Desistências favorecem Lula e equalizam o avanço de Bolsonaro com benefícios sociais, diz CEO da Quaest

Em entrevista ao GGN, o CEO da Quaest, Felipe Nunes, explica as mudanças sutis aferidas na pesquisa de agosto. Assista

Lula e Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert/Agência Brasil
Lula e Bolsonaro. Fotos: Ricardo Stuckert/Agência Brasil

As medidas eleitoreiras adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) já têm mostrado seus resultados sobre as intenções de voto dos brasileiros. O CEO da Quaest Pesquisas, Felipe Nunes, falou à TVGGN, sob o comando do jornalista Luis Nassif, sobre os resultados do último levantamento que mostrou um cenário menos desfavorável ao atual líder do Executivo. 

De acordo com a Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 3 de agosto, a diferença entre o ex-presidente Lula (PT) e Bolsonaro passou de 14 para 12 pontos percentuais no primeiro turno na pesquisa estimulada. A queda, no entanto, está dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento traz outros elementos favoráveis a Bolsonaro, já que a aprovação do governo saltou de 47% para 57% entre quem o elegeu em 2018. 

Pelos resultados, o aumento de R$ 200 no Auxílio Brasil e a PEC Kamikaze – ou das bondades – já começaram a surtir algum efeito, explica Felipe Nunes, que faz uma análise cautelosa sobre o tema.

“Até o momento, o que percebemos de movimentação foi no interior da pesquisa, e não no placar do jogo, que está estabilizado, embora haja uma diminuição da diferença entre Lula e Bolsonaro ao longo de quatro meses. A mudança significativa está se dando entre aquelas pessoas que recebem o Auxílio Brasil”, disse. 

ENTRE A EUFORIA E FRUSTRAÇÃO

“O que temos é uma expectativa criada na população em torno do que pode vir a ser os benefícios gerados a partir desses auxílios. Podemos ter um resultado de frustração se, por algum motivo, a economia não der resultados positivos vindo junto com auxílio, mas também pode ter a euforia se confirmar essa tendência que estamos capturando”, pondera. 

A nova rodada da pesquisa ainda mostra que os brasileiros estão mais tranquilos em relação ao cenário econômico: mais um ponto positivo para o atual governo. 

“A pesquisa mostra que os brasileiros estão um pouco menos preocupados com a inflação, um pouco pessimista em relação ao futuro da economia. Já não atribuem tanto ao presidente a responsabilidade pelo descontrole do aumento da gasolina e estão na expectativa [de ver a economia melhorar]”, apontou Nunes.

“Os indicadores de avaliação do governo do presidente Bolsonaro melhoraram mais que os indicadores de intenção de voto, ou seja, as pessoas estão reconhecendo que o governo está fazendo o que pode, mas ainda não atribuem essa melhora diretamente ao presidente, por isso sua oscilação foi na margem de erro, não houve nada significativo”, explicou. 

Lula também avança

Apesar de um cenário mais positivo para Bolsonaro, o ex-presidente Lula tem avançado em relação ao chamado voto útil em consequência da desistência de candidatos da chamada terceira via. 

“O que estamos vendo agora é que há uma mudança de voto dos candidatos da terceira via na direção, principalmente, do Lula. Isso, de certa maneira, está equalizando o jogo no que Bolsonaro vem ganhando ao retirar do Lula um pedaço de voto.” 

Nunes explicou que a saída de candidatos da corrida pelo Planalto, embora acumulem poucos votos, faz uma diferença significativa. 

“Como estamos discutindo na margem de erro se terá ou não segundo turno, essas saídas acabam gerando acúmulo de percentual de voto pro Lula, que estão compensando esse benefício que o Bolsonaro tem com essas expectativas em torno da PEC das bondades”, pontou o especialista. 

Ciro perde votos com sua campanha antipetista 

Nunes também sinaliza que os discursos do também candidato à presidência Ciro Gomes (PDT) contra Lula não têm surtido os efeitos esperados.

“Se olharmos as três últimas pesquisas de intenção de voto, o Ciro Gomes oscilou na margem de erro negativamente um ponto percentual. Ele tinha 7%, depois apareceu com 6% e agora está com 5%. Se essa tendência numérica – não estatística – se confirmar, o Ciro pode perder na próxima rodada da pesquisa metade de intenção de voto, em pouco mais de dois meses”, apontou.

Na análise de Felipe Nunes, essa tendência de Ciro sugere “que os seus eleitores já estariam debandado na direção da candidatura antibolsonarista mais competitiva. No caso, a candidatura do Lula.”

“No fundo, quem está perdendo com tudo isso é o próprio Ciro, que está conseguindo diminuir sua rejeição lentamente ao longo dos meses, mas não consegue se viabilizar com uma candidatura competitiva”, completou.

Assista:

O Jornal GGN produzirá um documentário sobre o avanço da ultradireita mundial e a ameaça ao processo eleitoral. Saiba aqui como apoiarColabore!

Leia também:

As peças do Xadrez da Ultradireita

A formação das milícias bolsonaristas

Xadrez da ultradireita mundial à ameaça eleitoral

0 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador