21 de maio de 2026

Ex-chefe do Mossad tentou coagir procuradora do TPI por investigar Israel, diz jornal

Ações de Yossi Cohen contra Fatou Bensouda buscaram pressioná-la a abandonar investigação de crimes de guerra em territórios palestinos
נשיא המדינה ראובן רובי ריבלין טקס מצטייני המוסד Yossi Cohen, ex-chefe do Mossad e aliado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Foto: Kobi Gideon / GPO - via Wikipedia

O ex-chefe da Mossad, a agência de inteligência de Israel, ameaçou a ex-procuradora-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI) em diversas reuniões, quando buscou pressioná-la para barrar investigações de crimes de guerra cometidos em territórios palestinos ocupados.

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Reportagem do jornal britânico The Guardian revela que os contatos entre Yossi Cohen, um dos principais aliados do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com a então procuradora Fatou Bensouda ocorreram antes de a jurista abrir uma investigação formal sobre alegados crimes de guerra e contra a humanidade ocorridos na Palestina.

Tal apuração culminou com o anúncio do atual procurador-chefe do TPI, Karim Kahn, na última semana, quando divulgou a busca pela emissão de um mandado de prisão contra Netanyahu e seu ministro de Defesa, Yoav Gallant, por conta da conduta israelense em Gaza. Três líderes do Hamas também foram alvo dessa decisão.

Foco: barrar ações contra Israel

As ações de Cohen tiveram anuência de autoridades israelenses e, segundo um alto funcionário israelense ouvido pelo jornal britânico, justificadas pelo fato de o tribunal representar uma ameaça por conta dos processos contra militares.

O ex-chefe da Mossad atuava como um “mensageiro não oficial” de Netanyahu, e seu objetivo contra Bensouda era comprometer o trabalho da promotora ou coloca-la como alguém que pudesse colaborar com as exigências de Israel.

Embora tais ações tenham vindo a público apenas agora, o caso entre Israel e TPI remonta a 2015, quando Bensouda – então procuradora-chefe do Tribunal Penal Internacional – abriu uma apuração preliminar sobre a situação na Palestina.

Na ausência de uma investigação mais aprofundada, tal inquérito buscou avaliar as alegações de crimes de guerra cometidos em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, levando Israel a temer que seus cidadãos fossem processados por conta das ações do governo.

Diante disso, Israel começou a deixar evidente a sua oposição ao trabalho do TPI, não reconhecendo sua autoridade. Ministros israelenses até prometeram desmantelar o trabalho da Corte.

Bensouda e seus procuradores começaram a receber avisos de que os serviços secretos israelitas estavam muito interessados ​​no seu trabalho, e Cohen tentou persuadir a procuradora-chefe de conduzir seu trabalho.

E os Estados Unidos tiveram participação nessa operação: durante o governo de Donald Trump, foram impostas restrições e sanções contra a procuradora-chefe do TPI em retaliação às investigações conduzidas por ela envolvendo crimes de guerra no Afeganistão.

Entretanto, o então secretário de Estado Mike Pompeo ligou essas restrições à apuração sobre a Palestina, alegando que Bensouda queria colocar Israel em sua mira “com finalidades políticas”.

Tiro pela culatra

Tais sanções foram rescindidas após a posse de Joe Biden na presidência dos Estados Unidos e, em fevereiro de 2021, a câmara de pré-julgamento do TPI emitiu uma decisão confirmando a jurisdição do Tribunal de Haia nos territórios palestinos ocupados.

Na sequência, a investigação criminal foi aberta por Fatou Bensouda e conduzida pelo seu sucessor na procuradoria-geral, Karim Khan. O caso só ganhou status de urgência após as ações do Hamas em outubro de 2023, e a desproporcional resposta israelense.

Os pedidos de prisão anunciados na última semana foram um golpe duro no governo, nas Forças Armadas e no serviço de inteligência israelense, em um sinal que as tentativas de intimidação de Netanyahu falharam.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de maio de 2024 6:39 pm

    Israel age como se fosse uma imensa organização criminosa que se recusa a cumprir suas obrigações internacionais e decisões judiciais. E para piorar os agentes públicos daquele país usam métodos dignos da máfia para coagir autoridades que têm o dever de cumprir e fazer cumprir a Lei Internacional que criminaliza o genocídio. Todos os governos de países membros da ONU já deveriam ter se afastado de Israel, mas a verdade é que existem outras organizações estatais criminosas que aplaudem, apoiam, financiam e fornecem armamentos para os assassinos sionistas. Nenhuma novidade. O III Reich de Hitler também tinha seus apoiadores fora da Alemanha.

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