8 de junho de 2026

Como Alessandro Vieira tornou-se agente do crime organizado, por Luís Nassif

A CPI criada para investigar o crime organizado chega à conclusão que é preciso indiciar as instituições que combatem o crime organizado.
Alessandro Vieira em foto de Waldemir Barreto - Agência Senado

Em 120 dias de funcionamento, 18 reuniões e 220 páginas de documentos, a CPI realizou um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e de infiltração no poder público, com destaque para o caso do Banco Master. Até aí, trabalho legítimo. O problema está na conclusão: depois de toda essa investigação, o relator escolheu pedir o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes — e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade. 

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não foi indiciado. Fabiano Zettel, seu cunhado e operador financeiro identificado pela própria CPI como responsável por pagamentos ilegais, não foi indiciado. Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central que autorizou a absorção do Master pelo BRB, não foi indiciado.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, resumiu a contradição: “Do ponto de vista de indiciamento, Zettel não foi indiciado, Daniel não foi indiciado, o ex-presidente do Banco Central não foi indiciado.” Wagner votou contra. Soraya Thronicke, que não é governista, também votou contra. O presidente da CPI, Fabiano Contarato, igualmente se opôs.

A questão que o relatório levanta — e que recusa responder — é estrutural: uma CPI criada para investigar o crime organizado pode encerrar seus trabalhos tendo escolhido como alvo principal as instituições que investigam o crime organizado?

As formas do lobby

Há duas maneiras de montar um lobby.

Uma, é defendendo o padrinho. Se for inviável – reputação muito pesada, imagem negativa consolidada – ataque o adversário do padrinho.

Aparentemente foi o que fez o senador Alessandro Vieira, no relatório da CPI do Crime Organizado. Seja qual for sua intenção, Alessandro Vieira transformou-se no principal lobista do crime organizado no Senado federal.

Analise, por exemplo, a Operação Colossus – primeira grande investida contra o crime organizado. E, depois, o caso Master.

A primeira etapa envolveu Polícia Federal e Ministérios Públicos. A segunda etapa envolverá Supremo Tribunal Federal e Procuradoria Geral da República, a partir do momento que se identifique a participação de deputados e senadores nas tramóias.

É aí que entra o fator Alessandro Vieira.

Envolvimento de políticos com o crime organizado:

  • Cerca de 70 deputados federais envolvidos no escândalo das emendas secretas.
  • Três governadores e inúmeros prefeitos que liberaram depósitos dos fundos de previdência para o Master:
    • Rio de Janeiro (Cláudio Castro): ~R$ 970 milhões via Rioprevidência.
  • Amapá (Clécio Luís): ~R$ 400 milhões.
  • Amazonas (Wilson Lima): ~R$ 50 milhões.
  • Prefeituras: Maceió/AL, Cajamar/SP e São Roque/SP (somas que superam R$ 270 mi).
  • Ciro Nogueira (PP-PI): Senador e presidente do PP, frequentemente citado como um dos principais articuladores e ligado ao banqueiro.
  • Antonio Rueda (União Brasil): Presidente do União Brasil, classificado como parte da rede de influência.
  • Ibaneis Rocha (MDB-DF): Governador do Distrito Federal, também citado entre os próximos políticos.

Ao desviar os ataques dos criminosos para os julgadores, é nítido que a intenção de Alessandro Vieira foi dobrar ambas as instituições em seu trabalho profilático no Congresso.

Mais que isso, deixou de lado a imensa rede de organizações que atuavam no entorno do caso Master. Deixou de apurar a atuação do crime organizado nos seguintes setores:

1. Transporte e logística.

2. Construção civil e empreiteiras.

3. Postos de combustíveis.

É caso da PGR investigar os reais motivos que levaram Alessandro Vieira a atuar claramente em teses benéficas ao crime organizado.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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13 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    15 de abril de 2026 9:01 am

    Sergipe vergonha dois, ponto zero.

    E o papelão do senador, hein?
    Lembrou o outro, 22 anos atrás.
    Em fevereiro de 2004, com praticamente toda a imprensa contra o primeiro governo Lula, o senador oposicionista, Almeida Lima resolveu se promover, batendo duro no governo, acusando-o de corrupto, o velho e manjado mantra.
    Se levou tão a sério que começou a incomodar a própria oposição, máxime, então comandada pelo maior coroné baiano de todos os tempos, Antônio Carlos Magalhães, que lhe deu um senhor pito no início de abril, encerrando o assunto. E a carreira meteórica do punguista senador sergipano, o breve. Ingresso como muleta pelo primo, o ex-governador Jackson Barreto, na Prefeitura de Aracaju, é que logo se achou o bam-bam, ao se eleger senador.
    O papelão representado pelo senador sergipano da República de Curitiba, Alessandro Vieira, com esse Relatório da CPI do Crime Organizado, repete, em maior e mais grave grau, aquela inocente tentativa de desestabilização de governo de 2004.
    Meu pequenino Sergipe, sempre a reboque dos malandros.

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    15 de abril de 2026 9:50 am

    A violência abusiva e ilegal contra a autonomia do Judiciário está sendo praticada por deputados, senadores, governadores, prefeitos e vereadores bolsonaristas como se isso não pudesse acarretar qualquer tipo de reprimenda ou consequencia jurídica. A democracia deve ser tolerante, mas tolerância deve ter limites. Caso contrário, em razão da absoluta certeza de impunidade, esses canalhas ficarão cada vez mais audaciosos e violentos.

  3. Rui Ribeiro

    15 de abril de 2026 9:51 am

    Então a organização criminosa está no próprio STF e é formada por Gilmar Mendes, Moraes e Toffoli?

    Ainda que a atuação do Magistrado se enquadre nas hipóteses de suspeição, previstas no CPC e no CPP, ele não é obrigado a declarar-se suspeito. E o fato do Magistrado não se declarar suspeito não quer dizer, necessariamente, que sua atuação processual será parcial. Que o diga Carmem Lúcia que, segundo ela própria, no julgamento do caso dos poupadores, votou contra uma tese que beneficiaria seu próprio pai, que havia inclusive vencido a questão em instâncias inferiores. Segundo a ministra, sua participação foi necessária em razão da composição reduzida da Corte à época, com apenas oito ministros julgando a matéria.

    1. Jotamoonwalker

      15 de abril de 2026 10:53 am

      A CULPA É DO STF,SEMPRE TEM Q SOBRAR PARA ALGUÉM,ENGRAÇADO Q ESTE MODUS OPERANDI VÊM DESDE O MENSALÃO E OS INCOMPETENTES NÃO SABEM IDENTIFICAR E ANULAR,FICAM COMO BARATA TONTAS OU MARIA VAI COM AS OUTRAS AFF O MUNDO NÃO SERÁ MAIS O MESMO EU COVID VCS A DEIXAREM DE SER ZUMBIS !!!

    2. PAULO CARVALHO RODRIGUES

      15 de abril de 2026 11:17 am

      Tá na hora do PGR dar o troco e mandar investigar Alessandro Vieira.

  4. fabricio coyote

    15 de abril de 2026 10:48 am

    o brasil está o kaos! ministro do supremo acusa senador de miliciano. quando a constituição veda qualquer organização paramilitar. mas para militar à esquerda ou à direito vale tudo! inclusive normalizar autoridades da República, vilipendiada, acusarem-se publicamente. é o kaos!

  5. fabricio coyote

    15 de abril de 2026 11:45 am

    e pensar que todo esse kaos iniciou-se com o então presidente do supremo, c.a. britto, também sergipano, ao colocar em pauta o massacre da ação penal 470. que fux matou no peito e que gilmar escandalizou-se, “até o banco do brasil, senhores…”, weber que achou na literatura jurídica embasamento para condenar José Dirceu, ou como se José Genuíno, genuíno brasileiro deputado constituinte fosse um criminoso de alta periculosidade. imagine o que não se faz com a tal literatura jurídica? é o kaos!

  6. Rui Ribeiro

    15 de abril de 2026 12:00 pm

    Se o Alessandro Vieira estivesse em Jerusalém no tempo de Jesus Cristo, ele teria exigido a condenação/crucificação de Jesus Cristo e a libertação de Barrabás.

  7. Rui Ribeiro

    15 de abril de 2026 12:01 pm

    Se o Alessandro Vieira estivesse em Jerusalém no tempo de Jesus Cristo, ele teria exigido a condenação/crucificação de Jesus Cristo e a libertação de Barrabás.

  8. Guilherme Souto

    15 de abril de 2026 1:35 pm

    O sujeito é delegado, valha-nos Deus, Nossa Senhora, mas tudo é possível, depois que o lobista das milícias foi presidente.

  9. Mário Mendonça

    15 de abril de 2026 1:38 pm

    Mouro, Viera não é burro, logo, fica a pergunta: quem mandou ele fazer esse relatório? Toda essa ira contra o STF começou quando a PF bateu na porta da Faria Lima, com a carbono oculto, e piorou com as duas CPIS instaladas rondando o sistema financeiro, infelizmente nenhum banqueiro foi exposto nessas comissões de inquérito! Nem a dona do Palmeiras apareceu para explicar o assalto aos velhinhos do INSS! Abração

  10. Veritas

    15 de abril de 2026 4:22 pm

    O completo envolvimento de policiais com o crime organizado é notório e objeto até de bons filmes. O ataque ao crime organizado muitas vezes não acontece por causa deste pacto, consciente ou inconsciente, entre policiais e milicianos. Nenhum indiciamento de membros das facções criminosas e o esdrúxulo indiciamento de membros do STF e da PGR no relatório final da comissão parlamentar de inquérito que visava apurar ilícitos do crime organizado é mais uma demonstração que policiais e bandidos têm comportamentos e psiquê muito semelhantes. Desta forma, tem sido um grande engano esperar apurações e combates ao crime vindos de parlamentares policiais. A solução para este grave pacto está na inclusão de leituras e conscientizações sobre a patologia do abuso de poder e o incentivo a ações no bem, na verdade e no belo em todo o ensino básico e superior.

    1. fabricio coyote

      15 de abril de 2026 9:54 pm

      e as vendas de sentenças? um poder que não passa pelo sufrágio e é dissociado do povo. com casos de vendas de sentenças em TODOS os entes federados. da primeira às instâncias superiores. podem dividir esse poder que pode acontecer de em outubro esse desastre nos submeta a outro desgierno boçal. toda instabilidade política é fruto do poder judiciário. via polícia judiciária.

      Alvíssaras à Presidenta do México Claudia Sheinbaum Pardo. só uma mulher para combater a bajulação política.

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