A cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, foi palco de uma catástrofe climática sem precedentes na última sexta-feira (7). Um tornado de grande proporção, classificado pelo Simepar como de nível F3 — com ventos que chegaram a 330 km/h em algumas regiões do estado — deixou um rastro de destruição comparado a um “cenário de guerra”, segundo as autoridades locais.
O fenômeno devastou mais de 90% das edificações da área urbana, provocando colapsos estruturais em residências, comércios e órgãos públicos. Mais de três mil famílias foram atingidas, e o número de casas completamente destruídas ultrapassa 200.
O balanço mais recente da Defesa Civil aponta 773 feridos e seis mortes confirmadas no Paraná. As vítimas são:
- José Neri Jeremias, 53 anos (Guarapuava)
- Claudino Paulino Risse, 57 anos (Rio Bonito do Iguaçu)
- Julia Kwapis, 14 anos (Rio Bonito do Iguaçu)
- Adriane Maria de Moura, 47 anos (Rio Bonito do Iguaçu)
- Jurandir Nogueira Ferreira, 49 anos (Rio Bonito do Iguaçu)
- José Gieteski, 83 anos (Rio Bonito do Iguaçu)
Ação do MST e a mobilização solidária
Em meio ao caos, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) atua em uma força-tarefa nas áreas mais afetadas. Em entrevista ao Jornal GGN, Laureci Leal, um dos coordenadores do movimento na região central do Paraná, explicou que o grupo está prestando apoio essencial às vítimas, desde a liberação de estradas para a passagem de ambulâncias até o acolhimento de famílias e a reconstrução emergencial da cidade.
Com o apoio de brigadas do MST do Rio Grande do Sul, foram montadas duas cozinhas solidárias, que preparam mais de 1.000 refeições diárias para os postos de acolhimento.
Vamos ficar o quanto for necessário com essa tarefa de fornecer alimentação e as brigadas de trabalho. Enquanto não reconstruirmos toda a cidade, todas as comunidades, não iremos nos afastar”, afirmou Leal.
Segundo o membro do MST, todas as escolas, creches e centros esportivos foram completamente destruídos, e as aulas estão suspensas por tempo indeterminado. A comunicação também enfrenta dificuldades devido à queda da maioria das torres de transmissão, e diversas comunidades rurais permanecem sem energia elétrica.

Apoio oficial e doações
O MST atua em conjunto com a Defesa Civil, a Secretaria de Educação, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e a Força Nacional do SUS, que ainda realizam buscas e salvamentos. Há também forte envolvimento das cidades vizinhas, que têm enviado doações de alimentos, roupas e materiais de construção.

O Governo do Paraná e três ministros estiveram na região desde o primeiro dia após o desastre, quando foi decretado estado de calamidade pública. Além disso, o governo estadual anunciou a liberação de R$ 50 milhões do Fundo Estadual de Calamidade Pública (Fecap) para auxiliar na reconstrução e no cadastramento das famílias que perderam suas casas.
Comoção nas redes sociais
A tragédia mobilizou uma onda de solidariedade nas redes sociais. Hashtags como #ForçaRioBonitodoIguaçu e #AjudeParaná viralizaram, impulsionando campanhas de arrecadação. Imagens aéreas feitas por drones que mostram a cidade completamente devastada foram amplamente compartilhadas, reforçando o apelo por ajuda humanitária.
Artistas, influenciadores e figuras públicas também usaram suas plataformas para divulgar PIX oficiais da prefeitura e pontos de coleta, priorizando doações de telhas, água potável, alimentos e, posteriormente, materiais de construção para a reconstrução das moradias.
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