4 de junho de 2026

Salles acha que é o presidente da CPI do MST e dita como funcionará os trabalhos da comissão

Além de show de arrogância do relator, dois ex-integrantes do movimento não souberam dar informações estratégicas sobre o MST.
Nelcilene Reis e Ivan Xavier são ouvidos na CPI.
Crédito: Myke Sena / Câmara dos Deputados

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se reuniu nesta terça-feira (30) para ouvir o relato de Nelcilene Reis e Ivan Xavier, ambos ex-participantes do movimento.

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Porém, já no início dos trabalhos, o relator Ricardo Salles (PL-SP) decidiu ditar a metodologia dos trabalhos da audiência pública após questionamento da deputada Sâmia Bomfim (PSol-SP) sobre o uso do tempo.

“Salles pode usar os 10 minutos para fazer perguntas, mas as respostas não são descontadas”, observou a deputada para garantir que os demais parlamentares tivessem o mesmo direito.

“Não, não é certo, porque enquanto eu pergunto corre o tempo”, respondeu o relator, ainda que a pergunta fosse direcionada ao presidente da CPI, o Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS).

Zucco então decidiu intervir. “O relator faz a pergunta e será descontado o tempo. Quando a nossa convidada faz a resposta, o tempo será congelado para resposta e assim se dará com todos os deputados.”

Sem legitimidade

Apresentados como ex-integrantes do acampamento Santa Maria, Nelcilene Reis e Ivan Xavier fizeram parte do movimento entre 2016 e 2019. “Não aceitávamos a maneira como éramos tratados. Éramos massa de manobra do MST”, justificou Nelcilene.

Xavier preferiu não se manifestar. Já Nelcilene afirmou ser o “financeiro” do acampamento por tomar conta das finanças do mercadinho local.

Em suas respostas, a convidada apontou uma série de crimes supostamente cometidos pelo MST, mesmo sem saber qual foi a estratégia de ocupação do acampamento, pois quando se juntou ao grupo, “a área já tinha sido invadida”.

Sessão anulada?

Nelcilene sequer participou da reuniões políticas do acampamento e afirmou ter visto a visita de uma deputada, apenas uma vez.

Também tentou indicar uso inadequado das finanças ao dizer que o dinheiro do mercadinho era usado para abastecer os veículos dos líderes do acampamento.

Depois de três horas de questionamentos dos deputados ruralistas, os convidados se retiraram da CPI sem responder os parlamentares governistas. Estes, defenderam que a audiência seja anulada.

Mais convidados

A CPI também aprovou o convite de outras seis pessoas para participar dos trabalhos. Uma delas é o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), por ter dito que no Estado “não há invasão de terras”.

Foram convidados também: Francisco Graziano Neto e Geraldo Melo Filho, ex-presidentes do Incra; o professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) José Geraldo de Souza Junior e a especialista em Medicina do Trabalho Raquel Rigotto, ambos com a tarefa de apresentar o diagnóstico da situação agrária do País.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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