STF não prende Aécio, que diz que pedido de R$ 2 mi foi empréstimo pessoal


Foto: Roque de Sá/Agência Senado
 
Jornal GGN – A Procuradoria-Geral da República, comandada por Rodrigo Janot, solicitou a prisão do senador Aécio Neves (PSDB-MG), mas o ministro relator do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, negou a prisão ao tucano. Em meio à crise, o PSDB escolheu o deputado Carlos Sampaio (SP) para a Presidência Nacional da sigla. E Aécio disse que R$ 2 milhões foram “pessoais”.
 
Aécio foi impedido apenas de exercer as funções de senador, não sendo afastado do mandato oficial. Na decisão, Fachin impôs duas medidas cautelares ao tucano: a proibição de deixar o país, entregando seu passaporte, e de contatar qualquer outro réu ou investigado no processo relacionado à acusação da JBS.
 
Mas o ministro negou o pedido de prisão do senador e decidiu não levar para o Plenário do Supremo a discussão sobre o assunto. De acordo com informações do gabinete de Fachin, a negativa pode ser revertida apenas se a Procuradoria-Geral da República entrar com um novo recurso contra a decisão do ministro, e então o caso seria levado ao voto de todos os ministros.
 
Entretanto, até o momento, a Procuradoria não entrou com o recurso, o que reduz as possibilidades de o tema ser analisado ainda hoje pelo Judiciário. 
 
Enquanto cresceu dentro do partido a medida de afastar Aécio da presidência nacional do PSDB, com o apoio do diretório paulista, que logo pela manhã desta quinta-feira (18) pediu a saída dele do posto, tucanos visitaram o senador em sua residência, no Lago Sul, em Brasília para anunciar a decisão da reunião.
 
“Diante dos fatos amplamente noticiados pela imprensa desde a noite desta quarta-feira, 17/5, e em nome da nossa história e dos compromissos éticos e democráticos assumidos pelo Partido da Social Democracia desde sua fundação, personificados em lideranças como Mario Covas e André Franco Montoro, o Diretório Estadual do PSDB-SP defende o imediato afastamento do senador Aécio Neves da Presidência Nacional do partido”, divulgou em nota, logo pela manhã.
 
“Reafirmamos o total compromisso com São Paulo e com o Brasil e a plena confiança na Justiça e nas investigações em curso. Aguardaremos o transcorrer das investigações com a crença que, ao final, inocentes serão isentos de culpa e os responsáveis por crimes serão julgados e rigorosamente punidos”, completou.
 
Anteriormente, os senadores José Serra, Anastasia, Paulo Bauer e Cássio Cunha Lima, além do atual ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, integraram a reunião da bancada na casa do senador Tasso Jereissati para decidir sobre o afastamento de Aécio e a entrada do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) na Presidência do PSDB.
 
Até o momento, vendo findadas as suas chances de justificativa das acusações, o advogado de Aécio, José Eduardo Alckmin, disse que o senador estava “inconformado e surpreso” com as acusações do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, de que o tucano pediu R$ 2 milhões para pagar sua defesa na Operação Lava Jato.
 
O diálogo foi grampeado, com a supervisão e monitoramento das autoridades policiais, e entregue pelo empresário à Procuradoria-Geral da República, em narrativas confirmadas no acordo de delação premiada de Joesley, já homologado pelo Supremo Tribunal Federal.
 
Em resposta, a defesa de Aécio disse que o senador pediu um empréstimo para uso pessoal e que houve uma “descontextualização” da fala do tucano no grampo do executivo. O advogado José Eduardo Alckmin esteve na casa do parlamentar desde às 8h, saindo apenas por volta das 13h desta quinta-feira.
 
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