Quem será o próximo ‘ministro evangélico do STF’ indicado por Bolsonaro?

Presidente abordou o tema diante de plateia religiosa logo após tratar da questão da homofobia e, ainda, questionar se o Supremo não estaria legislando

Victor Laus, Sérgio Moro e Gebran Neto. Imagems: Reprodução da Agência Brasil e Ascom TRF-4

Jornal GGN – “Será que não está na hora de termos um ministro do STF evangélico?”, perguntou o presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (31), diante da plateia da igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Goiânia (GO).

No evento, o líder do Planalto disse ainda: “Desculpa o Supremo. Eu jamais atacaria um outro Poder, mas não estão legislando?”, se referindo ao julgamento sobre a criminalização da homofobia em andamento na Corte. As informações são da Folha de São Paulo que cobria o encontro entre o presidente e os evangélicos.

“Existe algum entre os 11 ministros do STF evangélico, cristão?”, completou Bolsonaro. Sabendo que estava sendo observado pela imprensa, o presidente disse que a mídia teria “que desvirtuar algo” da sua fala.

Segundo Bolsonaro, o Estado é laico, mas ele, cristão. “Se me permitem plagiar a ministra Damares, eu também sou terrivelmente cristão”, continuou. Em seguida, se voltou para os jornalistas: “Não me venha a imprensa dizer que quero misturar a Justiça com religião”.

Na semana passada, por maioria (seis votos) o plenário de Supremo decidiu enquadrar a homofobia e a transfobia na lei de crimes de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei sobre o tema. O julgamento não terminou, e deve ser retomado dia 13 de junho, para a votação dos outros cinco ministros. Para ler mais sobre esse tema clique aqui.

Moro, Gebran ou Laus?

A indicação de ministros do Supremo é uma atribuição do presidente da República, mas precisa de aprovação do Senado. Até o final do mandato, Bolsonaro poderá indicar dois novos membros da Corte: em novembro de 2020, quando o decano (membro mais antigo) do Supremo Celso de Mello completará 75 anos (idade de aposentadoria obrigatória), e em julho de 2021, quando será a vez de Marco Aurélio Mello se aposentar.

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Em abril, circulou na imprensa que Bolsonaro teria prometido a primeira vaga do STF para o desembargador João Pedro Gebran Neto. No dia 12 de maio, em entrevista ao programa de Milton Neves, da radio Bandeirantes, Bolsonaro disse que fez um acordo com o ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para indicá-lo a uma vaga no Supremo.

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O jornal Folha de S.Paulo disse que questionou a assessoria da Justiça a respeito da religião de Moro e obteve como resposta que todos ali desconheciam. Questionada pelo GGN, a assessoria do TRF-4 também disse desconhecer a religião do desembargador Gebran Neto.

Na terça-feira (28), Bolsonaro se reuniu com o desembargador Victor Laus, recém-eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O magistrado também não é de expor detalhes de sua vida particular, mas no discurso de posse quando assumiu a presidência da 8ª Turma do TRF-4, em 2003, fez referência à sua religiosidade:

“Humildemente, pedimos a Deus que nos ilumine nessa nova tarefa (…), a fim de que possamos ser, apenas e acima de tudo, um homem-juiz”.

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14 comentários

  1. O que esperar de um presidente que não sabe que o estado é laico????

    As outras religiões deveriam confronta-lo, para ver se o cidadão acorda pra vida, por que não um ministro umbandista ou budista, ou de qualquer ou religião? Que tal em vez de juristas, nomearem padres, rabinos, xamãs, mães e pais de santo, ou profetas de toda natureza?

    O país virou um hospício, com imbecis batendo palmas para doido dançar……

  2. Corram crianças, convertam-se ao protestantismo, de preferencia ao NEO – Malafa, Pedirmaiscedo e outros menos votados – É passo certeiro para alcançar a suprema corte.
    Notório saber? Dane-se

  3. Terrivelmente cristão como o Ulstra, as milícias que te sustentam e financiam, incentiva e semeia ódio…
    Putz…um deus deste que faz e apoia o que quero somente nestas igrejas de bíblia de sovaco.

  4. Qualquer vindo deste cristianismo desumanitário, pouca diferença faz. Só vai piorar mesmo, porque em sua fé cega, proferirão suas próprias loucuras e gritarão nos ouvidos alheios como sendo “as vontades” de Deus.

  5. Além de atacar ferozmente as Universidades Federais, o vagabundo Jair Bolsonaro quer agora destruir a Língua Portuguesa. Ele decretou que os adjetivos ‘miliciano’ e ‘terrorista’ serão sinônimos de ‘cristão’. O candidato a comer lagosta com Dias Toffoli vai matar um membro do STF antes ou depois de ser sabatinado pelo Senado Federal?

  6. Há muito dexei de ter estes pudores republicanos na hora de avaliar tais decisões. O STF é a instituição mais política do jchile capitalização banco paulo guedesudiciário e os presidentes utilizam as nomeações para fortalecer suas posições.
    esse negócio de estado de direito e laico é formalidade pra enganar bobo. Política no capitalismo é jogo de poder.
    Nada mais natural que Bolsonaro pensar em colocar Moro e/ou um pastor-jurista no STF. Faz parte.
    Nesta seara ninguém é santo e quem deu uma de santo-republicano, como Dilma e Lula, se deu mau. Se o PT queria jogar o jogo democrático da burguesia, que jogasse pra não perder, ainda com uma casta reacionária como o judiciário: tinha que colocar no STF só jurista com produção jurídica de peso (nada de Toffolis nem Carmens) e progressista até a medula, daqueles que não traem suas convicções de esquerda de jeito nenhum, estilo Lênio Streck. Só acertaram com o Levandowsky.
    Se o Bolsonaro está dando uma escorregada é em anunciar que o ministro deve ser evangélico, em vez de ficar calado. Mas isso faz parte do estilo Bozo de governar, fazendo barulho e provocando atrito. No mais, em termos de estratégia política, ele está certíssimo em colocar gente do campo dele lá.
    Bobo foi o PT!

  7. Não estaria na hora de um ministro do STF umbandista? Que tal um espírita? Ou até mesmo um budista?
    Vamos democratizar religiosamente o STF…

  8. “Questionadas pela FSP, as assessorias do MJ e do TRf4 afirmam desconhecer a religião dos indicados pelo cabeça do “bando de malucos”. Mas dá pra inferir: evangélicos desde criancinhas.
    (Alem de maçons claro)

  9. Escolhas Mortais:
    Entre uma pessoa terrivelmente cristã, a Damares, e uma pessoa cristã terrível, o bozo, melhor nenhuma.

  10. De acordo com a literatura, as primeiras incursões no conceito de “estado laico” foram devido a John Locke ( 1632 – 1704), filósofo inglês, um dos baluartes do Iluminismo. Praticamente na mesma época, porém na França, Pierre Bayle ( 1647 -1706) escrevia na mesma linha argumentando que teocracias deviam ser evitadas porque fé e razão não se misturam. Finalmente Thomas Jefferson, em 1802, em uma carta à comunidade evangélica de Danbury dizia que a “Declaração de Direitos do Cidadão Americano” (“American Bill of Rights”) impedia o governo teocrático devido às ideias acima já comuns na época dele.

    Até por uma questão de lógica básica, não pode existir um estado com uma religião definida, se a sociedade é multifacetada do ponto de vista religioso. É o caso do Brasil, onde temos desde budistas, umbandistas, até muçulmanos e cristãos. No entanto, depois das últimas declarações de Bolsonaro não há dúvidas, pelo menos do ponto de vista do grupo que domina o estado, que o Brasil é hoje um estado teocrático e a religião é a evangélica, na linha Batista, cujo embasamento é devido à Calvino, o mais radical dos protestantes.

    Destarte, a noção de estado laico é de 1700, digamos, em função dos trabalhos de Locke e Bayle. Alguns analistas têm dito que o Brasil voltaria para trás cerca de 50 anos em função da eleição de Bolsonaro. Ledo engano. Em verdade estamos voltando no tempo 319 anos, isto é, voltamos a 1700. Pode? Sim, no Brasil, pode!

  11. + comentários

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