A ascensão da classe da rapina e seus estratagemas globais, por Saulo Barbosa

No Brasil, 50 empresas do agronegócio consomem metade da água doce, sem contar o quanto contaminam o restante.

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MANIPULAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA: A ASCENSÃO DA CLASSE DA RAPINA E SEUS ESTRATAGEMAS GLOBAIS

Por Saulo Barbosa Santiago dos Santos

O ano era 1916, uma guerra mundial em pleno andamento e os Estados Unidos não queriam se envolver. A sociedade estadunidense estava pacífica e não desejava participar de um conflito, principalmente quando este ocorre no outro lado do globo. Entretanto, em busca de reeleição, o presidente Woodrow Wilson queria pôr o país na guerra, mas o povo não estava inclinado a isso. Wilson, então, criou uma comissão de propaganda (Comissão Creel) para convencer a opinião pública da necessidade de os Estados Unidos participarem da guerra. O trabalho foi bem feito; em seis meses, os norte-americanos aclamavam a entrada do país na guerra, e a histeria bélica tomou conta do povo, que até então buscava a paz.

Através de mentiras e meias verdades, induziu as pessoas a odiar os alemães e os comunistas. Desta forma, os norte-americanos inauguraram a era da desinformação, manipulação da opinião pública e fabricação do consenso. Com o sucesso da Comissão Creel, manipular a opinião pública tornou-se uma ferramenta útil para que parte da sociedade consiga manter seus benefícios e poderes. Não será necessário o uso da força para concluir seus objetivos, bastando convencer a população sobre o que é bom e o que é ruim de acordo com a conveniência. Essa parte da sociedade chamarei pelo que o sociólogo Jessé de Souza entende como “Classe da Rapina” porque ela toma toda a riqueza do país para si, deixando migalhas como engodo.

A classe da rapina não faz nada além de lucrar. Em regra, são grandes empresários que pagam para que outros realizem o trabalho de convencimento. Geralmente, segundo Chomsky em seu livro “Mídia — Propaganda Política e Manipulação”, essas pessoas pagas “são as que analisam, executam, tomam decisões e administram as coisas nos sistemas políticos, econômico e ideológico”. E claro, tal estratégia de manipulação da opinião não ficou restrita aos Estados Unidos; pelo contrário, ganhou o mundo.

No Brasil, 50 empresas do agronegócio consomem metade da água doce, sem contar o quanto contaminam o restante. Entretanto, seria muito difícil esconder tal celeuma; qualquer povo se revoltaria com dados tão absurdos. Uma sociedade revoltada é um grande problema para a classe da rapina, então, desviam a atenção para outros temas como “O MST invade terras e toma sua casa”. Ninguém quer ter seu pedaço de terra, comprado com muito suor, dado gratuitamente para outros. Muito menos, dividir parte de sua casa com moradores de rua, caso ela tenha mais do que xm². O trabalho que políticos patrocinados pela classe da rapina fizeram foi tão grande que até uma CPI contra o MST (Movimento Sem Terra) foi feita; no final, poucos criticaram o agronegócio como o maior consumidor de água.

A classe da rapina também cria opiniões, quase sempre impopulares e contrárias aos trabalhadores. Mesmo assim, eles são apoiados. A questão é: Como um povo aceita de forma dócil ações maléficas por parte da classe rapina e ainda apoia? Por exemplo, em vez de ser vacinada contra um vírus bastante infeccioso e mortífero, uma pessoa prefere tomar antiparasitário. A resposta não é simples, mas em regra, amedrontar a sociedade para criar uma opinião é uma medida rápida para que ações impopulares sejam aceites. Um desses medos é o que chamamos de “Espantalho comunista”.

O espantalho, como bem sabemos, serve para espantar. O espantalho comunista segue a mesma ideia; cria-se um medo na população para fazê-la pensar que o comunismo está entrando no país. Uma vez que entra, seus cônjuges serão compartilhados com outros, perderão suas casas, carros e roupas para dividir com os mais necessitados. Logo, se não houver uma política contra a extrema esquerda, o Brasil será um país que perderá sua bandeira e seu modelo de sociedade. Não importa se o presidente corta verbas de apoio social, se está envolvido em esquemas de roubo de joias ou se apoia torturadores de ditaduras. Portanto, que deixe o comunismo longe; está tudo certo.

Se é a direita que defenderá o país contra a invasão do exército vermelho comunista, como eles lutarão? Através do exército militar como a mão armada. No Brasil foi assim em 1889, 1964 e quase no fatídico 08/01/2023. É necessário incutir na sociedade o “valor marcial”, que é um termo utilizado para se referir às virtudes associadas à guerra e à violência, como coragem, força, determinação e lealdade. Uma vez criado um espantalho para amedrontar a sociedade, basta usar as virtudes marciais como ferramenta, todas as vezes que segmentos da sociedades se revoltam contra políticas impopulares, o poder militar é acionado com apoio. Se as forças militares nada fizerem, pensa-se que o comunismo tomará conta do país.

Conclui-se que os Estados Unidos inaugurou um modelo de manipular a sociedade, ao invés da violência, a criação e controle da opinião se tornou um meio viável para atingir os objetivos da Classe da Rapina, isto é, garantir os privilégios e poderes sobre os trabalhadores. No Brasil, tais técnicas foram usadas contra o Movimento Sem Terra e os sindicatos dos trabalhadores. Incutiram na sociedade o “espantalho do comunismo” afirmando que os comunista do MST e dos sindicatos usurpariam para entregá-los a outros.

A criação de um ambiente propício para a aceitação de medidas impopulares, muitas vezes contrárias aos interesses da maioria, é o resultado dessa manipulação persistente. A compreensão desse mecanismo é crucial para que a sociedade possa discernir entre a verdade e a desinformação, assim, consiga se proteger contra a classe da rapina que tanto destrói o país e o seu povo já sofrido.


Saulo Barbosa Santiago dos Santos – Filósofo, Guarda Civil e Autista

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