12 de junho de 2026

O desafio geracional de Lula e a necessidade de um Plano de Metas, por Luís Nassif

É imperioso que Lula aponte para o futuro por meio de um Plano de Metas objetivo, construído em torno de vetores concretos
Lula em foto de Marcelo Camargo - Agência Brasil

Lula mantém foco no presente com programas sociais, mas não apresenta visão estratégica para o futuro do Brasil.
Pesquisa Genial/Quaest mostra que jovens rejeitam Lula e são mais independentes, com alta abstenção nas eleições de 2026.
Especialistas sugerem Plano de Metas para atrair jovens e orientar o país rumo a novas indústrias e inovação tecnológica.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Quando surgiu na política brasileira, Lula e o Partido dos Trabalhadores trouxeram uma objetividade pouco vista à época nos partidos de oposição. Defendiam benefícios concretos aos trabalhadores — melhoria salarial, fortalecimento sindical — enquanto a ala mais politizada pensava em mudanças estruturais de modelo. 

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Ao longo de toda sua vida pública, Lula se fiou nesse jogo de amenizar o presente. Com essa bússola, foi responsável por programas inesquecíveis como o Bolsa Família, abriu espaço para uma política educacional extraordinária e preservou o SUS. Mas jamais foi capaz de imaginar o futuro, de desenhar as políticas necessárias para construí-lo. Seu pragmatismo não consegue avançar além dos problemas imediatos.

Esse é o grande nó das eleições de 2026.

De um lado, a polarização garante o voto do antibolsonarismo e de todos os que defendem a democracia. Do outro, o antipetismo arraigado se soma ao avanço de negociatas de toda espécie — dos que miram a privatização das estatais remanescentes às organizações criminosas e à bancada das bets. A barafunda política brasileira colocou a maioria dos partidos a serviço do crime organizado.

O grande desafio é disputar o campo do meio — os nem-nem, nem Lula, nem bolsonarismo. E aqui a visão estratégica de Lula mostra sua limitação: é incapaz de captar esse eleitor. A equipe que elabora o programa econômico recebeu a incumbência de pensar em projetos que melhorem o bem-estar imediato da população. São as mesmas bandeiras do nascimento do PT, num país que experimentou transformações radicais desde então.

O retrato geracional

Os dados da pesquisa Genial/Quaest de março de 2026 — “Análise de atitudes por gerações” — permitem um mapeamento preciso do pensamento do cidadão comum, mais complexo do que o debate político costuma reconhecer e Lula costuma admitir. Os pesquisados foram divididos em quatro gerações:

A Geração Bossa Nova (nascidos até 1964, 23% do eleitorado) viveu a industrialização e a consolidação democrática. 

A Geração Ordem e Progresso (1965–1984, 36%) é filha da ditadura e do “milagre econômico”. 

A Geração Redemocratização (1985–1999, 29%) se formou na abertura política, com expectativa de avanço social. 

A Geração .com (2000–2009, 12%) é marcada pelo impeachment de Dilma, pela crise política e pelo baixo crescimento.

Os dados revelam três tendências que deveriam perturbar o sono da campanha petista.

A primeira é o envelhecimento da base lulista. A avaliação positiva do governo Lula é de 43% entre a Bossa Nova e cai progressivamente até 20% entre a Geração .com. A rejeição segue o caminho inverso: 42% entre os jovens, contra 35% entre os mais velhos. Quanto mais jovem o eleitor, maior a rejeição.

A segunda é a desidentificação política da juventude. A Geração .com é a única em que antipetismo e antibolsonarismo empatam perfeitamente — 28% cada. Ela não comprou a guerra. Observa de fora, com 37% se declarando independentes.

A terceira, e mais explosiva, é o desengajamento. No primeiro turno, 21% dos jovens da Geração .com declaram voto branco, nulo ou abstenção — o maior índice entre todas as gerações. No segundo turno, esse número permanece em 20%. Lula aparece na frente entre os jovens, mas sobre gelo fino.

O quadro por geração é revelador. 

Entre a Redemocratização — adultos economicamente ativos, com maior frustração material —, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente no primeiro turno (35% a 33%) e amplia no segundo (47% a 36%). 

A Geração Ordem e Progresso é praticamente o meio-campo da eleição: Lula 35%, Flávio 29% no primeiro turno; 42% a 40% no segundo. Quem perder esse bloco vai jogar retrancado.

Há ainda um consenso silencioso que atravessa todas as gerações: 46% a 52% de cada uma delas pedem mudança radical. A divergência não é sobre a necessidade de mudar — é sobre quem conduz essa mudança.

A pesquisa revela, no fundo, três Brasis. O Brasil da memória, encarnado pela Geração Bossa Nova, mais lulista e fiel. O Brasil da frustração, representado pela Redemocratização, mais oposicionista. E o Brasil da ruptura, habitado pela Geração .com — impaciente, menos polarizada, mais propensa à abstenção.

A necessidade de um Plano de Metas

Diante desse quadro, a resposta não pode ser mais do mesmo. É imperioso que Lula aponte para o futuro por meio de um Plano de Metas objetivo, construído em torno de vetores concretos: as terras raras, os data centers, a economia da Amazônia, as políticas de bem-estar de nova geração.

Quando eu tinha 15 anos — já em regime ditatorial — pensava em ser engenheiro eletrônico ou físico nuclear, profissões que praticamente não existiam anos antes, mas que haviam sido plantadas pela visão de futuro de Juscelino Kubitschek. Nos próximos anos, a geração formada nas universidades e institutos federais terá espaço na cadeia produtiva das terras raras, nas novas indústrias projetadas, na pesquisa da bioeconomia amazônica, no fornecimento de insumos para energia solar. Há um novo Brasil no rascunho — precisando apenas de uma cartela de lápis de cor para ser colorido por Lula num programa econômico à altura do momento.

Esse desenho de futuro se espalharia primeiro entre os jovens, que enxergariam novas profissões e o renascimento industrial no horizonte, e depois pela população em geral. Um Plano de Metas teria consequências precisas: daria um norte à reação progressista, hoje errática e sem saber escolher seus alvos; resolveria o maior problema estrutural do país, que é a descoordenação; criaria setores inteiros da economia; definiria o caminho tecnológico; induziria o setor privado a ingressar nos novos segmentos, reduzindo seu risco; e daria direção política ao Estado.

Principalmente, permitiria criar uma sensação de construção do futuro — essencial para devolver o otimismo ao país e, não por acaso, para reconquistar exatamente os eleitores que a pesquisa mostra à deriva: jovens impacientes que querem ruptura, mas ainda não têm para quem olhar.

1) POSICIONAMENTO POLÍTICO (identidade)

GeraçãoLulistaDireita (Bolsonarista + não)IndependentesLeitura
.com11%~32%37%Mais “descolada” dos polos
Redemocratização15%~38%32%Centro mais instável
Ordem e Progresso19%~40%32%Levemente à direita
Bossa Nova30%~30%29%Mais pró-Lula

A polarização clássica é mais forte nos mais velhos. Os jovens são mais “soltos” — ou, traduzindo: menos fiéis e mais voláteis.

2) AVALIAÇÃO DO GOVERNO LULA

GeraçãoPositivoNegativo
.com20%42%
Redemocratização25%47%
Ordem e Progresso35%41%
Bossa Nova43%35%
  • Quanto mais velho → mais pró-Lula
  • Quanto mais jovem → mais rejeição

Isso é um alerta estratégico: o lulismo tem base envelhecida.

3) SENTIMENTO POLÍTICO (anti quem?)

GeraçãoAntipetistaAntibolsonaristaNeutros
.com28%28%28%
Redemocratização28%36%24%
Ordem e Progresso32%30%23%
Bossa Nova38%29%21%

A geração jovem é a única com equilíbrio total entre rejeições.

Ou seja: não comprou a guerra — observa de fora.

4) DEMANDA POR MUDANÇA

GeraçãoQuer mudança radicalManter como está
.com48%9%
Redemocratização52%8%
Ordem e Progresso46%13%
Bossa Nova36%16%

Existe um consenso silencioso:
o país precisa mudar — e rápido

A divergência é quem conduz essa mudança, não a necessidade dela.

5) INTENÇÃO DE VOTO (1º turno)

GeraçãoLulaFlávio BolsonaroBranco/nulo
.com36%28%21%
Redemocratização33%35%15%
Ordem e Progresso35%29%14%
Bossa Nova41%26%15%
  • Lula lidera em quase todos
  • MAS…
  • Jovens têm a maior fuga do sistema (abstenção/nulo)

Isso é dinamite eleitoral — não é voto opositor, é desengajamento.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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4 Comentários
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  1. Jose carlos lima

    2 de maio de 2026 6:21 pm

    Dinastia Bozzo – Agentes espúrios de interesse que não os do povo brasileiro e sim dos EUA
    
    Não podemos nos submeter ao tecnofascismo, que é o uso da máquina e da Big Tech como instrumento da superestrutura (sistemas midiático, penal, religioso e educacional) a construir a subjetividade das massas e a conquistar corações e votos mediante a propagação de falsas narrativas
    
    Os EUA são um exemplo claro de Estado Tecnofascista, que usa as novas tecnologias para dominar e colonizar países que possam lhes fornecer matéria prima barata, de preferência roubada (vide o que os EUA fizeram com a Venezuela, hoje considerada por Trump como um protetorado dos EUA)
    
    Os EUA uma colonização predatória, daí o apoio a Lava Jato pra destruir a indústria de defesa, as empreiteiras, a indústria naval, a eletronuclear, a indústria do petróleo, etc
    
    Com Dilma éramos a 6a economia do mundo e caminhávamos pra 5a posição, o que assustava os EUA
    
    Veio o golpe e no final do desgoverno Bozzo tudo havia sido entregue aos EUA e as empresas americanas e havíamos caído pra 13a economia, conforme o planejado pelos EUA
    
    Para os EUA a pedra no caminho se chama Lula e por isso conspirarão novamente para, de novo, nos destruir e impedir que nos tornemos concorrentes deles e das empresas ianques no comercio exterior, tendo sido este o motivo dos golpes de 1964 e 2016
    
    Ao contrário dos EUA, a China faz com que os países com os quais ela se relaciona cresça também, nao que devamos ser colonizados pela China, mas tem essa dif

  2. Vertas

    3 de maio de 2026 9:12 am

    A organização de metas exige diálogo urgente com os trabalhadores e estudantes, lulistas e não lulistas ,prioritariamente dos seguintes campos: magnetônica, eletrônica. Energia solar, engenharia soberana de inteligência artificial,produção de hidrogênio, produção biotecnológica com uso de conhecimento tradicional, Hortifruticultura e pecuária orgânicas,agroflorestas,mobilidade urbana com incentivo ao desenvolvimento de pequenas e médias cidades, infraestrutura ferroviária, turismo, agroindústria ecoturismo, gastronomia, artes de qualidade, combate ao analfabetismo funcional, universalizacão de creches e pré escolas,ensino técnico público profissionalizante de qualidade, medicinas complementares e medicinas psicossomáticas para tratamento da saúde física e mental.

  3. César Rocha

    3 de maio de 2026 11:14 am

    Não se espere nada de transformações estruturais do Lula! Ele sempre governou segundo as conviências das classes dominantes – que controlam o aparato estatal e a mobilidade social, lato sensu. Os governos petistas – Lula e Dilma – foram tentativas de “social-democracia” è direita. Evitaram o tempo todo o enfretamentos e/ou confronto com o status quo, isso permitiu que frações do “lado de lá” “aderissem” ao governo que se pautava pela ordem estabelecida. Resultado da governabilidade: o inimigo entre sala do “poder” petista! Ora, tais grupos perceberem que o Lula é um “leão sem dentes”. Com efeito, o “rugido”, ou seja, o apoio eleitoral, decorrreu mais (em 2026 – menos) de ganhos de simpatias, auferidos em decorrência do maketing político e não de “avanços” político-ideológico nos “campos de “centro” e/ou “esquerda” que forçassem o Governo a implementar políticas públicas de efetividade democrática – redistruição estrutual da riqueza social. Os governos petisitas foram incapazes de fazer valer as disposições do “Títulos VII E VIII) constitucionais da CF-1988. Optou-dr por acomoda taticamente às políticas mitigadoras (Bolsa Família) e aderiu por conveniências à pautas identitárias das minorias ruidosas e bem organizadas em seus pleitos. Entretanto, isso abriu o flanco político-midiáticos para as táticas de desinformação daqueles segmentos sociais de ocasião, que as mídias alternativa progessista – chama de extrema-direita; mas tais grupos são despossuidos das ideologicas “de direita” – fazem uso de conteúdos vocabulares para fomentar o ressentimento e enganarem os desilutidos com a Politica – e acobertam as ações contumazes de “roubo” do Erário (orçamento) Público e dilapidação dos Bens Públicos (concessões/privativações estaduais…), cujas consequências são o enfraquecimento do Setor Público – invibilizando-o em prover bem-estar social – o Bem-Comum. Em 2026, Lula está velho, daí o medo “do novo que sempre vem” (versos do Belchior)… novo que seria o velho de sempre: a direita no poder central da República.

  4. emerson57

    13 de maio de 2026 8:31 am

    Sem plano de metas claro com ampla divulgação, assim que conseguirem remover o Lula, em dois meses retornaremos ao mapa da fome e da irrelevância.
    A extrema direita entreguista espera esse dia como jacaré na beira do rio: de boca aberta!

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