21 de maio de 2026

Pesquisas: será que os nem-nem se dividiram em partes iguais?, por Gunter Zibell

O que temos de concreto é que a deterioração da diferença pró-Lula foi uma constante este ano e que aconteceu em todos os institutos

Pesquisas: será que os nem-nem se dividiram em partes iguais?

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por Gunter Zibell

Rolou 53% no Datafolha. Coerente. E o DF costuma ficar entre Ipec e Poderdata. E talvez a melhor previsão (o erro médio do DF de 2006 a 2018 foi 1 pp.)

Os institutos estão sendo questionados por não terem percebido uma rápida aproximação do gap “L” menos JMB nos dois dias anteriores ao 1º turno.

Bom, isso não é inédito. Em 2022 essa aproximação (no Datafolha) foi de 7,4%. Mas em 2018 foi de 6,0% e em 2014 foi de 7,2%.

E, provavelmente, deve-se tanto a não considerar:

– abstenção diferenciada (digamos que seja responsável por 2 pp)

– como por não prever um voto útil mais rápido a favor da proposta conservadora (digamos outros 2 pp)

– como também um ainda mal-avaliado “voto envergonhado” conservador.

De qualquer modo, se as dimensões do erro são parecidas em três eleições distintas, o ponto é que devia ser discutido já desde 2014, não apenas agora.

Outra coisa importante: após a corrida os votos deixam de ser tão envergonhados e há convergência nas tendências das várias metodologias.

O que temos de concreto é que a deterioração da diferença pró-Lula foi uma constante este ano (talvez por recuperação da imagem de JMB com programas sociais, redução da inflação) e que aconteceu em todos os institutos (no momento apenas 4 com pesquisas após 1º turno).

De meados do 2º semestre/2021 para o começo de 06/2022 a média de votos válidos para Lula caiu 2,6 pp. Daí para início de 09/2022 caiu mais 3,2 pp. E, finalmente, para as pesquisas divulgadas em 05 e 06.10, caiu-se mais 3,1 pp.

A média de 5 pesquisas nsta semana foi 53,0%, o mesmo que se calcularmos apenas Lula e JMB no 1º turno. É como se os nem-nem tivessem se dividido em partes iguais.

Se isso continuará até a eleição? Não dá para saber. Mas podemos lembrar que em outros anos houve ou estabilização ou mesmo pequeno crescimento a partir da 1ª semana de entreturnos.

Em 2010 montei um gráfico para mostrar isso. Para comparar com agora só é válido o período a partir do 1º turno (não tenho o histórico das simulações anteriores de 2º turno). Como este ano, o período de entreturnos foi de 4 semanas.

O lado mais alegre da vida, no entanto, vem aqui.

Em 2014, na primeira semana do entreturnos, houve pesquisas que chegaram a entusiasmar a campanha de Aécio, mas no final Dilma venceu com estreita margem. (Em 08 e 14/10, Ibope, e em 09 e 15/10, Datafolha, as quatro pesquisas apontaram Aécio 2 pp na frente de Dilma. E não houve críticas aos institutos quando a eleição terminou com Aécio 3 pp atrás.)

E em 2018 também houve alguma recuperação de Haddad. (A Datafolha de 10/10 apontou 58% para JMB, a Ibope de 15/10 apontou 59%. E então também não houve acusação de superestimativa ao se ver o resultado final de 55%.)

Esses números são encontráveis aqui:

https://www.poder360.com.br/pesquisas-de-opiniao/

Minha hipótese: o entusiasmo do público anti-PT se manifesta em algum momento curto para tentar virar o resultado (ou no caso de 2018, amplificar a vitória). Isso sempre e com certeza na semana anterior ao 1º turno (como visto no 2º link acima).

E em 2014 e 2018 continuou acontecendo no início do entreturnos, mas depois refluiu. Em 2022 ainda não vimos. E em 2006 aconteceu até o contrário, com Alckmin recebendo menos votos que no 1º turno.

Ou seja… Em 2014 Aécio pulou de 34 para 52% em dias (retornou ao final a 48,4%). Em 2018 JMB pulou de 46% para 59% em dias também (e retornou ao final a 55,1%.) Mas em 2022 JMB apenas cresceu (por enquanto) de 43% para 47%.

Uma curiosidade que não tem validade estatística, pois apostas são baixas em valor (R$ 4 MM até agora) e envolvem espírito de torcida: na Smarkets não houve oscilação na posição de Lula este ano.

https://smarkets.com/…/brazilian-presidential-election…

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepauta@jornalggn.com.br.

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