Temer fala do caso Joesley e diz que Bolsonaro “continua” seu governo

Sem modéstia, Temer diz que deixará para a história uma imagem positiva, apesar de ter ascendido à primeira cadeira da República sob a alcunha de "golpista"

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – Michel Temer avalia que Jair Bolsonaro faz um governo positivo porque o ex-presidente foi quem preparou o terreno antes, introduzindo a agenda das reformas no noticiário. Nas palavras de Temer, “do jeito que as coisas vão indo, o governo vai bem, porque está dando sequência ao nosso governo.”

Em entrevista à BBC, o ex-presidente falou que seu governo teve “esse mérito de colocar a Previdência, como de colocar outras reformas [na pauta do dia]. Reformas fundamentais para o país, como a reforma trabalhista, a reforma do Ensino Médio, a recuperação das estatais…”

Ele citou dois exemplos de que Bolsonaro colhe frutos do governo passado: primeiro aprovando em primeiro turno a reforma da previdência, e o acordo entre União Europeia e Mercosul. “Como se chegou a isso? Praticamente não deu tempo, digamos assim, no meu governo, de fechar este acordo, mas ele concluiu-se nesse governo. Então, eu digo: o governo Bolsonaro não saiu da linha pré-traçada no meu. E por isso, digamos assim, eu posso falar positivamente em relação ao governo que ele está fazendo.”

Sem modéstia, Temer diz que deixará para a história uma imagem positiva, apesar de ter ascendido à primeira cadeira da República sob a alcunha de “golpista”. “E aliás um positivo que eu imaginei que viria no futuro, mas eu vejo que está se processando precisamente agora. Vocês não estão aqui sem razão, se fosse alguém inteiramente deteriorado, eu nem sei se vocês estariam.”

Na entrevista, Temer ainda falou abertamente de seu encontro com Joesley Batista, da JBS, e afirmou que até hoje se sente prejudicado pela repercussão equivocada que a mídia teria dado da gravação feita pelo empresário em troca de um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República.

Segundo Temer, o “tem que manter isso aí” não era para propina de Joesley a Eduardo Cunha, mas para a relação de amizade entre os dois. Ele lembrou que é de esforço para ter uma boa relação com Cunha que Joesley estava falando antes da memorável frase do ex-presidente. “Não existiu” nenhuma frase falando de pagamentos ao ex-deputado para que ele não fizesse uma delação.

Temer ainda criticou o ex-juiz Sergio Moro e disse que sua prisão teve em comum com a de Lula o componente “punitivista”, uma necessidade de prender para agradar a plateia. Constitucionalista, ele disse que a intimidade de Moro com os procuradores da Lava Jato em Curitiba é indevida. “O Judiciário há de ser permanentemente imparcial. Eu sou de Tietê, no interior de São Paulo, no meu tempo de menino, o juiz tomava o cuidado de não falar com quase ninguém.”

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