4 de junho de 2026

Como desentender a barafunda da votação de Jorge Messias, por Luís Nassif

Se quiser desentender o momento, leia as análises políticas sobre o episódio.
Jorge Messias por Marcelo Camargo - Agência Brasil

A votação bloqueou a CPI do Master, beneficiando deputados do Centrão e indiretamente Moraes e Toffoli.
Flávio Bolsonaro e família avançam na redução de penas dos condenados do 8 de janeiro, contestando o Supremo.
A ala direita do Congresso usa impeachment contra ministros do STF, mirando Moraes, Gilmar, Toffoli e o governo Lula.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A cobertura política de Brasília tem dois problemas crônicos diante de votações ambíguas: não entende o jogo e, não entendendo, parte para um raciocínio dedutivo às avessas. Define primeiro as consequências, depois quem se beneficia, e a partir daí instala-se a confusão.

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Vamos ao jogo, dividindo cada cenário entre agentes (beneficiados) e alvos (atingidos).

Cenário 1 — a votação bloqueou a CPI do Master 

Agentes diretos: deputados do Centrão, que têm interesse próprio em evitar investigações no sistema financeiro. 

Beneficiados colaterais: Alexandre de Moraes e Toffoli, cujas exposições no ecossistema Master ficam fora do holofote parlamentar. A distinção importa: eles não articularam o bloqueio, mas agradecem o resultado.

Cenário 2 — avanço na redução de penas dos condenados do 8 de janeiro 

Agentes: Flávio Bolsonaro e o núcleo familiar. 

Alvos: Alexandre de Moraes e o Supremo, cuja autoridade sobre as condenações é diretamente contestada.

Cenário 3 — abertura para impeachment de ministros do STF

Agentes: a ala parlamentar da direita, usando Fux e Mendonça como cobertura de legitimidade interna ao tribunal — não como articuladores, mas como sinal de que o próprio STF está dividido. 

Alvos: Moraes, Gilmar e Toffoli, e por tabela o governo Lula, que depende do tribunal como escudo.

Cenário 4 — escalada do impeachment como instrumento político 

Agentes: Flávio Bolsonaro e o Centrão, que transformam o impeachment em moeda de negociação permanente, sem necessariamente querer executá-lo. 

Alvos: governo Lula e os ministros mais expostos do STF.

Cenário 5 – o desequilíbrio no STF, com o grupo majoritário (liderado por Gilmar, Flávio e  Alexandre) perdendo maioria.

Agentes – André Mendonça e Centrão.

Alvos: Moraes, Gilmar e Flávio.

Problema: Gilmar e Flávio Dino apoiaram publicamente a indicação de Jorge Messias

Entenderam o jogo? Nem eu.

A versão de que Alexandre de Moraes pretendeu retaliar o governo Lula, pelo não apoio quando começou a Lava Jato 2, não explica o fato de que o fortalecimento do Centrão ameaça diretamente seu cargo como Ministro. Nem o fato de que a derrubada do veto da dosimetria é uma investida contra ele próprio, principal responsável pelas sentenças aos amotinados de 8 de janeiro.

Enfim, se quiser desentender o momento, leia as análises políticas sobre o episódio.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    2 de maio de 2026 2:11 pm

    https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/o-ministro-do-stf-com-quem-messias-tem-se-recusado-a-falar-apos-derrota-no-senado.ghtml?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar

    Messias parece ser civilizado, no máximo seria frio e formal com o ministro mas atenderia.

    Tem horas que tenho vontade de cancelar a assinatura do Globo e gastar o dinheiro com pinga …

  2. emerson57

    2 de maio de 2026 2:12 pm

    Existe um tabuleiro de fato. Nesse jogo qual deveria ser a próxima jogada do Lula, tendo em conta garantir a própria releição via apoio popular?
    Pedir arreglo e ceder ao jogo do inimigo? Derrotado que foi, acusar o golpe e ficar escolhendo durante meses um outro nome? Não indicar ninguém se fazer de morto e deixar o tempo passar?
    Ou seria melhor partir para o confronto já, mostrando para o povo força e ganhando pontos nas pesquisas? Indicar já, ainda hoje o Pedro Serrano, por ex. E no caso da recusa deste, imediatamente um outro nome confiável pelo governo, Carol Proner por ex.?
    A cada nova recusa ou postergamento de colocação em votação, expor a trama para que todo povo tome conhecimento da intimidação?
    Não se trata de lograr um indicado para o STF, mas sim garantir a reeleição!

    1. Paulo Dantas

      3 de maio de 2026 9:43 am

      Falta um nome que não pudesse ser recusado.

      Jogaram o STF na política e aí a coisa não é jurídica mas sim política.

      Com isto agora cada indicação será uma novela mexicana e os bons nomes vão recusar para evitar o vexame.

      Uns 25/30 atrás indicados ao STF saiam num canto na página 5 do lado da propaganda das Casas Sendas.

      Mas bem falou seu Jair …

      https://www.migalhas.com.br/quentes/353992/quanto-vale-vaga-no-stf-bolsonaro-indaga-sem-saber-que-estava-ao-vivo

  3. Carlos

    3 de maio de 2026 5:44 am

    Tem que ir pra rua e tirar o chorume bolsonarista do congresso e, principalmente, da vida dos brasileiros.
    Em cada megashow, em cada feriado, em cada bar, em cada post, precisamos lembrar o quanto está sucia bolsonarista ofende o verdadeiro cidadão/cidadã de bem, aquele/aquela que não fica berrando falsamente deus/pátria/família, mas aquele/aquela que verdadeira é silenciosamente respeita as leis, a democracia e, principalmente, os demais seres que vivem no mundo, torcendo, e trabalhando, para que estes tenham uma vida digna e prospera.
    Que todo evento conte com alertas sobre as ações da bandidagem hoje homiziada na política, nas igrejas e na mídia.
    Como este, postado ontem na fachada do Copacabana Palace

    Fim da escala 6×1, sem anistia e tarifa zero: fachada do Palace ganha projeção com protesto antes do show de Shakira https://www.uol.com.br/flash/?c=42941aa846c4c0cfa3aadaabfca2915320260502&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral

  4. Nelson Viana dos Santos

    3 de maio de 2026 2:15 pm

    Lamento discordar totalmente do Nassif, que nada explicou nesse texto.
    Alexandre Moraes foi claramente favorecido.
    O que vários analistas da mídia progressista explicaram é que houve um grande acordo, envolvendo Flávio Bolsonaro, Alcolumbre, Moraes.
    Fim da CPI do Master, o que livra todos os políticos envolvidos com o canalha do Vorcaro; a reeleição do Alcolumbre ano que vem; o bloqueio de pedidos de impeachment dos ministros do stf.
    Fiquemos atentos.
    Moraes dará a última palavra sobre a dosimetria dos golpistas. Fiquemos atentos para redução das penas de Bolsonaro e seus asseclas.
    Moraes foi bem até a penúltima página.
    Na última, com 80 milhões na conta da família, mostrou quem de fato é. Seu preço foi mais elevado. Mas foi pago.
    De toda essa podridão Lula e Messias saíram limpos. Os demais, para um aterro sanitário.

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