16 de junho de 2026

BR-319 entre o discurso ambiental e a decisão política, por Augusto Rocha

Ao que tudo indica, parece que a lei parou de ser um impeditivo. O orçamento apareceu. O meio ambiente parece ser prioridade.
BR-319 - Foto de Orlando K. Junior - Divulgação

A obra de recuperação da BR-319 dependeu de decisões políticas, não apenas técnicas ou orçamentárias.
Mudanças no marco legal e união política regional abriram caminho para a retomada da obra na Amazônia.
Agora é preciso garantir diálogo local e proteções ambientais para concluir a rodovia com sustentabilidade.

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BR-319 entre o discurso ambiental e a decisão política

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

Finalmente vai sair a obra de recuperação da BR-319? É difícil acreditar. Entretanto, sempre esteve muito claro que não era um problema técnico, jurídico ou orçamentário. Sempre se tratou de uma questão política e executiva. Querendo fazer, a obra sairia. A questão é que a costura política não era nada trivial.

Ora existia falta de dinheiro, porque o dinheiro iria para as regiões mais ricas do país e com isso surgiam as desculpas. Em outro momento, a política era mais ambientalista e assim, com projetos descuidados com o meio ambiente, levava-se o assunto para o judiciário facilmente interromper as obras. E os políticos fugiam da política, colocando a culpa na justiça. Em outros momentos, predominava a pouca preocupação ambiental, mas, neste caso, não se tinha a intenção de alocar investimentos na Amazônia. Assim, mais uma vez, o problema era do judiciário, para paralisar as ações, por falta de orçamento ou de projetos apropriados.

O efeito era sempre o mesmo: nada fazer. Isso sem falar nos embates políticos regionais. Factualmente, não era uma preocupação ambiental, social ou econômica. A dinâmica era uma política amazônica enfraquecida, de proteção pela inação e do uso do judiciário para interromper as forças políticas contrárias, com foco no descuido ambiental ou no descuido econômico. Era o predomínio ao desprezo da Amazônia e do interesse de suas populações.

 Foi necessário mudar o marco legal ambiental, trocando as leis de regulagem que influenciam esta obra, neutralizando os descuidos de projetos de engenharia e a força da política ambiental. Foi necessário unir as forças políticas regionais, para decidir fazer a obra, pois, no passado, havia divergência nas lideranças, onde uns queriam, outros não aceitavam. Adicione-se a isso uma liderança nacional defendendo a Amazônia, por mais que para alguns ambientalistas isso pareça um contrassenso.

Ao que tudo indica, parece que a lei parou de ser um impeditivo. O orçamento apareceu. O meio ambiente parece ser prioridade. O social parou de ser desprezado. Com estas quatro questões, a rodovia certamente será recuperada. A política lidera o tripé da sustentabilidade. Sem esta concertação, não haveria como a obra acontecer. Será que finalmente o asfaltamento do trecho do meio da BR-319 acontecerá? Em minha opinião – e posso mudar de ideia no futuro – finalmente, chegou o momento. A obra sairá. Quando uma cerimônia política firmar esta ordem de serviço, como decisão executiva federal, conjugada com o compromisso do Amazonas e de Rondônia: a obra começará a ser feita.

Passaremos então para a outra fase: assegurar a sua conclusão e defender as salvaguardas ambientais. Está na hora de começar os diálogos com todos os municípios de seu entorno. Está na hora de começar a construção das proteções ambientais e sociais para garantir o êxito econômico e proteger a floresta. Está na hora do diálogo de quem quer fazer, mas respeita a economia, o ambiente e as pessoas. Precisamos seguir a construção republicana. Enquanto este equilíbrio estiver de pé, teremos tido sucesso. Fora dele, não há o que celebrar. É preciso fazer a rodovia, para as sociedades, atendendo ao requisito econômico e com respeito ao meio ambiente.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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  1. octavio

    14 de abril de 2026 8:02 am

    O identitarismo enlouqueceu a esquerda. O Lula teve apenas 2 milhões de votos a mais que o Bolsonaro. Os estados amazônicos têm 30 milhões de pessoas vivendo sem asfalto, sem ferrovia e sem hidrovia, sem contar a falta de tratamento de água e esgoto.
    O Lula provavelmente perderá esta eleição por culpa do identitarismo. Até eu, que sou de esquerda e votei nele, estou procurando outro candidato. Talvez o Caiado? Este sim parece que levaria infraestrutura para o povo dos estados amazônicos. Sou de Minas, nunca fui e nunca vou à Amazônia, mas, mesmo assim, prefiro ver a rodovia e o progresso chegarem lá.
    Se não for com o Lula, que seja com o Caiado. O progresso vai chegar. Achei que, com a vitória do Lula, a infraestrutura seria feita de uma forma que prejudicasse menos a floresta, mas os identitários aproveitaram isso para paralisar o Brasil em quatro anos. Mas agora nos próximos quatro anos, talvez o Caiado faça? Ou talvez o Flávio [Bolsonaro]? Boa sorte ao Flávio na presidência do Brasil e ao Trump nos EUA; talvez tragam o progresso, já que vocês, identitários, só bloqueiam e atrasam o país.

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