
Jornal GGN – O PT está envelhecendo mais rápido do que os outros partidos. De 2011 a 2015, a proporção de jovens entre 16 e 34 anos na sigla caiu de 25,7% do total para 19,2%. Foi a maior redução entre as cinco siglas com mais filiados, entre elas PMDB, PP, PSDB e PDT. Os dados são da Justiça Eleitoral.
Apesar de mais acentuada, a queda no número de jovens não é exclusividade do Partido dos Trabalhadores. A proporção entre jovens em relação ao total de filiados caiu em 27 dos 34 partidos brasileiros.
Em números absolutos, os jovens petistas foram de cerca de 390 mil em outubro de 2011 para 305 mil em outubro deste ano.
Da Folha de S. Paulo
Em 4 anos, proporção de jovens no PT cai mais do que em outras siglas
Por Bruno Fávero
Ligado desde sua fundação a movimentos estudantis e da juventude, o PT está envelhecendo. E mais rápido que a maioria dos outros partidos. Desde 2011, a proporção de jovens (16 a 34 anos) na sigla caiu de 25,7% do total da militância para 19,2%. Foi a maior redução entre as cinco siglas com mais filiados (as outras quatro são PMDB, PP, PSDB e PDT), segundo dados da Justiça Eleitoral.
O envelhecimento reflete uma tendência da política brasileira. No mesmo período, a proporção de jovens em relação ao total de filiados caiu em 27 dos 34 partidos brasileiros. E o número absoluto de filiados nessa faixa etária decresceu em 23 deles.
A queda no partido governista, porém, é mais acentuada. Em números absolutos, os jovens petistas foram de cerca de 390 mil em outubro de 2011 para 305 mil em outubro deste ano. A redução, de 21,7%, está acima da média dos partidos (15,4%) e é a segunda maior entre as cinco maiores legendas, atrás apenas do PP (24,2%).
“Antes, a motivação para se filiar ao PT era um ato de rebeldia. Agora, passa por uma expectativa de carreira, de obter um cargo. Essa tendência, que é algo visto em todos partidos sociais democratas que chegam ao poder: atrai um número restrito de pessoas porque fica limitado à capacidade de oferecer cargos”, afirma o historiador Lincoln Secco, vinculado à USP, autor de “A História do PT” (Atêlie Editorial, 2011) e ex-militante da sigla.
A história da relação da advogada Isadora Penna, 24 anos, com a sigla é um exemplo do que Secco afirma.
Ela diz que atuou pela reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e pensou “muitas e muitas vezes” em se filiar ao PT. Mas mudou de ideia após frequentar as reuniões de campanha.
“Me desanimei ao ver que o partido existia para ganhar as eleições. No pós-campanha não havia nenhuma ideia de seguir atuante com movimento de juventude ou popular”, disse. “E mesmo a juventude que ainda estava lá pensava muito nos cargos que teriam quando assumissem.”
Quatro anos depois, filiou-se ao PSOL, sigla pela qual concorreu a deputada federal em 2014. O partido, fundado em 2005 por dissidências petistas, é o que tem maior proporção de jovens, 40,3%.
TECLA F5
“A juventude não se organiza mais nos partidos, tende a ir para movimentos autonomistas em torno de pautas específicas. O MPL [Movimento Passe Livre, que liderou os protestos de 2013 contra o reajuste no transporte] foi uma evidência disso, assim como as ocupações de escolas”, afirma Secco.
O próprio PT dá sinais de que enxerga o problema. Em 2011, o partido criou uma regra interna segundo a qual ao menos 20% dos dirigentes do partido têm que ter até 29 anos. Também deu mais autonomia à JPT (Juventude do Partido dos Trabalhadores).
“O PT envelheceu, precisa renovar suas ideias, apresentar candidaturas jovens e candidatos que defendam as pautas da juventude”, diz Jefferson Lima, secretário nacional da JPT. “Precisamos dar um F5 [tecla do computador que atualiza a página do navegador] tanto no partido quanto no governo que estamos há 13 anos”, resume.
O estudante de direito Alexandre Pupo, 22, é um caso cada vez mais raro de jovem recém-filiado ao PT. Ele afirma que a sigla cometeu erros e tem contradições importantes. “O governo e a elite do PT se escondem atrás de um discurso de governabilidade que se mostrou falido.” Mas sustenta que ainda é o melhor partido para quem quer promover mudanças.
O engenheiro Gabriel Freitas, 27, do diretório de Perus, zona norte de São Paulo, concorda: “Às vezes nós, jovens, discordamos dos métodos do partido, que podem ser muito pragmáticos.”
Esse tipo de crítica é uma das mais comuns na juventude petista. Em novembro, milhares de militantes de todo o país se reuniram em Brasília para o Congresso da JPT.
Nos documentos produzidos no evento, os pedidos mais repetidos eram por mudanças na política econômica do governo e pelo retorno do PT “às origens”.
“Precisamos voltar a dialogar com as nossas bases e com os movimentos sociais”, afirma a estudante de Ciências Sociais da USP Luna Zarattini, 22, sobrinha do deputado petista Carlos Zarattini.
Denise Coutinho, 27, moradora do Jaçanã, São Paulo, e militante do PT desde os 14 anos, diz que não acha os jovens de hoje despolitizados.
“Pelo menos não vejo ninguém da minha quebrada indo para a Paulista de camiseta do Brasil”, diz, ironizando o “uniforme” dos que foram à avenida pedir impeachment da presidente Dilma Rousseff.
João d'CUia
25 de dezembro de 2015 5:23 pmnormal. O exercício do poder
normal. O exercício do poder exige que o partido fique mais experiente e não perca tempo com amadores.
altamiro souza
25 de dezembro de 2015 7:16 pma reportagem começa
a reportagem começa acentuando a queda no número
de militantes da juventude, mas no corpo da reportagem
não resistiu à realidade da força qualitativa dessa juventude que atua hoje em dia no pártido,
revigorando-o.
Sergio Saraiva
25 de dezembro de 2015 10:33 pmVinde a mim as criancinhas.
Pela direita e pela esquerda, a juventude, já há um tempo, deixa claro que prescinde dos partidos políticos para fazer política. Porém, ainda não temos um modelo institucional que prescinda dos partidos. Essa é a verdadeira crise política que enfrentamos.
O poeta Gregório Duvivier, por estes dias, deixou registrado na sua coluna na Folha de São Paulo seu estranhamento com a composição atual do Congresso Nacional:
“O Congresso brasileiro não é a cara do Brasil. Ele é a cara da elite do Brasil. O Congresso brasileiro parece o salão de jogos do Country Club: uma versão mais masculina, mais branca, mais hétero, mais velha e mais empresária do Brasil”.
E para que não parecesse apenas opinião, apresentava números:
“Os empresários, apenas 4% da população, são 43% dos deputados. Sim: proporcionalmente, a Câmara dos Deputados tem dez vezes mais empresários do que o Brasil”.
“As mulheres são quase 52% da população. No entanto, você consegue encontrar mais mulheres jogando rúgbi do que na Câmara dos Deputados. O povo brasileiro se declara, em sua maioria, negro ou pardo (53%). O Senado brasileiro tem menos negros que o Senado da Suécia (não é uma expressão, é um fato). O mesmo vale para os gays: apenas um deputado entre os 513 se declara gay. Já os transexuais e a população indígena não tem a mesma sorte. Nenhuma das duas minorias tem sequer um deputado federal ou senado”.
“Quanto aos jovens, melhor procurar num jogo de bocha. Jovens com até 34 anos são 39% do eleitorado e 10% do Congresso”.
Nesse último grupo, os jovens, podemos colocar o próprio Duvivier com seus 29 anos.
Lembrou Renato Russo e chamou o Congresso de “festa estranha com, gente esquisita”.
No que se refere a pouca participação de jovens no Congresso Nacional – 10%, poderia ter lembrado Cazuza: “não me convidaram pra essa festa pobre, que os homens armaram pra me convencer, a pagar sem ver por toda essa droga, que já vem malhada antes de eu nascer”. Em tempos de Eduardo Cunha, talvez fosse mais apropriado.
Concordando com Duvivier, a Folha traz, neste dia de Natal de 2015, uma matéria que mostra o problema provavelmente é maior. Para que a representação de jovens cresça no Congresso é preciso antes que ela cresça nos partidos políticos. E ela tem decrescido. Os partidos estão cada vez mais velhos, os partidos estão perdendo seus jovens, ou seja, os militantes entre 16 e 34 anos.
Qual seria a explicação?
Em relação ao PT, pode ter sido justamente a sua chegada ao poder.
Como explica o historiador Lincoln Secco: ”antes, a motivação para se filiar ao PT era um ato de rebeldia. Agora, passa por uma expectativa de carreira, de obter um cargo. Essa tendência, que é algo visto em todos partidos sociais democratas que chegam ao poder: atrai um número restrito de pessoas porque fica limitado à capacidade de oferecer cargos”.
Mas e em relação às outras siglas? Por que os partidos de oposição não atraíram os jovens que antes se sentiam atraídos pelo PT?
Creio que a explicação está em que o que se aplica ao PT, se aplica a quase todos os outros partidos:”antes, a motivação para se filiar ao PT era um ato de rebeldia”. E o quase na frase anterior é devido a uma exceção que confirma a regra. O PSOL tem em seus quadros 40,3% de jovens. Coerente.
O Partido Comunista que comia as criancinhas da década de 60 do século XX, hoje, só existe na cabeça de quem ainda é do século XX.
Os partidos já não representariam a possibilidade de transformação, de exercício institucional da rebeldia, da revolução. Seriam todos meio que mais do mesmo. O processo político-partidário do Brasil estaria passando, por essa ótica, pela “síndrome do fim da história” de Fukuyama.
Mas não que os jovens tenham abandonado o fazer política. Somente que a estão fazendo à margem dos partidos. Isso, aliás, já sabíamos. O que a Folha oportunamente nos traz são os números colhidos junto ao TSE.
“A juventude não se organiza mais nos partidos, tende a ir para movimentos autonomistas em torno de pautas específicas. O MPL [Movimento Passe Livre, que liderou os protestos de 2013 contra o reajuste no transporte] foi uma evidência disso, assim como as ocupações de escolas”. Recorda-nos Secco na matéria da Folha.
Os tempos são velozes.
O MPL e 2013 já estão no passado, recente, mas passado. A garotada que ocupou as escolas, e que, aparentemente, se inspira em movimentos estudantis chilenos, que conheceu e com os quais se comunica pela internet, encarou a polícia de Alckmin e derrubou o secretário da educação e sua “reorganização escolar” fez política da melhor qualidade sem nenhuma bandeira partidária – só cidadania.
E também há seu contraponto.
Kim Kataguiri, de 19 anos, líder MBL – Movimento Brasil Livre, corruptela de MPL.
Ainda que babe ovo para Eduardo Cunha, é uma extrema direita jovem, com o perdão do oximoro contido em juventude e extrema-direita, que, em princípio, se apoia na internet e não nos partidos políticos. Em princípio, pelo menos.
Na internet também está a neta de Lula, Bia Lula, a loirinha zangada mostrando o dedo do meio, na ilustração que abre este post, e mandando seu recado para a Globo:
“Quero deixar claro que o Grupo Globo não me pauta, e que não vai fazer comigo o que tem feito com minha mãe, desde as eleições de 89, e com os meus tios, diariamente difamados e caluniados pela imprensa golpista. Sem contar o que fazem com o maior amor da minha vida e o melhor Presidente que este País já teve, meu avô, Luiz Inácio Lula da Silva”.
“Quero deixar claro que o Grupo Globo não me pauta”. É, decididamente, ela não necessitou de uma nota de desagravo do partido. Tinha o facebook e o twitter: #FORAGLOBO, #FORACUNHA e #DILMAFICA. Pode ser que ainda a encontremos em uma chapa eleitoral; netos não são incomuns na política brasileira, uns mais novos, outros nem tanto, não vou aqui citá-los; mas até onde fui, Bia investe na carreira de atriz.
Não que o PT esteja ausente das preocupações na nossa mocidade, ele aparece no happening dos ”jovens” que agrediram Chico Buarque de Holanda, esses eram claramente antipetistas. Ainda que, provavelmente, nem saibam o que isso significa. Por certo, analfabetos políticos não deixam de ser políticos. Antipetistas, mas não me consta que, mesmo eles, fossem filiados a algum partido.
Pela direita e pela esquerda, a juventude, já há um tempo, deixa claro que prescinde dos partidos políticos para fazer política. Porém, ainda não temos um modelo institucional que prescinda dos partidos. Essa é a verdadeira crise política que enfrentamos.
Falamos tanto em reforma política. Institucionalizar essa garotada parece-me ser a mais urgente delas, só não sei como. O que temos a lhes oferecer? Filiação partidária?
PS1: a Folha, na matéria citada, mais uma vez, desperdiça assunto, talento e informação: “Em 4 anos, proporção de jovens no PT cai mais do que em outras siglas”. Com um material tão rico nas mãos, essa foi a melhor manchete que conseguiu?
PS2: a Oficina de Concertos Gerais e Poesia apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.
NICKNAME
25 de dezembro de 2015 10:36 pmhá um lado alienante, mesmo.
3 amostras: Movimento OCUPA ESTELITA, Recife; Movimento MOBILIDADE URBANA Recife. Movimento DIREITOS URBANOS, Recife. Têm espaço no Facebook. É muito pela badalação, porque se antes era chic ser barbudo, ser “solta”, camisa che guevara, etc etc (as fantasias são inumeras) agora são outras fantasias , modismos de rebeldia, quando não se é budista, claro. VEJAM-SE estes espaços no facebook: Eventuais mensagens publicadas que sejam críticas, destoam, não recebem nenhuma cdurtida, ou raramente. A não ser tipo “Vamos pra festa, pessoal.” (invento frase eqivalente) Em todos esses. Já entrei (tem-se que ser aceito pra entrar no grupo) e constatei. Me desliguei, é uma passarela de shopping, ponto de encontro de tribos.
NICKNAME
25 de dezembro de 2015 10:38 pmNão digo , p. ex., que o Mov, Estelita não seja positivo
mas não tenhamos ilusões.
Marinho
26 de dezembro de 2015 12:25 amÔ seu hiperboria que
Ô seu hiperboria que comentário infeliz.
Humberto Borges
20 de janeiro de 2016 8:11 pmNotícia enviesada e desinformativa
Já que estão falando de números, porcentagens e estatísticas, deveriam pelo menos informar os leitores quantos jovens brasileiros, em números absolutos, se filiaram ao PT, ao PMDB, ao DEM, ao PSDB e também ao PSOL.
Afinal aumentar 100% para quem tinha 100 filiados não é a mesma coisa que aumentar 20% para quem tinha 1 milhão de filiados.
Não sabem fazer contas, apenas se utilizam de subterfúgios para tentar DERRUBAR a verdade?
Parecem os economistas de planilha.