do Observatório do Terceiro Setor
por Márcia Moussallem
Não gosto muito de usar a expressão “fundo do poço”. Mas, infelizmente, essa é a conjuntura que estamos atravessando desde as eleições de 2014, quando a direita questionou o resultado e em seguida tivemos o golpe parlamentar de Dilma. E não parou por aí: as prisões e escândalos cinematográficos, a criminalização do PT, a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e, por fim, a eleição e vitória de Jair Bolsonaro.
É bom lembrar que todos esses acontecimentos tiveram a participação de atores centrais: a grande mídia tradicional e os poderes institucionais.
Nesse cenário de guerra e pesadelo caminhamos perplexos assistindo o ataque e criminalização do PT e dos movimentos sociais, bem como as “ fake news” absurdas sobre temas que envolvem a sociedade: religião, violência, machismo, sexualidade, feminismo, ideologia, entre outros.
O que chamo de “fundo do poço” é traduzido sem exagero, o que jamais foi presenciado na história do Brasil. A arena pública é utilizada como território do “vale tudo” para enganar uma parte da população brasileira, que lamentavelmente encontra-se em um estado de alto grau de desinformação, ausência de conhecimento e criticidade frente à realidade politica, econômica e social do Brasil.
Nesse “poço tropical” está a fome alarmante, a miséria, a violência, o racismo, a misoginia, a homofobia, a ignorância, o fanatismo…
E agora? Vamos conseguir sair desse poço que cheira a pólvora?
É urgente lutarmos e voltarmos a acreditar que outro projeto de sociedade é possível. É chegada a hora de defendermos a nossa frágil democracia e os diretos de cidadania.
A nossa utopia não foi destruída e jamais será, apesar dos duros golpes. Ela está e sempre estará olhando para um horizonte de luz onde brilham todas as cores dos direitos humanos.
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