Ronnie Lessa disse que, para matar Marielle, foi “chamado para uma sociedade”

Patricia Faermann
Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.
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Execução era para tirar "pedra no caminho" da milícia da zona oeste do Rio, que buscava lucrar com loteamentos clandestinos

Montagem Ronnie Lessa e Marielle Franco

O ex-PM Ronnie Lessa afirmou que não foi “contratado para matar a Marielle [Franco] como um assassino de aluguel”: “eu fui chamado para uma sociedade”.

A declaração foi dada em um depoimento de Lessa, dado à polícia e transmitido pelo Fantástico, na TV Globo, sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, a mando dos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

Segundo ele, a morte era para tirar “a pedra no caminho” da milícia da zona oeste do Rio de Janeiro de lucrar com loteamentos clandestinos, onde seriam instalados outros serviços para a exploração financeira, como a venda de gás e transporte de moradores da comunidade, que seria controlada pela milícia.

“A Marielle foi colocada como uma ‘pedra no caminho’. Ela teria convocado algumas reuniões ou uma reunião com várias lideranças comunitárias, se não me engano, no bairro de Vargem Grande ou Vargem Pequena, em Jacarepaguá, justamente para falar sobre essa situação, para que não houvesse adesão a novos loteamentos da milícia”, disse.

“Isso foi o que o Domingos passou para a gente: ‘A Marielle vai atrapalhar e nós vamos seguir isso aí. Para isso, ela tem que sair do caminho’”, continuou.

Como pagamento para a morte de Marielle, Lessa receberia um loteamento clandestino na zona oeste do Rio de Janeiro, cujo valor equivalia a R$ 100 milhões.

“Era muito dinheiro envolvido. Na época, ele falou em R$ 100 milhões que, realmente, as contas batem. R$ 100 milhões seria o lucro do loteamento. São 500 lotes de cada lado. Na época, daria mais de US$ 20 milhões. (…) Ninguém recebe uma proposta de receber US$ 10 milhões simplesmente para matar uma pessoa.”

No depoimento transmitido pela TV Globo, Lessa também menciona Macalé, o ex-PM Edmilson de Oliveira, assassinado como queima de arquivo da investigação da morte de Marielle, em 2021. Segundo o miliciano, Macalé era um de seus comparsas no crime.

Ronnie Lessa não falou à polícia, no trecho divulgado, sobre o envolvimento de outros milicianos no crime. Até o caso ser desvendado este ano, Ronnie Lessa alegava inocência e garantia que a intermediação do crime foi feita pelo ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega, que foi executado em fevereiro de 2020, miliciano que tinha ligação com a família Bolsonaro (leia aqui).

Ronnie Lessa ainda não foi condenado, mas está preso na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, desde dezembro de 2020.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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