Para marcar o Dia Internacional da Mulher, a TVGGN preparou um programa especial para debater a inclusão de todas as mulheres na data que homenageia as mulheres e que virou símbolo de luta por igualdade salarial e combate à violência de gênero.
Comandado pela psicanalista Ana Laura Prates, o debate girou em torno do questionamento se todas as mulheres, atualmente, são defendidas pelo feminismo, tendo em vista a exclusão de mulheres trans, por exemplo, dos debates.
A procuradora do Estado de São Paulo Margarete Pedroso apontou que as mulheres têm conquistas para celebrar, mas que o 8 de Março é um dia de luta.
“A gente quem tem motivos para comemorar? Nós, mulheres brancas, de classe média, de São Paulo temos algumas conquistas sim para comemorar, algumas outras mulheres também, mas todas as mulheres têm motivos para comemorar avanços na legislação e avanços sociais?“, questiona a procuradora.
Margarete afirma ainda que a luta feminina nunca cessará, pois enquanto uma mulher for oprimida, todas as mulheres têm de continuar lutando.
“As pautas são heterogêneas. Quando as mulheres brancas, no final dos anos 1960 lutavam pela liberdade sexual, essa luta não era a das mulheres negras, que eram objetificadas, hipersexualizadas e que são até hoje. O direito ao voto [nos Estados Unidos], inicialmente, era uma briga só das mulheres brancas. As mulheres negras não tinham acesso mínimo aos espaços públicos naquela época. Era uma luta de mulher branca e de elite”, exemplificou a convidada.
Ainda sobre as desigualdades entre as mulheres, a procuradora observou que o ônus do cuidado, apesar de recair, majoritariamente, entre as mulheres, também difere de acordo com a classe social das famílias. “A gente tem de lembrar que as mulheres de classe média e classe média alta dividem este dever do cuidado, muitas vezes, com pessoas que são pagas para isso. Já as mulheres pobres têm o ônus duplo de trabalhar e do cuidado.”
Outro ponto importante ressaltado por Margarete Pedroso é o fato de que, apesar de ser um direito garantido por lei, homens e mulheres não são tratados de forma igualitária. “Desde 1988 temos na Constituição que homens e mulheres são iguais perante a lei, mas não usufruímos em nenhum ponto. Nem na liberdade. Agora temos recentemente aprovada a Lei de Igualdade Salarial. Agora, 2023, a primeira vez no Brasil que temos uma lei que garante que não pode ter diferença salarial entre homens e mulheres fazendo a mesma função”.
Retrocesso bolsonarista
Lourdes Nassif, editora-chefe do portal GGN, também participou do debate e chamou atenção para a perda do espaço e dos direitos da mulher na política e na sociedade, graças ao bolsonarismo.
“A gente não só está muito aquém [na política], como nos últimos anos nós perdemos muita coisa. Nós perdemos não só direitos, como perdemos o fôlego da luta também, porque vimos entrar tanto na política partidária no Congresso como na política de rua no posicionamento de mulheres uma visão muito estreita de direito de mulher”, afirma Lourdes.
A editora-chefe do GGN lamenta que, ainda que a gestão de Jair Bolsonaro (PL) tenha chegado ao fim, o bolsonarismo estará na sociedade impedindo novos avanços, até porque as mulheres, especialmente as evangélicas, que abraçaram o movimento “assinaram embaixo na retirada de direitos já conquistados”.
“O bolsonarismo das mulheres é ainda pior, porque ela se coloca de uma forma menos que nada, ela é parte da luta para desfazer aquilo que já foi feito por ela”, observa.
Confira o programa na íntegra:
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AMBAR
9 de março de 2024 3:23 pmEr, o “Dia das Mulheres” é a designação machista, diminutiva e enfraquecedora da real designação do “Dia Internacional da Luta das Mulheres Pelos Seus Direitos”, uma mostra de que evidentemente não há nada a comemorar.