O ex-ajudante de ordens da Presidência, tenente-coronel Mauro Cid, confirmou à Polícia Federal (PF) que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi monitorado ilegalmente por um núcleo de inteligência, parte da estrutura do grupo que tentou dar um golpe de Estado para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Poder.
Segundo o Globo, Cid afirmou que esse núcleo de inteligência era formado por ele, o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno; e pelo coronel do Exército, Marcelo Câmara.
A nova revelação foi feita durante depoimento prestado à PF, na segunda-feira (11). Esta foi a quarta vez que Cid foi ouvido pelos investigadores que apuram a trama golpista, mediante acordo de delação premiada.
De acordo com a reportagem, Cid explicou à PF as circunstâncias em que foi realizado o monitoramento.
O monitoramento ilegal
Um relatório da PF, que serviu como plano de fundo para a operação Tempus Veritatis, autorizada por Moraes, apontou que o general Augusto Heleno teria sido o responsável por acompanhar os passos do ministro, com ajuda de Cid e Câmara.
A ação era parte do plano para consumar o golpe. O monitoramento detalhado do itinerário e deslocamento do ministro tinha objetivo de facilitar sua prisão imediata, após a assinatura de um decreto golpista.
“Os membros teriam monitorado o itinerário, o deslocamento e a localização do Ministro do Supremo Tribunal Federal e então chefe do Poder Judiciário Eleitoral, Alexandre de Moraes, e de possíveis outras autoridades da República, com o objetivo de captura e detenção, nas primeiras horas que se seguissem à assinatura do decreto de golpe de Estado”, afirmou a PF.
Os investigadores identificaram que Câmara e Cid utilizavam o codinome “professora” para se referir a Moraes. Além disso, os registros de deslocamento do ministro entre Brasília e São Paulo coincidem, inclusive, com os relatos dos ex-assessores de Bolsonaro e com as reuniões feitas no Palácio da Alvorada para discutir a “minuta do golpe”.
“Considerando que a minuta do decreto que declarava o Golpe de Estado previa a prisão do ministro Alexandre de Moraes, o acompanhamento e monitoramento da autoridade — inclusive durante o Natal (24/12/2022) — demonstra que o grupo criminoso tinha intenções reais de consumar a subversão do regime democrático, procedendo a eventual captura e detenção do Chefe do Poder Judiciário Eleitoral“, afirmou Moraes em decisão, a época da operação Tempus Veritatis.
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