do Brasil de Fato
O projeto de lei que trata dos jogos de azar, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, acendeu a discussão sobre benefícios e possíveis consequências da legalização de bingos, cassinos e o jogo do bicho. A proposta passou na última quarta-feira (19) com votação apertada: 14 votos a favor e 12 contrários. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta (21) que sancionará a proposta caso ela avance no Congresso.
As diferentes visões dos parlamentares sobre o tema são ressaltadas por Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). “Há uma visão mais econômica que vai dizer que a existência dos cassinos, o retorno dos bingos e mesmo a legalização do jogo do bicho, poderiam aumentar a arrecadação do governo. Então há senadores que olham por esse prisma”, explica.
“Por outro lado, a grande crítica que se faz é que é um jogo viciante. Muitas famílias são destruídas por dívidas com jogo principalmente nos cassinos e bingos, o que geraria um problema maior. Por isso, a bancada evangélica, que é contra qualquer tipo de vício, se mostrou contra”, expõe o especialista, acrescentando que existe uma divisão de opiniões sobre o assunto dentro dos próprios partidos de esquerda.
O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, depois da aprovação na CCJ, precisa ser apreciado pelo plenário do Senado. Pela ideia, em média, cada estado poderia ter pelo menos um cassino, a depender da quantidade de habitantes. São Paulo contaria com até três.
Embora os chamados jogos de azar possam ajudar a economia brasileira, eles também representam risco de aumento da lavagem de dinheiro, pontua Niccoli, que defende uma revisão do projeto.
“Vai ser uma demanda totalmente elitista. Não se pensou, por exemplo, em levar cassinos a lugares mais pobres, regiões mais distantes, periféricas. Porque, se assim fosse feito, isso dinamizaria bastante a economia de lugares mais pobres. Mas nada disso foi pensado”, pontua. “Então, o que a gente vai ter, na verdade, são mafiosos se transformando em empresários e com uma grande abertura para lavagem de dinheiro. Vamos ver uma corja de milionários e bilionários enriquecendo ainda mais a partir dessa atividade. Se pensou muito pouco na população.”
“Não adianta liberar por liberar. Se não houver um respaldo em termos de projetos sociais para redução da desigualdade e pensar na saúde física e mental dos brasileiros, esse projeto só vai atender a uma elite”, opinou o especialista.
Além disso, a decisão influenciaria a vida política e o processo eleitoral, segundo o cientista político. “A liberação dos jogos é a porta aberta do inferno, exatamente para que mafiosos se transformem em empresários e, de empresários, passem a influenciar ainda mais a vida política. E isso é um problema grave que a gente tem aqui. É um problema também que pode trazer questões de segurança pública. Quem vai, de fato, ter esse direito de ter o cassino?”, questiona.
“Isso pode influenciar eleições e a maneira como a segurança pública age, até mesmo fazendo vista grossa, principalmente a área de investigação, em relação à lavagem de dinheiro”, detalha. “É preciso ter uma regulamentação muito mais rígida, uma cobrança de impostos muito maior sobre as atividades de jogos, exatamente para financiar outras atividades do governo, desde a segurança, saúde pública e, principalmente, a redução da desigualdade social.”
A entrevista completa, feita pela apresentadora Luana Ibelli, está disponível na edição desta sexta-feira (21) do Central do Brasil, no canal do Brasil de Fato no YouTube.
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Paulo Dantas
22 de junho de 2024 10:59 amJogo, privatização de praias.
Junta com milícia , tráfico.
Um estado que não fiscaliza nada.
Isensão paras as Igrejad se calarem.
Impostos, então tá.
Quer £||)€® com o país pelo menos beija
Fabio
22 de junho de 2024 12:38 pmA análise me parece um tanto rasa. Em primeiro lugar, as “mafias” já atuam na política há décadas. Basta ver o setor de transporte público, lixo, milícias, jogo de bicho e até mesmo o narcotráfico. Além disso, na questão da lavagem de dinheiro, o que mais tem são esquemas no mercado financeiro “oficial”. Quanto à questão do vício em jogo, não me parece que a proibição tenha resolvido, ainda mais com a regulamentação das famigeradas bets. Por fim, falar em diminuição das desigualdades via legalização dos jogos de azar é no mínimo exdrúxulo, pois tal atividade não se propõe a isso. É “acusar” um açougue por não vender sapatos.
O tema merece discussões aprofundadas, um controle eficiente, entre outras medidas, mas tenho a opinião de que regulamentar é sempre melhor que jogar a sujeira para debaixo do tapete da ilegalidade absoluta.
José de Almeida Bispo
22 de junho de 2024 2:39 pmPor falar em lavagem de dinheiro e eleições…estou exagerando ou COMEÇOU A TEMPORADA DE ROUBO A BANCOS?
Nos últimos anos eleitorais têm sido uma onda após outra de explosão de caixas eletrônicos e outro assaltos bancários.
E a entrada de elementos desconhecidos, estranhos, em cargos públicos, derramando quantidades exorbitante de recursos nas respectivas eleições, por meio de igrejas, inclusive, o que dificulta em absoluto qualquer ação de fiscalização da Justiça Eleitoral.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
25 de junho de 2024 8:28 amA bancada da bíblia no congresso poderia de vez em quando lê a mesma, pois lá no livro de Josué, a distribuição das terras surrupiadas pelos israelitas, foi decida por sorteio. Para facilitar a pesquisa, leiam os capítulos 13 e 18.