A cobertura política de Brasília tem dois problemas crônicos diante de votações ambíguas: não entende o jogo e, não entendendo, parte para um raciocínio dedutivo às avessas. Define primeiro as consequências, depois quem se beneficia, e a partir daí instala-se a confusão.
Vamos ao jogo, dividindo cada cenário entre agentes (beneficiados) e alvos (atingidos).
Cenário 1 — a votação bloqueou a CPI do Master
Agentes diretos: deputados do Centrão, que têm interesse próprio em evitar investigações no sistema financeiro.
Beneficiados colaterais: Alexandre de Moraes e Toffoli, cujas exposições no ecossistema Master ficam fora do holofote parlamentar. A distinção importa: eles não articularam o bloqueio, mas agradecem o resultado.
Cenário 2 — avanço na redução de penas dos condenados do 8 de janeiro
Agentes: Flávio Bolsonaro e o núcleo familiar.
Alvos: Alexandre de Moraes e o Supremo, cuja autoridade sobre as condenações é diretamente contestada.
Cenário 3 — abertura para impeachment de ministros do STF
Agentes: a ala parlamentar da direita, usando Fux e Mendonça como cobertura de legitimidade interna ao tribunal — não como articuladores, mas como sinal de que o próprio STF está dividido.
Alvos: Moraes, Gilmar e Toffoli, e por tabela o governo Lula, que depende do tribunal como escudo.
Cenário 4 — escalada do impeachment como instrumento político
Agentes: Flávio Bolsonaro e o Centrão, que transformam o impeachment em moeda de negociação permanente, sem necessariamente querer executá-lo.
Alvos: governo Lula e os ministros mais expostos do STF.
Cenário 5 – o desequilíbrio no STF, com o grupo majoritário (liderado por Gilmar, Flávio e Alexandre) perdendo maioria.
Agentes – André Mendonça e Centrão.
Alvos: Moraes, Gilmar e Flávio.
Problema: Gilmar e Flávio Dino apoiaram publicamente a indicação de Jorge Messias
Entenderam o jogo? Nem eu.
A versão de que Alexandre de Moraes pretendeu retaliar o governo Lula, pelo não apoio quando começou a Lava Jato 2, não explica o fato de que o fortalecimento do Centrão ameaça diretamente seu cargo como Ministro. Nem o fato de que a derrubada do veto da dosimetria é uma investida contra ele próprio, principal responsável pelas sentenças aos amotinados de 8 de janeiro.
Enfim, se quiser desentender o momento, leia as análises políticas sobre o episódio.
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Paulo Dantas
2 de maio de 2026 2:11 pmhttps://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/post/2026/05/o-ministro-do-stf-com-quem-messias-tem-se-recusado-a-falar-apos-derrota-no-senado.ghtml?utm_source=aplicativoOGlobo&utm_medium=aplicativo&utm_campaign=compartilhar
Messias parece ser civilizado, no máximo seria frio e formal com o ministro mas atenderia.
Tem horas que tenho vontade de cancelar a assinatura do Globo e gastar o dinheiro com pinga …
emerson57
2 de maio de 2026 2:12 pmExiste um tabuleiro de fato. Nesse jogo qual deveria ser a próxima jogada do Lula, tendo em conta garantir a própria releição via apoio popular?
Pedir arreglo e ceder ao jogo do inimigo? Derrotado que foi, acusar o golpe e ficar escolhendo durante meses um outro nome? Não indicar ninguém se fazer de morto e deixar o tempo passar?
Ou seria melhor partir para o confronto já, mostrando para o povo força e ganhando pontos nas pesquisas? Indicar já, ainda hoje o Pedro Serrano, por ex. E no caso da recusa deste, imediatamente um outro nome confiável pelo governo, Carol Proner por ex.?
A cada nova recusa ou postergamento de colocação em votação, expor a trama para que todo povo tome conhecimento da intimidação?
Não se trata de lograr um indicado para o STF, mas sim garantir a reeleição!
Paulo Dantas
3 de maio de 2026 9:43 amFalta um nome que não pudesse ser recusado.
Jogaram o STF na política e aí a coisa não é jurídica mas sim política.
Com isto agora cada indicação será uma novela mexicana e os bons nomes vão recusar para evitar o vexame.
Uns 25/30 atrás indicados ao STF saiam num canto na página 5 do lado da propaganda das Casas Sendas.
Mas bem falou seu Jair …
https://www.migalhas.com.br/quentes/353992/quanto-vale-vaga-no-stf-bolsonaro-indaga-sem-saber-que-estava-ao-vivo
Carlos
3 de maio de 2026 5:44 amTem que ir pra rua e tirar o chorume bolsonarista do congresso e, principalmente, da vida dos brasileiros.
Em cada megashow, em cada feriado, em cada bar, em cada post, precisamos lembrar o quanto está sucia bolsonarista ofende o verdadeiro cidadão/cidadã de bem, aquele/aquela que não fica berrando falsamente deus/pátria/família, mas aquele/aquela que verdadeira é silenciosamente respeita as leis, a democracia e, principalmente, os demais seres que vivem no mundo, torcendo, e trabalhando, para que estes tenham uma vida digna e prospera.
Que todo evento conte com alertas sobre as ações da bandidagem hoje homiziada na política, nas igrejas e na mídia.
Como este, postado ontem na fachada do Copacabana Palace
Fim da escala 6×1, sem anistia e tarifa zero: fachada do Palace ganha projeção com protesto antes do show de Shakira https://www.uol.com.br/flash/?c=42941aa846c4c0cfa3aadaabfca2915320260502&utm_source=redes-sociais-flash&utm_medium=compartilhar_conteudo&utm_campaign=organica&utm_content=geral
Nelson Viana dos Santos
3 de maio de 2026 2:15 pmLamento discordar totalmente do Nassif, que nada explicou nesse texto.
Alexandre Moraes foi claramente favorecido.
O que vários analistas da mídia progressista explicaram é que houve um grande acordo, envolvendo Flávio Bolsonaro, Alcolumbre, Moraes.
Fim da CPI do Master, o que livra todos os políticos envolvidos com o canalha do Vorcaro; a reeleição do Alcolumbre ano que vem; o bloqueio de pedidos de impeachment dos ministros do stf.
Fiquemos atentos.
Moraes dará a última palavra sobre a dosimetria dos golpistas. Fiquemos atentos para redução das penas de Bolsonaro e seus asseclas.
Moraes foi bem até a penúltima página.
Na última, com 80 milhões na conta da família, mostrou quem de fato é. Seu preço foi mais elevado. Mas foi pago.
De toda essa podridão Lula e Messias saíram limpos. Os demais, para um aterro sanitário.