11 de junho de 2026

Sem Ordem há Progresso ou Estado?, por José Manoel Ferreira Gonçalves

O que se viu no fatídico domingo, me refiro objetivamente a parte visível, era sim da turbamulta em histeria coletiva, mas nada daquilo foi espontâneo.
Reprodução redes

Sem Ordem há Progresso ou Estado?

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por José Manoel Ferreira Gonçalves

Lamentável a sorte de uma nação em que uma minoria odiosa e barulhenta consegue enfrentar a mão armada (malandramente enfraquecida) do Estado. Basta de hipocrisia, Ibaneis precisa ter prisão decretada com urgência, e é necessário que Lula suba o tom com os militares, que vêm mantendo a nação sob ameaça desde o golpe de 2016, no qual foram parte grande.

Na tarde de 8 de janeiro o Brasil foi escandalizado por imagens absurdas: uma turbamulta ensandecida, focada em uma destruição catártica, há muito acalentada e enfim realizada com arroubo triunfal, vilipendiava simultaneamente as sedes dos três poderes da República.

Claro está que aquele evento não fora fruto de uma simples revolta que evoluiu para o incoercível. Ao contrário, tratou-se de algo orquestrado, financiado e regido à sorrelfa pela nossa elite do atraso, escravista e cruel.

Compõe a mitologia nórdica o mito de Fafner, o gigante que, por meios condenáveis, obteve a maior fortuna em ouro jamais reunida e que, uma vez de posse dela, por medo de ser roubado, foi para o meio da selva e se sentou em cima de seu tesouro.

Como sabemos, os deuses são construídos à imagem e semelhança humana.

Essa nossa desairosa elite do atraso, qual Fafner, é capaz dos mais estúpidos artifícios para manter o quinhão que herdou de pilhadores, ancestrais seus, ou para manter o produto da própria pilhagem que pratica.

Para essa gente, ouvir de governantes que negros existem e são valorosos, que gays, lésbicas, não-binários e assexuados existem e são valorosos é algo que os excita, e os faz reagir.

Ouvir que o equilíbrio social é tão importante quanto o equilíbrio fiscal é algo que os ameaça. Afinal, essa gente conhece a filantropia, a caridade, a beneficência – em que renunciam a migalhas em troca de honra -, mas quando ouvem falar em distribuição de renda sentem lhes faltar o ar.

O que se viu no fatídico domingo, me refiro objetivamente a parte visível, era sim da turbamulta em histeria coletiva, mas quem vê cara não vê coração, nada daquilo foi espontâneo. Havia sim uma grande energia negativa naqueles seres, e ela foi detectada, canalizada e usada a favor de interesses, e as pessoas que víamos só puderam ter seu momento catártico por terem sido usadas.

O reacionarismo é uma potente ferramenta sempre à mão dessa elite, mas quando ele se mostra insuficiente, o fascismo sempre estará à mão e ela não terá qualquer pejo de valer-se dele em nome de Deus, pátria e família. Sequer há qualquer novidade nisso.

Em determinado momento da ação, tudo pareceu estar por um triz, sim, mas a democracia brasileira mostrou capacidade reativa. Uma unidade federativa sofreu intervenção, um governador foi afastado, pelo menos mil e quinhentas pessoas foram detidas.

Por mais indelével que seja a imagem de destruição dos maiores símbolos do país por autoproclamados patriotas, essa batalha está sendo vencida pela parte mais sana e democraticamente constituída. A guerra, porém, continua.

José Manoel Ferreira Gonçalves é engenheiro com pós-doutorado em Sustentabilidade e Transportes pela Universidade de Lisboa. É jornalista, escritor e advogado. Presidente da FerroFrente, Frente Nacional pela Volta das Ferrovias e da Aguaviva, Associação Guarujá Viva.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. José Carvalho

    10 de janeiro de 2023 2:10 pm

    Esses atos que foram praticados são a negação de tudo o que representa o Estado de Direito e suas Instituições,distribuídas nas três divisões de Poder. O clamor por parte dos que desejaram uma intervenção militar e enxergam nas instâncias máximas desses Poderes Republicanos, a ausência de defesa de seus interesses para o benefício de partes privilegiadas da sociedade brasileira e que, portanto não vêem utilidade na manutenção do Congresso Nacional e do STF. O fracasso na consolidação de um Estado de Direito que abrangesse a inclusão de todos com o desenvolvimento do País, traz um acumulado de frustrações individuais e coletivas. Essa insatisfatória democracia que não inclui, que faz continuadas promessas jamais cumpridas produz um sentimento de repúdio às Instituições que representam mais diretamente o ofertamento dos direitos e da garantia de Justiça. Um descrédito nessas Instituições que são vistas e entendidas como algo que atrapalha o País, servindo apenas interesses que não são o interesse de quem trabalha, mas somente a serviço de alguns interesses. A liberação de uma raiva represada ao danificarem os patrimônios públicos que são pagos pelos impostos é um sintoma preocupante de um País em que a política não consegue convencer da capacidade de transformação de uma sociedade que só fabrica pobres, empobrecidos e miseráveis.

Recomendados para você

Recomendados