O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez uso da Operação Fim da Linha para pressionar o presidente da Câmara de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), a fim de acelerar a votação do projeto de privatização da Sabesp.
Inicialmente, o presidente da Câmara se posicionou contra a privatização da companhia. Porém, depois de ser citado como testemunha da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ao lado do deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), o vereador então teria decidido acelerar o processo.
A Operação Fim da Linha conta com 64 membros do MP-SP, além de 43 integrantes da Receita Federal e 340 PMs, que investigam o uso das empresas de ônibus Upbus e Transwolff para lavar dinheiro do PCC.
A informação foi confirmada pelo UOL por sete fontes mantidas em sigilo, entre elas funcionárias do governo de São Paulo e da Sabesp.
“Leite citado como testemunha é pior que acusado. Se fosse acusado, poderia apenas negar as acusações. Já como testemunha, precisa dizer a verdade, desperta a dúvida do que pode dizer e quem pode implicar”, comentou um vereador que pediu para não ser identificado.
Investigação
Outro parlamentar, também não identificado, pôs em dúvida o caráter de Milton Leite ao dizer que questionou um promotor sobre a coragem de investigar o presidente da Câmara paulistana. O promotor respondeu não ter coragem de fazê-lo.
“Se você publicar meu nome, amanhã eu não estou vivo”, completa a fonte.
O Ministério Público não comentou a reportagem. Já o governo do estado garantiu que o MP-SP tem total autonomia e independência.
Já Milton Leite negou a pressão do governador, apesar de sinalizar, em abril, que a Câmara não teria votos para aprovar a privatização, pois havia resistência de vários lados.
*Com informações do UOL.
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