Rachadinha é “menor dos males”, o que os Bolsonaro temem é ligação com milicianos

As autoridades já têm evidências fortes do crime praticado por Flávio e também no gabinete de Carlos Bolsonaro, há 6 meses

Jornal GGN – Artigo da jornalista Helena Chagas, em Os Divergentes, afirma que a operação deflagrada contra Flávio Bolsonaro e pessoas próximas de sua família, para apurar rachadinha, deve levar o inquérito à fase final. As autoridades já têm evidências fortes do crime praticado por Flávio e também no gabinete de Carlos Bolsonaro, há 6 meses. A nova operação seria para complementar os dados.

A rachadinha, embora esteja próxima de virar denúncia oficial, já é “menor dos males”. Os Bolsonaro temem mesmo é a exposição e a investigação do relacionamento com os milicianos e a morte de Marielle Franco. Não à toa, eles começaram a politizar o assunto, acusando Wilson Witzel de vazamentos.

Por Helena Chagas

Em Os Divergentes

Investigação da “rachadinha” quase fechada

Quando as investigações do Caso Queiroz foram suspensas, há cerca de seis meses, por decisão do ministro Dias Toffoli pela utilização de dados do Coaf sem autorização judicial, o Ministério Público do Rio já tinha fartos elementos sobre a prática da “rachadinha” no gabinete do ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro — e indícios de que o mesmo procedimento era adotado no gabinete do irmão vereador Carlos.

A operação de hoje nas residências de Fabrício Queiroz e outros, alguns aparentados da família Bolsonaro, deve ajudar a fechar essa investigação. É possível que a denúncia contra o filho do presidente, hoje senador, não demore para ser oferecida. E que ele comece a responder pelo caso também junto à Comissão de Ética do Senado.

É improvável, porém, que o senador sofra punições mais drásticas, como a perda do mandato — até porque, diante de outras acusações que atingem seus colegas senadores, a “rachadinha”, pela qual o parlamentar fica com parte dos salários dos funcionários do gabinete, é considerada até um crime menor.

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Esse seria, nas circunstâncias, o menos pior dos desfechos para o presidente Jair Bolsonaro e seus parentes. Seu maior temor não é a acusação da prática da “rachadinha”, mas o avanço de investigações que relacionem os Bolsonaro a integrantes de milícias do Rio de Janeiro, com suas atividades para lá de ilegais — e relação com crimes como a execução da vereadora Marielle. Esse, sim, seria o epicentro do terremoto político que os bolsonaristas temem, de consequências imprevisíveis.

A respeito dessa parte da investigação, a da milícia, não se sabe exatamente o que a Polícia e o MP do Rio têm. Só que Bolsonaro e seu entorno andam preocupados, apressando-se em declarações-vacina prevendo novas acusações e em politizar o caso, colocando o governador do Rio, Wilson Witzel, como seu algoz.

Nesse sentido, a investigação sobre a “rachadinha”já está sendo considerada, entre governistas, o menor dos males…

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