O debate sobre a extinção da jornada de trabalho 6×1 (seis dias de atividade para um de descanso) consolidou-se na opinião pública brasileira. Segundo pesquisa Datafolha realizada entre os dias 3 e 5 de março, 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana. O índice revela um crescimento no suporte à medida em comparação a dezembro de 2024, quando o apoio era de 64%.
A proposta, que ganha tração no Congresso Nacional, sugere a transição para o modelo 5×2, limitando a jornada a 40 horas semanais sem redução salarial. Atualmente, o tema é tratado como prioridade pelo Palácio do Planalto, que enxerga na pauta um forte apelo popular em ano eleitoral.
Divisões por perfil e renda
Curiosamente, o levantamento mostra que quem já usufrui de jornadas menores é mais favorável à mudança do que aqueles que estão submetidos à escala 6×1. Entre os que trabalham até cinco dias por semana, o apoio chega a 76%. Já entre os que trabalham seis ou sete dias, o índice cai para 68%.
A diferença é explicada pela composição do mercado: o grupo com jornadas extensas concentra mais autônomos e microempreendedores, que associam o tempo de trabalho diretamente à renda.
Impacto social e gênero
O recorte de gênero evidencia que as mulheres são as principais entusiastas da proposta: 77% são favoráveis, contra 64% dos homens. O dado corrobora o discurso do presidente Lula (PT), que em pronunciamento recente destacou que a redução da jornada aliviaria a sobrecarga feminina com tarefas domésticas.
No campo geracional, a adesão é massiva entre os jovens de 16 a 24 anos (83%), diminuindo progressivamente conforme a idade avança, chegando a 55% entre os idosos com 60 anos ou mais.
Incerteza econômica e polarização
Apesar do otimismo quanto à qualidade de vida, 76% acreditam que a mudança será benéfica para o bem-estar pessoal, o impacto nas empresas ainda divide a população. Exatos 39% preveem efeitos positivos para o setor privado, enquanto outros 39% temem consequências negativas. No entanto, quando a análise foca na economia nacional como um todo, metade dos entrevistados (50%) projeta um cenário “ótimo ou bom” com a nova regra.
A polarização política também molda as opiniões. O apoio ao fim da escala 6×1 é de 82% entre eleitores do presidente Lula, caindo para 55% entre aqueles que votaram em Jair Bolsonaro (PL) em 2022.
Próximos passos no Legislativo
A pressão das ruas começa a ecoar na Câmara dos Deputados. Na última terça-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizou a primeira audiência pública para discutir as propostas de emenda à Constituição (PECs) que tratam do tema. O avanço no colegiado é considerado o passo fundamental para que a matéria siga para votação em plenário, onde precisará de quórum qualificado para alterar a CLT e a Constituição Federal.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
Rui Ribeiro
16 de março de 2026 8:49 amPorque o povo teria direito a lazer em vez de apenas ter o dever de trabalhar??
Não concordo com o Bertrand Russel, pois, segundo ele:
“O lazer é essencial à civilização, e em outros tempos o lazer para uns poucos somente era possível pelo trabalho de muitos. Mas seu trabalho era valioso não porque o trabalho seja bom, mas porque o lazer é bom. E com a técnica moderna seria possível distribuir o lazer de forma justa, sem prejuízos à civilização. A técnica moderna tornou possível diminuir enormemente a quantidade de trabalho necessário para assegurar as necessidades vitais para todos. Isto se tornou óbvio durante a Primeira Guerra Mundial. Naquele tempo todos os homens nas forças armadas, e todos os homens e mulheres envolvidos na produção de munição, e todos os homens e mulheres envolvidos com espionagem, propaganda de guerra ou escritórios governamentais relacionados com a guerra foram tirados de ocupações produtivas. Apesar disto, o nível geral de bem-estar entre assalariados não-qualificados do lado dos aliados era mais alto do que antes ou mesmo depois da Guerra. O significado deste fato era escondido pelas finanças: empréstimos fizeram parecer que o futuro estava nutrindo o presente. Mas isto, é claro, seria impossível; um homem não pode comer um pão que não existe. A guerra mostrou conclusivamente que, através da organização científica da produção, é possível manter as populações modernas em razoável conforto com uma pequena parte da capacidade de trabalho do mundo moderno. Se, ao final da guerra, a organização científica que foi criada para liberar homens para as guerras e produção de munição fosse preservada, e as jornada de trabalho fosse reduzida para quatro horas, tudo teria ficado bem. Aos invés disto, o antigo caos foi restaurado, aqueles cujo trabalho era necessário voltaram às longas horas de trabalho, e o restante foi deixado à mingua no desemprego. Por quê? Porque o trabalho é um dever, e um homem não deveria receber salários proporcionalmente ao que produz, mas proporcionalmente à virtude demonstrada em seu esforço”.
“Quanto mais os meus povos trabalharem, menos vícios existirão, escrevia Napoleão de Osterode no dia 5 de Maio de 1807. Eu sou a autoridade […] e estaria disposto a ordenar que ao domingo, passada a hora dos ofícios divinos, as lojas estivessem abertas e os operários fossem para o seu trabalho.”
https://www.marxists.org/portugues/lafargue/1883/preg/cap01.htm
Dizem que mente ociosa é oficina do $atanás! A mente dos burgueses é oficina do $atanás!