A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (25), a Operação Vassalos, que investiga um sofisticado esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações envolvendo o uso de emendas parlamentares. Entre os principais alvos da ofensiva estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e seus filhos, o deputado federal Fernando Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.
A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), mobiliza agentes para o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. As investigações apontam que o grupo teria movimentado cifras bilionárias em recursos públicos.
O braço empresarial e o “orçamento secreto”
No centro do esquema está a Liga Engenharia, empresa que, segundo a PF, teria sido beneficiada por licitações direcionadas. Dados do portal Transparência indicam que a companhia recebeu cerca de R$ 74 milhões provenientes das chamadas “emendas de relator” entre 2019 e 2024.
Os contratos sob suspeita foram firmados principalmente com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).
A Codevasf, em particular, possui uma superintendência em Petrolina historicamente influenciada pela família Coelho. Um ex-assessor do senador, Aurivalter Cordeiro da Silva, que chefiou a estatal na região, também é alvo da operação.
Asfalto e cartéis
Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam acendido alertas sobre a atuação da empreiteira. A CGU identificou superfaturamento em obras onde a espessura do asfalto entregue era inferior à contratada. Já o TCU apontou indícios de que a Liga Engenharia atuava em cartel, combinando preços com outras empresas para fraudar concorrências públicas.
De acordo com a PF, a organização criminosa funcionava em etapas:
- Direcionamento: Editais eram moldados para favorecer empresas vinculadas ao grupo.
- Desvio: Parte do valor dos contratos era retida ilegalmente.
- Lavagem: O montante era convertido em vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.
“A investigação aponta para existência de uma organização composta por agentes públicos e privados suspeita de desviar recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, por meio do direcionamento de licitações para empresa vinculada ao grupo, com posterior utilização dos valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio”, afirmou a PF em nota.
Defesa contesta medidas
Em nota, o advogado André Callegari, representante de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, criticou a falta de acesso prévio aos autos.
“A defesa ainda não teve acesso à decisão do ministro Flávio Dino. Os mandados vieram desacompanhados dos motivos que ensejaram as medidas cautelares. Após o acesso aos autos, a defesa irá se manifestar“, declarou o advogado.
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