Durante culto, Bolsonaro apoia Moro e volta a defender ministro evangélico no STF

‘O estado é laico, mas eu, nós todos, somos cristãos’, diz presidente para uma plateia de 20 mil ao retomar a proposta de levar um ministro evangélico ao Supremo

Bolsonaro e Moro durante evento militar. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – Em meio a crise da Vaza Jato, o presidente Jair Bolsonaro segue a mesma receita de outras crises que enfrentou até agora, em pouco mais de cinco meses de governo: foi buscar apoio no núcleo duro do seu eleitorado.

Nesta quinta-feira (13) à noite, o presidente participou de um evento em comemoração pelos 108 anos da Assembleia de Deus no Brasil, em Belém, onde discursou durante 12 minutos para uma plateia de cerca de 20 mil pessoas. Segundo informações da Folha de S.Paulo, que cobriu ao encontro, Bolsonaro reiterou o apoio a Moro e defendeu novamente a presença de um ministro evangélico no Supremo Tribunal Federal.

O ex-juiz e atual ministro da Justiça protagoniza o que pode ser o maior escândalo político da história do país: a troca de mensagens entre ele e o procurador da República Deltan Dallagnol, relevada pelo site The Intercept Brasil, com a finalidade de prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e impedir que seu partido ganhasse na última eleição presidencial.

Em um dos trechos divulgados pelo Intercept, o coordenador da Lava Jato no Ministério Público Federal, Dallagnol, mostra que tem dúvidas quanto a consistência das provas contra Lula. Moro, por sua vez, orienta o procurador, adianta decisões do seu julgamento e da dicas de testemunhas para serem incluídas no processo.

Sob a constituição do Brasil de 1988 os juízes devem ser árbitros neutros. Na prática, isso quer dizer que os juízes não podem trocam informações com os promotores. E foi exatamente essa relação ilegal que o Intercept revelou, a partir de materiais recebidos de uma fonte anônima.

Leia também:  Celso de Mello nega HC que buscava bloquear, em favor de Moro, o site Intercept

Logo após as primeiras reportagens do Intercept, o presidente Bolsonaro não quis falar com a imprensa sobre o assunto. Entretanto, compareceu ao lado de Moro no jogo do Flamengo contra o CSA no estádio Mané Garrincha, em Brasília, e em uma cerimônia militar.

Durante o culto evangélico desta quinta, Bolsonaro disse que “gestos dizem mais do que palavras”, se referindo a sua decisão de estar ao lado de Moro nas duas ocasiões como prova do seu apoio ao ex-juiz.

O presidente enfatizou que os diálogos exibidos pelo site Intercept decorreu de uma ação criminosa de hackers. Ele admitindo que acusações pairam sobre Moro, entretanto, lembrou que o ministro abriu mão de 22 anos de magistratura para assumir a pasta da Justiça.

Aproveitando estar diante de uma plateia de evangélicos, Bolsonaro lembrou de quando foi flagrado durante um debate na Rede TV com uma “cola” na mão com as palavras “Deus, Família e Brasil”. Em seguida ele exibiu ao público a mão com os mesmos dizeres escritos.

Nesse momento do discurso, Bolsonaro ligou às críticas da cola à sua relação com o eleitorado evangélico, dizendo que ao falar que estava na hora de ter um ministro evangélico no STF “a reação [de crítica] foi a mesma”.

“O estado é laico, mas eu, nós todos, somos cristãos (…) Respeitamos a maioria. Respeitamos a minoria. Mas o Brasil é um país cristão.”

O que parece ser apenas uma decisão para atender uma parcela consistente da sociedade pode, na verdade, vir de um objetivo menos republicano. Um dia antes de falar pela primeira vez a uma plateia de evangélicos sobre a proposta de levar um evangélico ao STF, Bolsonaro se encontrou com Humberto Martins, vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça e membro da denominação Adventista. O senador Flávio (PSL-RJ) e filho número um de Bolsonaro acompanhou toda a conversa.

Flávio está sendo investigado pelo Ministério Público Federal do Rio por suspeitas em várias atividades, entre elas a aquisição de 37 imóveis, ainda quando era deputado no Rio de Janeiro. Nada como ter o vice-presidente do STJ como amigo, nessas horas.

Leia também:  Presidente do STJ amplia portaria para que magistrados viajem na classe executiva

Leia também: Quem é William Douglas, o juiz evangélico cotado para o STF

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

10 comentários

  1. Um presidente que não conhece a constituição de seu país só pode ser um inútil…..

    Sendo o estado laico pergunto aos doutos, uma decisão de um ministro baseada em pressupostos religiosos não seria inconstitucional???

  2. Falei hoje com um Bolsominion que há tempos eu não via. Perguntei-lhe como vai o Governo. Ele disse que vai bem. Perguntei-lhe:

    – Bem como, Cara Pálida, com tanto desemprego, com tantos cortes na educação, com tantas patifarias, com as maracutaias do Moro, etc?

    Ele respondeu:

    – Tem calma, pois o governo ainda está no começo.

    Eu disse-lhe:

    – No começo? Como no começo, se o Bolsonaro tá prá cair?

    Aí ele respondeu:

    – Se o Bolsonaro cair, aí piora, pois o Mourão é linha dura.

    Eu amarrei o burro no rabo do Dono:

    _ Se o governo tá bom, como é que algo bom vai piorar?

    Ele se engasgou

  3. Quem sabe o dito evangélico “ore” pelo Flavinho para que escape dessa? Pois não é assim que a parcela evangélica tem se comprometido? Pra resolver as questões basta orar, inclusive para que o titio Bolso consiga implantar suas ideias maquiavélicas. Tudo isso é resultado de que, essas imposturas morais, e porque não dizer, cerebrais? No mundo em que vivemos, três coisas têm se destacado em seu domínio: o conhecimento; a intuição; e a estupidez. Conhecimento, poucos são os que tem. Intuição, raros, muito mais raros, os que a cultivam, porém, a estupidez, reina soberana entre a espécie que se auto intitula… inteligente e racional. As abelhas, as formigas, os leões, enfim, a maioria das outras espécies, possuem um sentido de grupo, muito superior ao do Homo-Sapiens. Vejam bem… sapiens, imaginem se fosse Homo-Stultos.

  4. Agora que muitas histórias que “ajudaram” a Bolsonaro durante o processo eleitoral começam a ficar sob suspeita, o desespero bate nas botinas. Na entrevista do Lula ele coloca sob suspeição a história da facada (disse de modo razoável que é estranho num ataque, os seguranças protegerem o agressor do candidato). O general da reserva Heleno diz que por isto Lula merece prisão perpétua. Será que estes senhores aguentarão as revelações do TIB que fazem balançar estruturas do governo, sabendo que o Gleen disse que o que vem por ai é muito mais grave.

    Do Valor Econômico
    Heleno dá murros na mesa e grita ao reagir à fala de Lula
    https://www.valor.com.br/politica/6306749/heleno-da-murros-na-mesa-e-grita-ao-reagir-fala-de-lula

  5. Acho que ele está certo no que se refere ao ministro evangélico. Iria até mais além: dada a relevância da população de origem africana, colocaria também um pai-de-santo. E por que deixar os indígenas de fora?Vamos indicar um pagé! Se o Jim Jones não tivesse morrido…

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome