Às vésperas do depoimento de Miranda, Bolsonaro ataca jornalistas ao ser questionado sobre Covaxin

Reprodução/Captura de tela/CNN Brasil

Jornal GGN – Jair Bolsonaro (sem partido) atacou jornalistas após ser questionado sobre as suspeitas envolvendo a compra superfaturada da vacina indiana contra a Covid-19, a Covaxin, na manhã desta sexta-feira, 25, durante um evento de inauguração de um Centro de Tecnologia 4.0, em Sorocaba, no interior de São Paulo. 

O mandatário resolveu falar com a imprensa, uma atitude rara, poucas horas antes do deputado Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor do Ministério da Saúde, prestarem depoimento à Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) da Pandemia. Foram eles que trouxeram à tona o escândalo da Covaxin, apontado pelo presidente do colegiado, o senador Omar Aziz (PSD-AM), como “a denúncia mais grave já recebida” pela CPI. ​

Questionado por uma jornalista da CNN Brasil sobre o atraso na compra de vacinas contra a Covid-19 e o contrato com a Covaxin, Bolsonaro, ficou visivelmente desestabilizado e gritou: “Para de fazer pergunta idiota, pelo amor de deus. Então, seguinte, vamos fazer pergunta inteligente, pessoal”. 

Entre seus ataques, no entanto, Bolsonaro voltou negar qualquer ato de corrupção, sob a alegação que não houve nenhum pagamento feito à fabricante da Covaxin. “Alguma vacina da Covaxin foi comprada? Me responda”, disse. Além disso, o mandatário afirmou que “é  lógico que a PF [Polícia Federal] vai abrir inquérito [para investigar o caso]”. 

Em meio as denúncias, o governo federal pretende cancelar o contrato assinado com a Precisa Medicamentos, em 25 de fevereiro, para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina indiana produzida pelo laboratório Bharat Biotech. Mas, até o momento, o dinheiro para a compra segue reservado.

Hoje, Bolsonaro também voltou a se vangloriar e disse que não houve nenhum caso de corrupção registrado durante sua gestão, apesar dos inúmeros inquéritos que investigam os seus filhos. “Eu sou incorruptível’, além de imobrochável”, disparou.

Miranda “vai se dar mal”

Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira, 24, durante a sua corriqueira live nas redes sociais, que se encontrou com o deputado Miranda e foi alertado sobre as possíveis fraudes da Covaxin, em março. Apesar disso, ele negou as suspeitas e afirmou que “quem buscou armar isso daí, vai se dar mal”.

“Está essa onda toda aí de: ‘Agora pegamos o governo Bolsonaro’, ‘corrupto’, ‘negociando vacina com 1.000% de sobrepreço’. Não vou entrar em muitos detalhes, não. Coisa tão ridícula”, disse. “Isso [a conversa com Miranda], aconteceu em março. Quatro meses depois, ele resolve falar para desgastar o governo? O que ele quer com isso?”, questinou.

Com informações da Folha de S. Paulo e Uol.

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