5 de junho de 2026

Quem será o próximo ‘ministro evangélico do STF’ indicado por Bolsonaro?

Presidente abordou o tema diante de plateia religiosa logo após tratar da questão da homofobia e, ainda, questionar se o Supremo não estaria legislando

Jornal GGN – “Será que não está na hora de termos um ministro do STF evangélico?”, perguntou o presidente Jair Bolsonaro, nesta sexta-feira (31), diante da plateia da igreja Assembleia de Deus Ministério Madureira, em Goiânia (GO).

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No evento, o líder do Planalto disse ainda: “Desculpa o Supremo. Eu jamais atacaria um outro Poder, mas não estão legislando?”, se referindo ao julgamento sobre a criminalização da homofobia em andamento na Corte. As informações são da Folha de São Paulo que cobria o encontro entre o presidente e os evangélicos.

“Existe algum entre os 11 ministros do STF evangélico, cristão?”, completou Bolsonaro. Sabendo que estava sendo observado pela imprensa, o presidente disse que a mídia teria “que desvirtuar algo” da sua fala.

Segundo Bolsonaro, o Estado é laico, mas ele, cristão. “Se me permitem plagiar a ministra Damares, eu também sou terrivelmente cristão”, continuou. Em seguida, se voltou para os jornalistas: “Não me venha a imprensa dizer que quero misturar a Justiça com religião”.

Na semana passada, por maioria (seis votos) o plenário de Supremo decidiu enquadrar a homofobia e a transfobia na lei de crimes de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei sobre o tema. O julgamento não terminou, e deve ser retomado dia 13 de junho, para a votação dos outros cinco ministros. Para ler mais sobre esse tema clique aqui.

Moro, Gebran ou Laus?

A indicação de ministros do Supremo é uma atribuição do presidente da República, mas precisa de aprovação do Senado. Até o final do mandato, Bolsonaro poderá indicar dois novos membros da Corte: em novembro de 2020, quando o decano (membro mais antigo) do Supremo Celso de Mello completará 75 anos (idade de aposentadoria obrigatória), e em julho de 2021, quando será a vez de Marco Aurélio Mello se aposentar.

Em abril, circulou na imprensa que Bolsonaro teria prometido a primeira vaga do STF para o desembargador João Pedro Gebran Neto. No dia 12 de maio, em entrevista ao programa de Milton Neves, da radio Bandeirantes, Bolsonaro disse que fez um acordo com o ex-juiz da Lava Jato e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para indicá-lo a uma vaga no Supremo.

Leia também: Quem está mentido sobre vaga no STF, Moro ou Bolsonaro?, por Ranier Bragon

O jornal Folha de S.Paulo disse que questionou a assessoria da Justiça a respeito da religião de Moro e obteve como resposta que todos ali desconheciam. Questionada pelo GGN, a assessoria do TRF-4 também disse desconhecer a religião do desembargador Gebran Neto.

Na terça-feira (28), Bolsonaro se reuniu com o desembargador Victor Laus, recém-eleito presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O magistrado também não é de expor detalhes de sua vida particular, mas no discurso de posse quando assumiu a presidência da 8ª Turma do TRF-4, em 2003, fez referência à sua religiosidade:

“Humildemente, pedimos a Deus que nos ilumine nessa nova tarefa (…), a fim de que possamos ser, apenas e acima de tudo, um homem-juiz”.

Leia também: Defesa de Lula entra com pedido no TRF-4 para afastar relator da Lava Jato

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14 Comentários
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  1. Naldo

    31 de maio de 2019 5:36 pm

    O que esperar de um presidente que não sabe que o estado é laico????

    As outras religiões deveriam confronta-lo, para ver se o cidadão acorda pra vida, por que não um ministro umbandista ou budista, ou de qualquer ou religião? Que tal em vez de juristas, nomearem padres, rabinos, xamãs, mães e pais de santo, ou profetas de toda natureza?

    O país virou um hospício, com imbecis batendo palmas para doido dançar……

  2. AMORAIZA

    31 de maio de 2019 5:42 pm

    Na dúvida, melhor nomear Salomão que, segundo a bíblia, era justo. Galinha, mas justo.

  3. Edivaldo Dias de Oliveira

    31 de maio de 2019 6:05 pm

    Corram crianças, convertam-se ao protestantismo, de preferencia ao NEO – Malafa, Pedirmaiscedo e outros menos votados – É passo certeiro para alcançar a suprema corte.
    Notório saber? Dane-se

  4. Ugo

    31 de maio de 2019 6:16 pm

    Terrivelmente cristão como o Ulstra, as milícias que te sustentam e financiam, incentiva e semeia ódio…
    Putz…um deus deste que faz e apoia o que quero somente nestas igrejas de bíblia de sovaco.

  5. Anônimo

    31 de maio de 2019 6:18 pm

    Moro será o primeiro a se converter. Vai comparecer ao culto todo dia, afinal Paris bem vale uma missa.

  6. Lúcio Vieira

    31 de maio de 2019 6:27 pm

    Qualquer vindo deste cristianismo desumanitário, pouca diferença faz. Só vai piorar mesmo, porque em sua fé cega, proferirão suas próprias loucuras e gritarão nos ouvidos alheios como sendo “as vontades” de Deus.

  7. Elena

    31 de maio de 2019 6:56 pm

    Nenhum dos que estão sendo cogitados. Bozzó cairá antes!

  8. Fábio de Oliveira Ribeiro

    31 de maio de 2019 7:31 pm

    Além de atacar ferozmente as Universidades Federais, o vagabundo Jair Bolsonaro quer agora destruir a Língua Portuguesa. Ele decretou que os adjetivos ‘miliciano’ e ‘terrorista’ serão sinônimos de ‘cristão’. O candidato a comer lagosta com Dias Toffoli vai matar um membro do STF antes ou depois de ser sabatinado pelo Senado Federal?

  9. Anônimo

    31 de maio de 2019 7:41 pm

    Há muito dexei de ter estes pudores republicanos na hora de avaliar tais decisões. O STF é a instituição mais política do jchile capitalização banco paulo guedesudiciário e os presidentes utilizam as nomeações para fortalecer suas posições.
    esse negócio de estado de direito e laico é formalidade pra enganar bobo. Política no capitalismo é jogo de poder.
    Nada mais natural que Bolsonaro pensar em colocar Moro e/ou um pastor-jurista no STF. Faz parte.
    Nesta seara ninguém é santo e quem deu uma de santo-republicano, como Dilma e Lula, se deu mau. Se o PT queria jogar o jogo democrático da burguesia, que jogasse pra não perder, ainda com uma casta reacionária como o judiciário: tinha que colocar no STF só jurista com produção jurídica de peso (nada de Toffolis nem Carmens) e progressista até a medula, daqueles que não traem suas convicções de esquerda de jeito nenhum, estilo Lênio Streck. Só acertaram com o Levandowsky.
    Se o Bolsonaro está dando uma escorregada é em anunciar que o ministro deve ser evangélico, em vez de ficar calado. Mas isso faz parte do estilo Bozo de governar, fazendo barulho e provocando atrito. No mais, em termos de estratégia política, ele está certíssimo em colocar gente do campo dele lá.
    Bobo foi o PT!

  10. Jus Ad Rem

    31 de maio de 2019 8:17 pm

    Não estaria na hora de um ministro do STF umbandista? Que tal um espírita? Ou até mesmo um budista?
    Vamos democratizar religiosamente o STF…

  11. Carlos Elisio

    31 de maio de 2019 9:03 pm

    “Questionadas pela FSP, as assessorias do MJ e do TRf4 afirmam desconhecer a religião dos indicados pelo cabeça do “bando de malucos”. Mas dá pra inferir: evangélicos desde criancinhas.
    (Alem de maçons claro)

  12. Benjamim

    31 de maio de 2019 9:29 pm

    Já existe um convertido: Deltan Dallagnol

  13. AMORAIZA

    31 de maio de 2019 11:29 pm

    Escolhas Mortais:
    Entre uma pessoa terrivelmente cristã, a Damares, e uma pessoa cristã terrível, o bozo, melhor nenhuma.

  14. Oxenstierna

    1 de junho de 2019 9:21 am

    De acordo com a literatura, as primeiras incursões no conceito de “estado laico” foram devido a John Locke ( 1632 – 1704), filósofo inglês, um dos baluartes do Iluminismo. Praticamente na mesma época, porém na França, Pierre Bayle ( 1647 -1706) escrevia na mesma linha argumentando que teocracias deviam ser evitadas porque fé e razão não se misturam. Finalmente Thomas Jefferson, em 1802, em uma carta à comunidade evangélica de Danbury dizia que a “Declaração de Direitos do Cidadão Americano” (“American Bill of Rights”) impedia o governo teocrático devido às ideias acima já comuns na época dele.

    Até por uma questão de lógica básica, não pode existir um estado com uma religião definida, se a sociedade é multifacetada do ponto de vista religioso. É o caso do Brasil, onde temos desde budistas, umbandistas, até muçulmanos e cristãos. No entanto, depois das últimas declarações de Bolsonaro não há dúvidas, pelo menos do ponto de vista do grupo que domina o estado, que o Brasil é hoje um estado teocrático e a religião é a evangélica, na linha Batista, cujo embasamento é devido à Calvino, o mais radical dos protestantes.

    Destarte, a noção de estado laico é de 1700, digamos, em função dos trabalhos de Locke e Bayle. Alguns analistas têm dito que o Brasil voltaria para trás cerca de 50 anos em função da eleição de Bolsonaro. Ledo engano. Em verdade estamos voltando no tempo 319 anos, isto é, voltamos a 1700. Pode? Sim, no Brasil, pode!

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