8 de junho de 2026

A campanha contra Toffoli: sem medo do ridículo, por Luís Nassif

Toffoli mandou executar a pena de Luiz Estevão, o controlador do Metrópole, cujo jornal é o que tem mais faz denúncias irrelevantes.
Reprodução

Campanha midiática contra Toffoli lembra linchamento, com acusações baseadas em pistas e rumores ainda não confirmados.
Toffoli já foi responsável pela execução da pena de Luiz Estevão, alvo de linchamento midiático nos anos 90, defendido por jornalismo cauteloso.
Denúncias preliminares contra Toffoli são criticadas por falta de apuração rigorosa, confundindo jornalismo investigativo com espetáculo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

É batata! Nessas campanhas de linchamento midiático, com ou sem razão, perde-se totalmente o senso do ridículo. A comodidade de estar junto à maioria, a unanimidade que autoriza o massacre — tudo isso cria um clima febril, reminiscente das fogueiras da Inquisição e da caça às bruxas.

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Não sei se Dias Toffoli é culpado ou inocente. Há pistas a serem investigadas, como a compra do resort da família. Mas são apenas pistas. Pode ser que descubram coisas graves mais à frente, pode ser que não.

A oportunidade ímpar de praticar o linchamento, porém, não poupa ninguém. Pouco importa se estão acendendo a pira de uma nova Lava Jato ou desestabilizando as instituições — pois o Supremo Tribunal Federal também é atingido —, abrindo espaço para o crime organizado. Como se dizia em Minas: não me importa se o pato é macho, o que eu quero é ovo.

De repente, o infatigável repórter deixa de lado PCCs, Masters e congêneres, e envereda pelo “furo grandioso”: o resort dos irmãos de Toffoli abriga um cassino. Opa! Mas o resort não foi vendido para um fundo ligado ao Master? Não venham estragar o furo com esses detalhes irrelevantes.

O dado mais relevante ficou de fora: os cassinos têm se espalhado por todo o Paraná, autorizados pelo governador Ratinho, com o selo da Lotopar. Mas essa notícia pode atrapalhar o alvo perseguido.

Outro repórter, ladino, desses farejadores de carniça, descobriu que Toffoli se hospedou no resort. O que ele teria ido fazer lá? Ora, visitar a família, talvez.

O precedente de Luiz Estevão

Como ministro, Toffoli foi responsável por mandar executar a pena de Luiz Estevão, o empresário controlador do grupo Metrópole, cujo jornal é o que tem mais se esmerado nas denúncias irrelevantes.

Lembro-me que, quando Estevão foi denunciado, em meados dos anos 90, tornou-se alvo de linchamento semelhante ao que ocorre hoje com Toffoli. Queriam de todo jeito sua prisão, mesmo antes do julgamento. Fui o único jornalista a me insurgir contra esse abuso. Sugeri à então jovem juíza que tocava o caso que seria abuso ordenar a prisão preventiva. Que ele deveria ser julgado, as provas analisadas e, depois, constatado o crime, que ela aplicasse a pena mais severa. E ela acatou o conselho.

Levei pancada. Na recém-criada lista de discussão do MPF, fui acusado de cúmplice de Luiz Estevão. Uma subprocuradora me procurou depois, por e-mail, para revelar o truque: procuradores haviam vazado uma suspeita contra ela para o Correio Braziliense e, com base na própria notícia plantada, fizeram a denúncia no MPF.

Saí em defesa da subprocuradora, denunciando o que se tornaria, dali em diante, prática corriqueira: o truque dos vazamentos e das campanhas baseadas em fatos irrelevantes ou distorcidos. Mas o que fazer se o velho e o novo jornalismo padecem da mesma ausência de filtros e princípios? E gostam de carniça.

Jornalismo ou espetáculo?

Se amanhã aparecer algum fato fundamentado contra Toffoli, não venham os “idiotas da objetividade” afirmar que “bem que eu falava”. Independentemente de qualquer coisa, essas denúncias preliminares não constituem jornalismo responsável. Fazem parte da brincadeira com a opinião pública, de jogar carne fresca para o tigre — prática que desmoraliza a profissão e corrói as bases da democracia.

O papel do jornalismo é investigar, apurar e contextualizar, não alimentar fogueiras. A diferença entre fiscalização rigorosa e linchamento público está justamente nos princípios que orientam a cobertura: busca da verdade ou busca do clique, interesse público ou espetáculo?

Enquanto essa distinção não for levada a sério, continuaremos substituindo o jornalismo pela performance da indignação.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    21 de janeiro de 2026 9:59 pm

    Mas o Ministro tem uma capacidade notória de gerar manchetes.

    Respeito todavia a opinião do jornalista, foi um dos que me fez ver os abusos da Lava-Jato.

    1. Rui Ribeiro

      23 de janeiro de 2026 8:24 am

      Amigo, você precisou do Toffili para se dar conta dos crimes da vaza-jato? Ou você fazia vista grossa?

  2. angelaneves

    22 de janeiro de 2026 4:18 pm

    Na era da Internet tudo vira escândalo, esses pseudos jornalista não querem a verdade só querem holofote, não importa que não seja verdade!!!!

  3. EVANDRO

    22 de janeiro de 2026 8:35 pm

    Ainda há quemleia Veja? Estou surpreso.

  4. Rui Ribeiro

    23 de janeiro de 2026 8:20 am

    O Ministro Dias Toffoli tem razão em restringir os peritos que atuarão na investigação de celulares apreendidos nas operações relacionadas ao Banco Master. A PF fazia vazamentos seletivos na lava jato. Restringindo os peritos, dificultam-se eventuais vazamentos

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