26 de junho de 2026

Bolsonaro joga a carta do ‘lawfare’ e se coloca como mártir judicial

Réu por tentativa de golpe, ex-presidente acusa STF e TSE de perseguição política
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) encontrou uma nova trincheira em sua guerra particular contra as instituições democráticas: o conceito de lawfare. Durante entrevista ao UOL, nesta quarta-feira (14), o político recorreu à palavra mágica ao menos cinco vezes para tentar pintar a si mesmo como vítima de uma cruzada judicial articulada para destruí-lo politicamente.

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Para quem não lembra, lawfare é o uso estratégico das leis e do sistema judicial como arma de guerra política — um conceito que ganhou popularidade na era da extinta Lava Jato. Ironicamente, agora é Bolsonaro quem tenta se apropriar da tese para defender-se de acusações como tentativa de golpe de Estado.

Inelegível pelos próximos anos por decisão do Tribunal Superior e Eleitoral (TSE) e réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por articular uma trama golpista em 2022, Bolsonaro diz que há um plano em curso para eliminá-lo da disputa eleitoral de 2026. “O que o outro lado quer, via lawfare, é me tirar da cédula no ano que vem”, reclamou, como se as investigações tivessem nascido de uma conspiração.

O alvo preferencial de suas acusações, como de costume, é o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. “Parece uma coisa mais pessoal… não consigo entender essa gana persecutória”, dramatizou Bolsonaro. E seguiu: “Se eu sou tão culpado assim, por que não seguir o devido processo legal? (…)  Isso que o Alexandre faz, lá fora, é conhecido como lawfare”.

A retórica de Bolsonaro vai além das fronteiras do TSE e do STF. Ele sugere que o mundo inteiro está assistindo, horrorizado, a sua suposta perseguição e chegou a mencionar outros países — numa tentativa de globalizar seu drama particular. “Vamos ver como vai ser, se vai ter reação da população. Fora do Brasil, isso está tomando corpo. Como disse, Romênia, França, EUA sofreu essa questão também do lawfare, isso tudo gera desgaste ao Supremo“, disse.

Curiosamente, o homem que atacou o sistema eleitoral e incitou atos antidemocráticos agora se diz vítima do próprio Judiciário que tenta conter os efeitos do seu radicalismo. “Não tem para onde recorrer mais ali. Se eu for condenado, pronto, acabou, é game over“, declarou, como quem tenta antecipar o martírio.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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