Ainda sobre os dilemas das lutas por Diretas e pelo Anula…, por Franklin Jr

Ainda sobre os dilemas das lutas por Diretas e pelo Anula…

por Franklin Jr

Ainda sobre os dilemas das lutas por Diretas Já e pela Anulação do Impeachment fraudulento, a minha posição hoje é seguir apoiando a anulação (independentemente de se lideranças da esquerda apoiem ou não; independentemente de se a própria presidenta legítima, Dilma Rousseff, apoie tácita ou explicitamente, ou não; independentemente de se configurar uma improbabilidade de vitória do ponto de vista da ‘realpolitik’; apoio porque é uma luta absolutamente correta), e observar mais e tentar melhor compreender o movimento por eleições antecipadas, inclusive se se trata de eleições apenas para presidente ou se seriam eleições gerais.

Ontem (19/05), a presidenta Dilma declarou que “a única saída para a crise são eleições diretas, já!”. Ao invés de ter dito que eleições diretas (só pra presidente ou gerais?) são “a única saída” para a crise, ela poderia ter dito que é uma das saídas. Não achei muito feliz esta afirmação dela, pois negliencia outra saída, que a meu ver é a mais decente e legítima, que é a própria anulação do impeachment fraudulento, inconstitucional e, por todos agora sabidamente, criminoso. Há um movimento organizado pela anulação do impeachment, acho que ela e outras lideranças democráticas deveriam ser mais cuidadosos com o que dizem. 

Há muitos fatores bastante complexos neste jogo bruto que ainda não estão devidamente expostos. Acho importante cultivarmos uma paciência estratégica para não nos confrontarmos além da conta e nos enveredarmos num divórcio litigioso e insolúvel com quem é potencialmente aliado da democracia, ou ao menos não é inimigo.

Sobre as diretas já, creio que existam sim aproveitadores no meio da história, que como disse o Ricardo Venturini, “acreditam (desde a consumação do impeachment fraudulento) que jogando a Dilma no esquecimento e eventualmente descartando o próprio Lula, conseguirão realizar seu projeto de poder”. Mas também há pessoas sérias e que são o oposto disso, como se expressaram comigo em privado:

uma amiga: “Tá bem difícil mesmo, concordo absolutamente com a tese da necessidade da anulação do golpe, por ter sido inconstitucional, mas na prática não vejo horizonte para isso (…) e me parece de fato que é mais urgente nos unirmos em torno de uma estratégia coletiva de enfrentamento da direita do que sairmos atirando pra diferentes lados”;

e um amigo: “Do ponto de vista jurídico-formal, o retorno dela seria a consequência natural, porém não tem viabilidade. Vamos clarificar nossa agenda e organizar nosso povo porque a Globo já declarou guerra: quer eleição indireta + a continuidade das reformas. Guerra à Globo pelas diretas já e fim das reformas!!”.

Há inclusive juristas que interpretam que a atual lei eleitoral possibilita a realização de diretas sem precisar de emenda à Constituição (mas diretas só pra presidente?).

Prezo pela diversidade de ideias e pela unidade de ação, especialmente quando questões preciosas estão em jogo, sabendo que qualquer escolha envolve riscos. Riscos existem para qualquer lado. Aqui lembro de dois gurus, o Guimarães Rosa, no Grande Sertão: Veredas, “viver é muito perigoso”; e o Boaventura de Sousa Santos: “Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades”.

Ainda que vingue a antecipação de eleições diretas, não podemos nos conformar com gambiarras para resolver de maneira definitiva questões estruturais do sistema democrático. Num jogo totalmente perverso, subvertê-lo pode ser um ponto de partida, mas não de chegada. Mesmo que seja concomitantemente, defendo, por isso, que não se pode jogar a toalha em relação à luta pela anulação, é preciso esgotá-la.

Leia também: QUAL É A MELHOR SAÍDA PARA A TRAVESSIA DO JOGO BRUTO?

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

9 comentários

  1. Anulação do impeachment pelo STF
    Embora lideranças partidárias defendam a tese das “diretas já”, que só seria possível com aprovação de uma emenda constitucional, e seus militantes trabalhem na defesa desta campanha, ela não conta com grande aprovação da esquerda em geral. Cientistas políticos julgam que um ano e meio que faltam seriam críticos para quem assumir e isso poderia inviabilizar a eleição desse candidato em 2018. Um grande contingente defende a anulação do impeachment pelo STF, recurso que se encontra lá, esquecido também pela situação e oposição. A volta de Dilma ao governo seria o restabelecimento do sistema democrático com a devolução da presidência à candidata eleita por 54,5 milhões de votos e destituída sem crime. Quanto à posição da Presidenta Dilma em relação a essa questão, é preciso lembrar que ela, sem apoio interno, não tem outra opção a não ser defender a orientação da direção partidária.

  2. Anulação do impeachment pelo STF
    Embora lideranças partidárias defendam a tese das “diretas já”, que só seria possível com aprovação de uma emenda constitucional, e seus militantes trabalhem na defesa desta campanha, ela não conta com grande aprovação da esquerda em geral. Cientistas políticos julgam que um ano e meio que faltam seriam críticos para quem assumir e isso poderia inviabilizar a eleição desse candidato em 2018. Um grande contingente defende a anulação do impeachment pelo STF, recurso que se encontra lá, esquecido também pela situação e oposição. A volta de Dilma ao governo seria o restabelecimento do sistema democrático com a devolução da presidência à candidata eleita por 54,5 milhões de votos e destituída sem crime. Quanto à posição da Presidenta Dilma em relação a essa questão, é preciso lembrar que ela, sem apoio interno, não tem outra opção a não ser defender a orientação da direção partidária.

    • Torturar Dilma mais uma vez?

      Ana, 

      Revindicar o apego a uma ordem constitucional estuprada não ajudará a recomposição da realidade.

      É hora de zerar o jogo, e começar TUDO, eu digo TUDO de novo, incluindo aí a própria Carta Magna, o judiciário e o mp…

      Tentar criar remendos a uma ordem constitucional puída e reduzida a frangalhos é um acinte…

      Do nada, nada vem, logo, se o que temos é nulo, nada temos senão o recomeço…

      Um golpe não pode suscitar medidas que consertem os estragos causados por ele…

      Como Dilma governaria com esse congresso que a cassou ilegalmente, e como se comportaria frente a um judiciário corrompido e comprometido com o golpe?

      Como exigir dela mais esse passeio pelos porões de outra ditadura?

      Não há acerto ou um “desculpa Dilma foi mal aí”…

       

      Se queremos reparar algo, eleições diretas e com Dilma candidata pelo PT…Sua reparação é pelas urnas…Não pelo cinismo de dizermos que tudo a que ela foi submetida pode ser apagado…

       

      Vamos parar, pela amor de deus, de tentarmos subliminar mais esse conflito, com um acordão por cima!!!!!!

      Chega de síndrome de Estocolmo minha gente!

       

  3. Volta da Dilma e um pedido de desculpas do stf

    É fácil resolver a questão.

    Só é complicado por que querem.

    Volta a Dilma, dona de um mandato avalizado por 54 milhões de votos; o stf pede desculpas e promete se ater a constituição; e aguardamos até 2018.

    Falta o que? Quqlquer outro caminho é muitissimo mais complicado.

     

     

  4. A Dilma não alargou as saídas

    A Dilma não alargou as saídas porque ela mesma já não quer voltar ao poder. Estava de saco (?) cheio com o exercício do cargo e deve estar se sentindo aliviada, até hoje e para sempre, ter ocorrido o ‘impiche’. 

    Quanto a ‘diretas’ já é complicado porque não acontecerá ‘já’. Serão intermináveis meses de crise política com Temer ou com o estrupício daquele um, ou daquele outro ou, ainda, com a mosca morta. Essas discussões se alongarão até mesmo para após o período eleitoral de 2018. Se houver, aí embola  tudo.

    O mais racional seria eleições indiretas (detesto ser a favor disso. Mas fazer o quê?) com um candidato responsável, competente, comprometido com o cidadão brasileiro (é quase impossível os políticos elegerem um um candidato com esse perfil. Vão querer nos empurrar o Meireles) que cumprisse um mandato tampão com um único objetivo que seria acalmar e serenar os ânimos já agora sem a presença de mimados que propõe um processo no tse somente para “encher o saco” do partido adversário e vencedor.

    • Dilma não quer?

      Se a Dilma não quisesse reparação pelo erro que foi o impeachment que sofreu, não teria entrado com mandado de segurança. O correto, constitucionalmente falando, é o julgamento do mérito do impeachment fraudulento pelo STF e sua imediata anulação. Se Dilma fala em diretas é porque segue recomendação da cúpula do partido.

      #STFAnuleOGolpe!!   #VOLTADILMA!!!!

       

  5. Anulação da anulação, ou o fractal das condicionantes…

    Se, como alguém já disse, não existe na História…se Dilma não fosse impedida, se o golpe não fosse dado, se o juiz fosse imparcial, se a CRFB ainda valesse algo, se, se, se…

    É mais ou menos onde se situa esse bom texto do Franklin Jr…

    Não há como situar o nosso problema como um assunto de cunho jurídico, onde a mera revisão dos atos da judicância, nesse caso a ratificação do processo de golpe, apelidado de impedimento…

    Carece de legitimidade o stf para revisar aquilo que nunca poderia ter permitido, seja por força dos fatos (provas e crimes inexistentes), seja pela conjuntura nos quais se inseriam, onde cabia a uma corte de resguardo da Constituição agir para que medidas meramente formais (jurídicas e parlamentares) suplantassem as previsões e princípios contidos no texto a ser protegido (A CRFB)…

    Como colocar o gênio de volta na garrafa? Impossível…

    O conjunto de resultados advindos da ruptura da ordem constitucional que se deu com o golpe de Dilma não podem ser reparadas sem a completa ruptura dos tecidos esfarrapados que ainda são chamados de estamento juridico…

    Eleições diretas e gerais (e aí sim, se politicamente desejam alguma reparação, deve ser Dilma e não Lula a candidata), com dissolução do congresso, convocação de assembleia constituinte e dissolução das cortes superiores e da PGR, comprovadamente comprometidas e contaminadas com a partidarização criminosa que tomou de assalto o país…

     

    E não me refiro só ao golpe em si, mas a tudo que o cerca, como extorsões chamadas de delações, prisões “preventivas” que nada mais são que penas antecipadas, vazamentos tão ilegais quanto seletivos, juízes promiscuindo-se com réus (não é gilmar?), juízes, promotores e delegados alimentados pela vaidade midiática e pela partidarização, enfim, ao fim do Estado de Direito…

     

    Não, Franklin Jr, não dá para colocar a rolha de volta na garrada de espumante… 

    Ou é tudo, ou nada…

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome