5 de junho de 2026

“Tenho cicatrizes, o sangue ainda jorra, mas quero construir algo positivo de tudo isso”, diz vítima da Força-Tarefa da Lava Jato no Rio

Daurio Esperanzini, ex-CEO da GE na América Latina, relembrou à TV GGN o impacto dos 40 dias em que esteve preso durante a Operação Ressonância
Reprodução: TV GGN

“Minha carreira começou a se deteriorar de maneira muito rápida, no meio daquele ambiente febril gerado pela operação. É lógico que tenho cicatrizes, o sangue ainda jorra, mas quero construir algo positivo de tudo isso”.

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Foi dessa forma que Daurio Esperanzini, ex-CEO da General Electric (GE) na América Latina, iniciou seu relato à TV GGN sobre o impacto devastador dos 40 dias em que esteve preso durante a Operação Ressonância, um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro.

Preso em 2018, acusado de fraudar uma licitação de 2007 e de integrar uma organização criminosa em 2016, Esperanzini viu sua vida virar de cabeça para baixo. A investigação, que resultou numa prisão abrupta, lhe imputou “responsabilidade objetiva” pelo cargo que exercia, ignorando sua ausência de envolvimento direto nos fatos.

Entenda o caso

Em 4 de julho de 2018, Esperanzini foi preso pela Polícia Federal, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de integrar uma organização criminosa e participar de fraudes no Pregão Eletrônico 148/07, que envolveu a aquisição de monitores fisiológicos pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), resultando em contratos superfaturados. A denúncia se baseava em depoimentos de delatores e e-mails internos da Philips, de 2007, época em que Daurio ainda trabalhava na empresa.

O MPF alegava que existia um “núcleo econômico” dentro da suposta organização criminosa, no qual executivos do setor de equipamentos médicos teriam combinado estratégias para fraudar licitações.

No entanto, a defesa de Esperanzini argumentou que os documentos não o vinculavam aos crimes, e o ex-executivo afirmou que sequer conhecia os envolvidos no processo. “Eu não conhecia os outros acusados, não conhecia ninguém do esquema. E, mesmo assim, fui preso, enquanto a GE, a empresa que representava, foi retirada do processo”, explicou.

“Eu tive muito pouco apoio, mas não posso me alongar porque o caso está sob segredo de justiça. O que posso dizer é que a pressão foi tão grande que a empresa, entre o seu executivo principal e seu próprio nome, preferiu se preservar e me descartou de forma medíocre, criminosa e covarde”, afirmou.

A morosidade do processo também foi um ponto crítico levantado por Esperanzini em entrevista à TV GGN. Após seis anos e meio com seus bens bloqueados, ele recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Gilmar Mendes concedeu habeas corpus e reconheceu, em dezembro de 2024, a inépcia da denúncia. “A acusação não descreve, de forma minimamente satisfatória, os elementos do tipo penal imputados ao paciente”, destacou Gilmar em sua decisão.

“Tomamos uma decisão com meus advogados de entrar com um mandado de segurança para levar o caso ao STF. E, de forma técnica e exemplar, o ministro relator Gilmar Mendes deu uma aula sobre o que não se deve fazer e o que se deve fazer”, afirmou o ex-CEO.

“Foi um período terrível, dormindo no chão”

Durante sua detenção, Esperanzini passou 10 dias na Polícia Federal e mais 30 dias na cadeia de Pinheiros, em São Paulo, em condições precárias, com mais de 15 pessoas em uma cela projetada para apenas cinco.

“Fiquei numa cela com mais de 15 pessoas onde só havia cinco camas. Dormi no chão praticamente todos os dias, em um ambiente extremamente hostil”, relatou.

Do trauma, um legado

Hoje, o ex-CEO se dedica à defesa de empresas nacionais, especialmente no setor médico, buscando fortalecer a indústria brasileira e ajudar outros executivos a se protegerem legalmente.

“Quero ajudar a educar outros executivos sobre como se proteger legalmente. O sistema de leniência não pode ser a única saída quando se é pressionado sem razão”, disse Esperanzini, defendendo a responsabilidade dos órgãos de investigação e a necessidade de uma abordagem mais justa no Judiciário e na imprensa.

“Quero que as pessoas entendam o que minha família e eu passamos. Não podemos permitir que isso aconteça com mais ninguém. Fui acusado sem qualquer base e, desde o primeiro momento, não tive nenhuma forma de me defender naquele ambiente hostil. É fundamental que haja uma transformação na forma como a imprensa trabalha, uma acusação infundada pode destruir a vida de uma pessoa”.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Marceloponto.J

    27 de março de 2025 4:46 pm

    Cara Carla não me é estranho assim como o meu cabelo é Castanho q esta declaração do entrevistado denunciando a armação causa muita indignação!!!Obs.Obg Ggn vcs estão dando muitas informações relevantes para a nossa sociedade !@@

  2. Anônimo

    3 de abril de 2025 2:03 pm

    Este senhor digno, sofreu , levando junto toda a família.tratado como gangster. Qual a reparação será praticada? Nenhuma. Fogem dele. Para isso, nada….se faz. Herói, vilão.

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