Nem Cristo foi onisciente, sempre calçou as sandálias da humildade, por Francisco Celso Calmon

Não será sacrificando a esquerda que o golpismo em marcha será estancado, não será reduzindo o PT que a direita deixará de ser conservadora e reacionária.

Ricardo Stuckert

Nem Cristo foi onisciente, sempre calçou as sandálias da humildade

por Francisco Celso Calmon

Em 5 estados (RG, SC, RJ, ES, SP) onde há dificuldades de acordo entre PT e o PSB, querer que o PT abra mão em benefício do PSB, para ter como troco o apoio do Márcio França ao Fernando Haddad em São Paulo, parece ser um cálculo aritmético simplista demais para ser o que está na aparência: tudo vale para administrar SP e o fazendo habilitar o governador a ser o próximo presidente.

O PT ganhou três eleições sem contar majoritariamente com São Paulo, o que não significa querer reduzir a importância desse estado em qualquer eleição, nem como a maior economia do país e a maior concentração de renda. 

Abrir mão de uma candidatura majoritária em função de outra é racional, mas ceder em função dos benefícios serem para outro estado, é atrofiar os diretórios estaduais, é enfraquecer a personalidade da Executiva de cada um deles, e, por último, é tirar o tesão da militância local.

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Sem candidaturas majoritárias, as dificuldades das proporcionais serem eleitas são imensas, isto é elementar. 

O PT resistirá a tudo isso? A que custo?

Qual a motivação e exercício da democracia interna, se no final nem a voz da militância e nem a de suas lideranças locais têm peso? 

Um partido de áulicos, de seguidores, de cortesãos?

O próximo governo Lula/Alkmin não terá tapete vermelho estendido, não será um mar de rosas, nem na política e nem na economia, por isso, vale ressaltar que são sempre os parlamentares de esquerda, no institucional, e a militância dos partidos de esquerda no social, que constituirão a sustentação da governabilidade.  

Todos os partidos e lideranças que estão apoiando Lula, estão ganhando no presente e ganharão ainda mais no futuro governo, quanto ao PT, é uma interrogação de como sairá destas eleições?

Vamos lembrar que os partidos desde há muito desejam a redução do tamanho do Partido dos trabalhadores.  Será que essa é uma das estratégias que está por trás?

A quem interessa isso, senão àqueles que são contrários ao exercício da luta de classes em prol do empoderamento dos trabalhadores com vistas a alterar a correlação de forças. 

Um grupo expressivo de militantes do ES lançou publicamente a candidatura do senador Fabiano Contarato ao governo do estado, no dia 29 de maio, e no dia 01 de junho publicou uma Carta Aberta aos Diretórios Estadual e Nacional do Partido dos Trabalhadores, a qual reproduzo abaixo:

O PREÇO QUE O ES VAI PAGAR É MUITO ALTO

Desde o Governo de Vitor Buaiz a esquerda espírito-santense não tem a chance de disputar de forma tão pujante e unida o governo do Estado.

Os partidos, durante décadas, se organizaram em torno das importantes candidaturas que foram lançadas. Contudo, nem sempre conseguiram conquistar a unidade e a empolgação necessárias à militância da esquerda capixaba.

O Senador Fabiano Contarato, já demonstrou que tem esse perfil. Empolga. Produz uma unidade nunca vista. A esquerda percebe na sua candidatura a potência e a possibilidade de construir um novo Espírito Santo.

Lutadoras e lutadores sociais, trabalhadoras e trabalhadores, negras e negros, indígenas e populações LGBTQIA+, do campo e da cidade, as juventudes, que querem protagonizar o futuro do Estado, veem a candidatura do Senador como necessária. Não só porque pode unir todos os movimentos sociais, mas porque pode inverter o projeto de desenvolvimento centrado no capital que há 500 anos governa este Estado. Um PROJETO NOVO com cara nova e políticas novas, centradas nas pessoas, na vida em todas as suas potencialidades.

Basta de ES em Ação de Renato Casagrande, Paulo Hartung e outros que apenas exploram o ES. Basta de privatizações. Basta de desrespeito ao meio ambiente. Basta de fechamento de escolas, principalmente as do campo. Basta de extermínio da juventude negra. Basta de feminicídio. Basta, fundamentalmente, da incapacidade de enfrentar as desigualdades sociais.

A direção Nacional e a Estadual do PT não têm o direito de calar a nossa voz.

Moro foi recebido pelo governador como “importante” candidato à presidência. O candidato do PSB participou de uma live com Ciro Gomes. Tem, na coligação que montou, pelo menos três partidos da base do fascista que dirige o Brasil e de outros conhecidos pelo fisiologismo. Quem vai conduzir a campanha de LULA no ES?

Queremos a “dobradinha” que garantirá a retomada da democracia. Sem fascismo, sem vacilações. Com as trabalhadoras, os trabalhadores e os movimentos sociais: Lula presidente e Contarato governador.

A militância capixaba esquenta os tamborins, mas falta o repique da direção nacional.

Em entrevista recente para o ES360.com.br, Contarato declarou: Minha candidatura não tem mais volta. Essa é uma pré-candidatura que será efetivada”. Perguntado se era irreversível? Respondeu que Sim. Na concepção dele estaria fora de cogitação uma ordem de recuo.

O que explica, então, a indecisão da direção nacional? Arriscará ir na contramão da vontade da militância e do pré-candidato? Ceder a um político que destrata o PT  e o Lula?

Não será sacrificando a esquerda que o golpismo em marcha será estancado, não será reduzindo o PT que a direita deixará de ser conservadora e reacionária.

A política não se resume a eleições, os pactos devem ser acordados consoante à correlação de força entre as partes, mas, sobretudo, com o olhar no futuro, para que não volte a acontecer novos golpes e nem ameaças de ditaduras ou autocracias. 

A história ensina, mas está carente de alunos que realmente queiram aprender.

Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça

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