Um governo de transição num contexto global de luta ideológica
por Francisco Celso Calmon
O voto não tem atestado de ideologia, mas as alianças têm.
Enquanto o presidente Lula na COP27 recupera a luz do Brasil, e entabula possíveis acordos e negócios favoráveis ao país, a mídia, mantida pelo capital financeiro, e quintas-colunas da ampla aliança, saem rosetando os interesses sociais do povo.
A tropa de choque do capital mostra as suas garras com luvas de MMA e esporas afiadas de ouro.
Os que ao final dos 45 minutos do segundo turno apoiaram a chapa Lula/Alkmin, sem efeito eleitoral, são os mesmos que antes da nova partida começar já estão apitando faltas.
O jornal Folha de SP pregou que o furo no teto de gastos tornará “difícil para Lula concluir seu mandato”.
Indaga-se: é aviso prévio de novo golpe? Esta frase lembra a do Aécio Neves, após ser derrotado por Dilma Rousseff.
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Um governante só não termina um mandato por morte, incapacidade física comprometedora, renúncia ou por impeachment, qual desses eventos trágicos está prevendo, desejando ou pregando o jornal?
O mercado financeiro está se tornando ridículo, ele prejudica aos seus próprios ativos, para mostrar inconformismo com as futuras e prováveis medidas do próximo governo.
É semelhante aos que foram trancar as rodovias, com o conluio de parte da PRF, por inconformismo com o resultado eleitoral, e acabaram por prejudicar o próprio trabalho e a economia.
Em carta ao presidente Lula, Armínio Fraga, Pedro Malan e Edmar Bacha, atacam a posição do presidente eleito de priorizar os gastos sociais e, se necessário, limitar os pagamentos dos juros. Pois, fora isso, o Lula não disse que seu governo cometeria irresponsabilidade fiscal, ademais, ele não precisa afirmar a toda hora isso, porque a história do seu governo de oito anos fala por si mesmo.
“É preciso entender que os juros, o dólar e a Bolsa são o produto das ações de todos na economia”, afirmam na carta.
Ocorre que não é verdade, é um sofisma. Quem tem o poder de elevar o dólar e produzir volatilidade irracional, do sobe e desce da Bolsa, são os especuladores, os rentistas que querem continuar a encher as burras sem gerar riqueza. Os pequenos e médios investidores não têm poder para isso.
Como eu disse no artigo anterior, o capital financeiro age como o zagão na sociedade das abelhas, nem é operário e nem guerreiro, não trabalha e nem luta, sua função é phoder as rainhas.
Analogamente é o que faz o capital financeiro com seus juros elevados, impede o consumo e o investimento, prejudica o comércio, a indústria e a agricultura, enfim, toda a economia e phode com o povo.
O único segmento que nunca perde é o financeiro, por que será? É passado da hora de colocar freio no apetite desvairado desse zangão.
Por fim, cabe saber: esses signatários da carta têm algum poder emanado da soberania popular? Obviamente que não. São operadores do capital financeiro e ideólogos operacionais do neoliberalismo. E por que a mídia corporativa dá tanto espaço a esses pretensos iluminados? Serão eles os mosqueteiros do onipotente deus-mercado?
Essa contradição é a manifestação ideológica da luta dos interesses de classes.
Não é uma aparente refrega metodológica de política econômica, é mais que isso: é a velha e estrutural contradição entre capital e trabalho.
Por isso, não se restringe a Lula, à presidenta do PT, Gleisi, e alguns outros, a defesa dos interesses sociais como prioritária, pois deve ser de todos os trabalhadores.
Os movimentos sociais e sindicais, do campo e da cidade, já deveriam estar à frente nessa batalha estratégica de acabar com o teto dos gastos (criado no governo golpista do Temer) e com o orçamento secreto (criado no governo protofascista do genocida-canibal-pedófilo).
Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça
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