4 de junho de 2026

Rio $urreal

Para fugir dos preços elevados, carioca reedita ‘farofa’ na areia

Tradição de levar alimentos e bebidas para a praia ganha novos adeptos e cardápio variado

GABRIEL SABÓIA

Rio – Até pouco tempo, levar lanche feito em casa para a praia era sinônimo de constrangimento. Quem se atrevia a romper o ‘código de conduta do bom banhista de classe média’, ocupando trechos da orla com isopores e lanches, era alvo de olhares discriminatórios e rótulos pejorativos como “farofeiro” e “suburbano”. Hoje, devido à alta nos preços cobrados na faixa de areia, é cada vez maior o número de cariocas que recorrem ao bom e velho lanchinho caseiro. 

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Do Leme ao Pontal do Recreio, passando pelo Leblon, nota-se um cenário que remete ao tempo em que não havia vendedores ambulantes pelas areias. Em milhares de caixas e bolsas térmicas dispostas na orla, o menu é vasto. As tradicionais latas de cerveja dividem espaço com sanduíches, frutas, iogurtes e frios variados. 

“Além de não haver opções saudáveis, os preços estão impraticáveis. Se fosse comprar tudo na praia, não gastaria menos de R$ 150. Fui ao mercado e gastei R$ 70. Passei a recorrer aos isopores depois que minha filha nasceu”, conta o arquiteto Marcos Castro, de 38 anos, enquanto a pequena Mariane, 4, come um iogurte na Praia do Recreio. De ambulante, ele só comprou uma água de côco. E reclamou dos R$ 6 cobrados.

O arquiteto Marcos Castro economizou R$ 80 comprando lanches saudáveis para a família no supermercado. Na praia, comprou apenas uma água de coco e reclamou do preço (R$6)

Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia

Organizado, não farofeiro

Em sintonia com ele, na Reserva da Barra, um grupo de nove adultos e duas crianças garantia não se envergonhar dos três isopores abarrotados com sucos, biscoitos e sanduíches preparados na véspera. “Não somos ‘farofeiros’, somos organizados. Fomos ao mercado e estamos bebendo a nossa cerveja preferida, por um preço justo, além de sabermos a procedência do que vamos comer”, disse o administrador Marcos Rocha, 27. Ele conta que passou a recorrer aos lanches caseiros depois de pagar R$ 6 em um queijo coalho. 

Até mesmo no Leblon — bairro com o metro quadrado mais caro do Brasil —, há quem assuma a economia. “Vergonha é pagar o que tem sido cobrado e não recolher o lixo ao ir embora”, opina a moradora do bairro, Tamara Gavillan, 26, enquanto toma uma cerveja com os amigos Ricardo Ferreira, 28, e Ana Caroline Souza, 25. Em Copacabana, o casal Ricardo e Rachel Soretto também refuta o rótulo de ‘farofeiros’. “Como moramos próximos, só trazemos água, que nesta época sobe de R$ 3 para até R$ 5”, justifica ela.

Para Tamara, moradora do Leblon, com os amigos Ana Caroline e Ricardo, ‘vergonha é não recolher o lixo’

Foto:  Maíra Coelho / Agência O Dia

Protesto aponta preços abusivos

Eles se cansaram dos altos preços cobrados no Rio desde o anúncio da cidade como sede de grandes eventos, e resolveram protestar. Fanpages no Facebook se tornaram verdadeiras redes colaborativas de combate a preços considerados extorsivos. Com a irreverência típica dos cariocas, não demorou para que a moeda nacional ‘trocasse’ de nome: o o real passou a se chamar “SurReal”. 

Nas páginas, fotos de cardápios e prestadores de serviço a serem boicotados são postadas e compartilhadas. A lista inclui pratos individuais a R$ 79 — ou 79 ‘SurReais’ em restaurantes da Zona Sul, mistos quentes a R$ 20, e garrafinhas d’água a R$ 10, aos pés do Cristo Redentor.

“A intenção é informar e boicotar o aumento”, diz Luciana Medeiros, criadora da página ‘Não Pago Preço Absurdo’, que conta com mais de 6.500 curtidores. Páginas ‘co-irmãs’, como a ‘Rio $urreal’ e a ‘Se Vira No Rio’ — com mais de 65 mil e 8 mil seguidores, respectivamente —, também fazem sucesso. 

http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2014-01-20/para-fugir-dos-precos-elevados-carioca-reedita-farofa-na-areia.html

 

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  1. MarcoPOA

    21 de janeiro de 2014 2:49 pm

    Não só no Rio!

    Em Porto Alegre, talvez em função da copa, estão querendo praticar preços padrão fifa’ também, verdadeiros absurdos!

    Situação de descalabro igual no litoral gaucho, sem querer comparar com o maravilhoso Rio evidentemente!

    Em 2010 o cidadão abaixo, então Presidente da República, já tinha dado o caminho da roça (a necessidade faz o sapo saltar):

     

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