A Polícia Federal deflagrou na manhã desta sexta-feira (6) a Operação Zona Cinzenta, que investiga suspeitas de irregularidades na gestão de recursos da Amapá Previdência (Amprev). A ação foca no aporte de aproximadamente R$ 400 milhões em Letras Financeiras (LFs) do Banco Master, instituição que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro do ano passado devido a uma crise de liquidez.
Agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara Federal do Amapá. Entre os alvos estão o diretor-presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos, e dois membros do comitê de investimentos, Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves. A PF apura se houve crimes de gestão temerária e fraudulenta.
Decisões sob suspeita
A investigação aponta que as decisões favoráveis aos aportes milionários ocorreram em três reuniões realizadas em julho de 2024. O foco dos investigadores é determinar se a diretoria da Amprev ignorou alertas técnicos sobre o risco elevado das operações.
As Letras Financeiras são títulos de investimento que não possuem a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que as torna incompatíveis com a finalidade de preservação do patrimônio previdenciário dos servidores.
“A PF considera que essas operações financeiras, supostamente irregulares, ‘expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade’”, informou a corporação.
O inquérito busca reconstruir a cadeia decisória para verificar se houve supressão de pareceres contrários antes da aprovação dos investimentos.
Conexão com o Rio de Janeiro
O caso no Amapá não é isolado e guarda semelhanças com o esquema investigado no Rioprevidência. Na última terça-feira (3), o ex-presidente do fundo fluminense, Deivis Marcon Antunes, foi preso temporariamente na Operação Barco de Papel. No Rio, o volume de recursos destinados ao Banco Master chegou a R$ 970 milhões.
A PF agora cruza dados da Zona Cinzenta com a Operação Compliance Zero, que apura um esquema amplo de irregularidades envolvendo o conglomerado financeiro de Daniel Vorcaro e institutos de previdência estaduais. No Amapá, os materiais apreendidos, incluindo documentos e dispositivos eletrônicos, passarão por perícia técnica e análise contábil.
Até o momento, as defesas de Jocildo Lemos, Jackson Oliveira e José Milton Gonçalves não se manifestaram sobre as buscas. A Amprev também não emitiu posicionamento oficial sobre a operação.
Jicxjo
7 de fevereiro de 2026 9:57 amPF deveria ter batizado as diligências de “Operação Messias”. Pelo visto, Alcolumbre vai voltar do Carnaval bem estressadinho com o governo, agora talvez sem esconder o verdadeiro motivo.