Eunício Oliveira vira alvo da Lava Jato que prendeu Temer

Investigadores apontam que Rodrigo Neves, da Alumi Publicidades, foi sócio do emedebista e ex-presidente do Senado em duas empresas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal GGN – Entre as dez pessoas que foram presas na Operação Descontaminação, deflagrada na quinta-feira (21) pela Lava Jato do Rio de Janeiro estão, além do ex-presidente Michel Temer (MDB) e do ex-ministro Moreira Franco, Rodrigo Castro Alves Neves, responsável pela Alumi Publicidades. Os investigadores encontraram fortes laços entre o empresário e outro nome importante do MDB: o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira. As informações são do Estado de S.Paulo.

O nome da Alumi surge quando João Batista Lima Filho, o coronel Lima, amigo de Temer, também apontado como operador do esquema, pede para Antunes Sobrinho, executivo da Engevix, o pagamento de propina a partir do contrato de projeto de engenharia eletromecânico 01, da usina nuclear de Angra 3.

O recurso seria desviado a partir de uma transferência da Alumi para a PDA Projeto e Direção Arquitetônica controlada pelo coronel Lima. A Alumi se aproximou da Engevix em 2013, demonstrando interesse comercial com a Inframérica, consórcio vencedor da concessão para a reforma do Aeroporto Internacional de Brasília.

Em um depoimento prestado em junho de 2018 ao delegado da Polícia Federal Cleyber Malta Lopes, Sobrinho (Engevix) contou que em todas as vezes que tiveram contato com a Alumi o porta-voz era Rodrigo Castro Alves Neves que também se apresentava como pessoa próxima do senador Eunício Oliveira.

“O depoente nunca se encontrou com nenhum outro representante ou sócio da empresa Alumi; que Rodrigo Neves se apresentava também como pessoa próxima do senador Eunício Oliveira, sendo que Rodrigo Neves dizia que estava disposto a colaborar com os negócios do Aeroporto de Brasília, sendo ele quem levou a melhor proposta para exploração da mídia externa do aeroporto de Brasília, no caso em questão, da empresa Alumi”, escreveram os investigadores com base na declaração de José Antunes Sobrinho.

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A Polícia Federal apurou ainda que, em 2014, por intermédio de Rodrigo Neves a Alumi conseguiu com a Inframérica um contrato privado no valor de R$ 24 milhões para explorar serviço e publicidade de mídia externa do Aeroporto Internacional de Brasília por 6 anos.

Ao verificar a relação entre Rodrigo Neves e o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira os investigadores acabaram descobrindo que os dois aparecem como sócios em duas empresas: a Manchester Serviços Ltda e a Call Tecnologia e Serviços Ltda. O fato confirmaria a versão do executivo da Engevix de que o porta-voz da Alumi é próximo do senador emedebista.

Ainda, segundo Sobrinho, foi por conta do contrato de R$ 24 milhões da publicidade do Aeroporto de Brasília, que a Engevix solicitou para Rodrigo Neves (Alumi) quitar o compromisso de R$ 1,09 milhão com o coronel Lima.

“Esclareceu sobre a situação para Rodrigo Neves, tendo falado para ele que se tratava de quitação de um compromisso assumido pelo depoente para auxiliar o MDB e o vice-presidente Michel Temer; o qual sendo cobrado reiteradamente por João Batista Lima Filho”, contou o delator.

Rodrigo Neves foi solto neste sábado (23) pela desembargadora Simone Schreiber, plantonista do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acolhendo o habeas corpus impetrado pela defesa.

Em nota, seus advogados alegam que a delação de Sobrinho não tem “qualquer base material”, e chamam atenção para o caráter ilegal da prisão, fato sanado com a decisão da desembargadora do TRF-2. “Neves está, como sempre esteve, à disposição das autoridades para esclarecer todos os fatos e demonstrar sua inocência”, afirma a defesa do empresário.

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O surgimento de mais um cacique envolvido na operação deflagrada pela Lava Jato do Rio de Janeiro aumenta o cerco em torno do MDB. A força-tarefa apresentou o caso como o desmantelamento de uma organização criminosa que funcionava há 40 anos.

As prisões, entretanto, ocorreram em meio ao risco de remessa dos inquéritos à Justiça Eleitoral. Mas, para travar essa possibilidade, o juiz Marcelo Bretas misturou três operações para integrar a cúpula do MDB e outros investigados colocando o ex-presidente Michel Temer como líder da organização que não desviava dinheiro exatamente para apoiar as campanhas eleitorais do partido, mas para benefício próprio.

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