21 de maio de 2026

Governo Lula opta por se distanciar de escolha do novo presidente da Câmara

Apesar de ser votada em fevereiro do próximo ano, em quase 6 meses, a disputa pela Presidência da Câmara já começou a ser articulada
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Após tentar mediar as discussões sobre o fim das emendas Pix no Congresso, o governo Lula optou por se distanciar da eleição que decidirá o novo presidente da Câmara e lideranças da Casa de 2025. As figuras são decisórias para as articulações das pautas do governo no Legislativo.

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Apesar de ser votada em fevereiro do próximo ano, em quase 6 meses, a disputa pela Presidência da Câmara já começou a ser articulada e há, atualmente, três pré-candidatos para a cadeira: o atual vice-presidente Marcos Pereira (Republicanos-SP), Antonio Brito (PSD-BA) e Elmar Nascimento (União Brasil-BA).

Com dois dos possíveis candidatos da oposição e somente um da base, o PSD, ainda que alinhado à direita e com fortes resistências ao governo, Lula decidiu que o melhor é se distanciar, porque pouco influirá o representante da Casa nos trabalhos que o governo terá que fazer de articulação, com qualquer deles.

Em encontro nesta segunda (26), com lideranças partidárias, sendo 16 da base e outros representantes de bancadas da Câmara, o presidente disse que “não iria opinar sobre um ou outro candidato”, segundo narrou o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

“[Lula] afirmou que os três candidatos, todos eles, têm o apreço, por parte do governo, e que não iria opinar sobre um ou outro candidato. Essa foi uma novidade que ele colocou, a despeito das narrativas e versões que são criadas ou constituídas sobre este ou aquele candidato”, disse Guimarães.

O objetivo, segundo o parlamentar, é que a disputa na qual “todos estamos envolvidos termine bem”.

“E que quem ganhar a eleição será o primeiro a se reunir com ele para discutir a parceria e o respeito institucional entre o Poder Executivo e o Legislativo”, teria acenado Lula.

A fala articuladora e em tom de diálogo foi feita em meio a um dos temas caros ao Congresso, o do fim das emendas parlamentares chamadas “emendas Pix”.

Emendas Pix e parlamentares

Estas emendas permitem que o Executivo pague diretamente por determinada obra ou serviço informado pelo deputado ou senador, escapando de fiscalizações.

Nos últimos dias, o presidente se articulou para tentar chegar a alternativas, junto a lideranças parlamentares, para atender a pedidos de emendas que não fossem dessa modalidade e diminuir a rixa entre o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), mais especificamente o ministro Flávio Dino, que bloqueou as emendas.

Na semana passada, Lula reuniu-se com lideranças parlamentares e ministros do STF para tentar encontrar soluções, enquanto o Congresso entrou com recursos no Judiciário para confrontar as decisões do ministro [relembre aqui].

Nesta segunda, Lula repassou ao ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, responsável por dialogar com os parlamentares, a tarefa de anunciar aos parlamentares que não haverá, efetivamente, mais as emendas pix.

“Definitivamente as emendas Pix, como elas existiam lá, elas não existirão mais”, disse Padilha, a veículos de comunicação. “Vamos instituir emendas de transferência a fundo rastreável, mais transparente”, confirmou, sobre o resultado do diálogo do governo com os parlamentares.

Ao conversar com o presidente, Padilha explicou que o governo entregará nas mãos dos parlamentares a solução para este embate, mas seguindo a orientação de Lula sobre o fim das emendas PIX e novas alternativas para a transparência das emendas.

“Nós acreditamos muito, presidente, que a maturidade desses líderes da Câmara, do Senado, os dois presidentes, com a orientação que o senhor deu para nós, ministros do Executivo, nós vamos construir uma boa saída para esse tema que está em debate junto ao STF”, disse o ministro.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Lauri Guerra

    27 de agosto de 2024 2:44 pm

    E ao mesmo tempo, violando normas constitucionais brasileiras de não interferência em assuntos internos de outros países, continua imiscuindo-se nas eleições da Venezuela. Agora insistindo na convocação de novas eleições (o que nem tem previsão legal naquele país).
    Nem pode alegar que é só opinião dele enquanto indivíduo pois seu assessor Amorim e o o Itamaraty alinharam-se com o golpismo fascista e os interesses imperialistas sobre o petróleo venezuelano. Além disso, um chefe de poder quando emite opinião o faz em nome deste poder.

  2. WWagner Indigo

    28 de agosto de 2024 7:50 am

    Na realidade , Lula não tem poder algum sobre o que quer que seja .

    Veja bem sobre o carão que o Presidente da Anvisa lhe passou , em nota redigida e assinada,
    sobre os remédios . Olhem bem , até um subalterno da ” copa-cozinha” pediria demissão .
    Não comandou a formação do Ministério .
    Não comanda a Politica Externa .
    Não comanda as Forças Armadas.
    Não tem voz sobre a Casa Civil , onde o titular faz e desfaz .
    Por último , Dino ordenou que o Exército fizesse algo sobre as queimadas , escancarando
    a incapacidade deste Governo .
    Onde Lula manda ainda é uma incógnita .

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