13 de junho de 2026

Brasília, 11 de setembro de 2025, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Bolsonaro foi derrotado e agora o momento não é de descansar, mas de apertar a fivela do capacete e afiar ainda mais a espada (Sun Tzu).
Kobra

Brasília, 11 de setembro de 2025

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por Fábio de Oliveira Ribeiro

Em Pindorama, todas as principais tendências artísticas, políticas e econômicas sempre chegaram com atraso e permaneceram por mais tempo do que no primeiro mundo.

O barroco floresceu em nosso país com o Aleijadinho, época em que já havia deixado de ser moda na Europa. A escravidão foi abolida no Brasil décadas depois de ter terminado em outros países. O Realismo literário surgiu na Europa quando o Romantismo ganhava força no Brasil. O ciclo industrial brasileiro somente começou realmente nos anos 1930 com Getúlio Vargas, um século depois da Europa e dos EUA estarem industrializados.

Entre nós, o neoliberalismo chegou ao centro do poder com a posse de FHC em 1995, ou seja, 15 anos depois e estar enraizado nos EUA e na Inglaterra. A crise financeira do subprime de 2008 não afetou o Brasil imediatamente, mas nossa economia começou a desacelerar exatamente quando a economia dos EUA crescia 2,5% ao ano.

Nosso país sempre correu atrás das miragens construídas no primeiro mundo. Mas felizmente essa tendência começou a deixar de ser realidade quando o PT chegou no poder. Ao frear as reformas neoliberais, nosso país preservou suas estruturas de poder contornando a crise de desespero político generalizada aprofundada pelo empobrecimento que levou à desdemocratização dos EUA e da Europa. Em 11 de setembro de 2025, após muita expectativa, o STF finalmente deu um exemplo de aplicação da Lei de defesa da democracia. O precedente criado no caso Jair Bolsonaro será eventualmente replicado em outros países (digo isso pensando especificamente no caso de Marine Le Pen, que será julgada em breve na França).

Nos EUA governado por Donald Trump, o fascismo elevado à condição de única opção macroeconômica e rapidamente se tornou a principal técnica de governança legitimada pela Suprema Corte. Na Europa, ele garante os lucros dos fabricantes de armamentos e representa uma ameaça política crescente devido ao medo da Rússia artificialmente inflado pela imprensa. Mas no Brasil, o fascismo é uma “questão de polícia”, um fenômeno marginal que perdeu força e pode ser reprimido com tranquilidade e o devido rigor pelo STF.

O Brasil está no topo do mundo, tendo se transformado num exemplo bem-sucedido de preservação das instituições democráticas num período de fascistização no primeiro mundo. A principal vantagem do Brasil nesse momento não é fazer parte dos BRICS, mas é rejeitar a governança autocrática que existe tanto na China/Rússia quanto nos EUA e em alguns países da Europa. Essa vantagem, entretanto, não vai se transformar em ganhos econômicos imediados para a população em geral. Há muito a ser feito, a reversão de algumas privatizações será indispensável (especialmente no Estado de São Paulo. Minas Gerais e Rio Grande do Sul).

A disputa presidencial será dura, mas nenhum derrotado poderá questionar a legitimidade do TSE. Quem fizer isso corre o risco de cair no mar de lama em que afundaram os bolsonaristas, correndo o risco de sofrer as mesmas sanções caso flerte com o golpismo. Quem ganhar a próxima eleição será empossado.

O maior perigo que o Brasil corre agora, suponho, não é uma vitória da direita na próxima eleição. Isso pode acontecer em qualquer país democrático e quem perder terá que resistir aos arroubos autoritários dentro da legalidade. Todavia, o próximo presidente terá a oportunidade de nomear 3 ministros do STF. Sendo assim, se o vitorioso na próxima eleição for um lunático bolsonarista ele poderá construir uma nova maioria na Suprema Corte para esvazia a CF/88 até destruir o sistema democrático brasileiro.

Assim como os inimigos da democracia não dormem, os defensores dela não podem cochilar. Bolsonaro foi derrotado e agora o momento não é de descansar, mas de apertar a fivela do capacete e afiar ainda mais a espada (Sun Tzu). Não convém acreditar demais na generosidade da deusa Fortuna, sendo indispensável redobrar os esforços diante das adversidades (Julio César). Talvez seja necessário iniciar uma campanha para convencer os 3 ministros do STF em questão na fila da aposentadoria a abreviar suas carreiras. Assim, o governo Lula teria tempo de recompor o Suprema Corte e o sistema constitucional brasileiro ficaria blindado em caso de vitória eleitoral de um candidato que odeia a democracia e ama a ditadura militar de 1964/1985.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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