Bolsonaro x Globo: Jogo que custava R$ 14 milhões saiu de graça para a TV Brasil

No intervalo, um boletim com notícias elogiosas ao governo foi veiculado pela TV Brasil. Para a Folha, quem assistiu sentiu um "indisfarçável gosto de anos 1970" na boca

Jornal GGN – Os direitos de transmissão da partida de futebol entre as seleções do Brasil e Peru eram dos peruanos, e foram oferecidos à Rede Globo pela bagatela de R$ 14 milhões. A emissora rejeitou a proposta exorbitante mesmo quando o valor caiu pela metade. Faltando menos de duas horas para começar o jogo, na noite de terça (13), vem a notícia surpreendente: a TV Brasil conseguiu o direita à transmissão. E de graça, segundo a Folha de S. Paulo desta quarta (14).

De acordo com reportagem de Igor Gielow, “às 19h50, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, procurou o governo para informar que havia conseguido a liberação do sinal para uma TV pública, de graça.”

O chefe da SECOM, Fabio Wajngarten, havia procurado a CBF antes para saber sobre a possibilidade da transmissão, mas saiu do encontro sem respostas. Depois, nas redes sociais, comentou a ideia e recebeu da confederação a resposta de que “nada poderia fazer, dado que os direitos eram dos peruanos”.

Não se sabe como, mas a CBF conseguiu agradar Jair Bolsonaro em sua disputa com a Rede Globo. “Como sempre nesse mercado, a opacidade impera”, frisou a reportagem.

A transmissão, que começou às 21h, foi organizada de improviso. O narrador convidado foi André Marques, que agradeceu e enviou abraços a Bolsonaro, Wajngarten e à CBF publicamente pelo jogo – que rendeu pontos na audiência.

No intervalo, um boletim com notícias elogiosas ao governo foi veiculado pela TV Brasil. Para a Folha, quem assistiu sentiu um “indisfarçável gosto de anos 1970” na boca.

O artigo ainda apontou que Bolsonaro percebeu a tensão entre a CBF e a Globo nos últimos tempos, e usará isso, em episódios pontuais como o jogo de ontem, para sinalizar que o monopólio da emissora pode ser ao menos afrontado.

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1 comentário

  1. Com a proba e insuspeita CBF, com seus presidentes precisando de uma PF para chamar de sua, foi mesmo uma jogada de gênio do liberalismo de mercado. Só que um jogo numa terça qualquer, não vai ser lembrado no longo ano de 2021, quem dirá 2022?

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