutir o sistema com o povo”

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