10 de junho de 2026

Tarcísio de Freitas e a incapacidade visceral do jornalismo, por Luís Nassif

Basta pronunciar as palavras “corte de gastos” para ser consagrado pelo terraplanismo econômico e administrativo de um jornalismo de slogans.

Aí vem os editoriais dos três jornais – Folha, Estadão e Globo – saudando Tarcisio de Freitas como grande gestor, porque anunciou corte de despesas e investimentos em São Paulo.

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Não detalhou os cortes, a não ser o corte por represália à Fundação Padre Anchieta e o corte à Casa do Menor, antiga Febem.

Nada mais disse, nem lhe foi perguntado. Basta pronunciar as palavras “corte de gastos” para ser consagrado pelo terraplanismo econômico e administrativo de um jornalismo de slogans.

Aí, vão aparecendo os fatos.

  1. Em 2023, educação em São Paulo cai ao pior nível desde 2014, 
  2. O Painel da Folha mostra que o programa federal Pró-Trilhos, lançado com toda pompa por Tarcísio/ em setembro de 2021, como Ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, jamais saiu do papel.  Até hoje não gerou um quilômetro de ferrovias sequer.
  3. O ajuste fiscal – que tanto encantou os editorialistas dos jornais – não passa de uma renegociação das dívidas dos estados com a União, uma excrescência criada pelo governo FHC e que o ministro da Fazenda Fernando Haddad está tentando corrigir.

Mas para os bravos editorialistas, não há necessidade de comprovação, análise de gestão, análise de histórico do gestor, apuração de resultados práticos. Basta a retórica. Ou então, como a Velhinha de Taubaté, acreditar nos sucessivos factoides que pavimentaram a carreira pública de Tarcísio de Freitas.

Pergunto: é assim que pretendem cumprir a missão histórica do jornalismo? Um pouco de pesquisa histórica, de como o jornalismo foi visto, como um dos pilares das sociedades democráticas:

“A missão histórica do jornalismo é informar, educar e entreter o público, além de servir como um contraponto ao poder e como um guardião da democracia. O jornalismo tem o papel fundamental de investigar, relatar e analisar os eventos e questões importantes da sociedade, garantindo que a população tenha acesso a informações precisas e relevantes para formar suas opiniões e tomar decisões informadas. 

Além disso, o jornalismo também deve fiscalizar o poder público, denunciar abusos, injustiças e corrupção, e dar voz aos grupos marginalizados e minoritários. Em resumo, a missão histórica do jornalismo é promover a transparência, a accountability e a liberdade de expressão em uma sociedade democrática”.

O endosso cego à retórica de Tarcísio, junto à falta completa de avaliação sobre sua história e, mesmo, sobre o que entregou em quase um ano e meio de gestão, cumpre com as responsabilidades do jornalismo? Ou o jornalismo é utilizado apenas para fins políticos e para interesses pessoais.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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7 Comentários
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  1. Naldo

    2 de junho de 2024 1:42 pm

    Esse jornalismo já morreu… simplesmente…
    Vão cortar esse meu comentário também?

  2. fabricio coyote

    2 de junho de 2024 1:52 pm

    os governos de são paulo, e de todos os outros entes federados, somente se sustentam se sustentarem os conglomerados de notícias, tirante o fato de quê a folha é um banco, com o pagseguro, globo itaú e os demais penduricalhos do erário. isso pq o espectro eletromagnético é público e concedido. agora avançaram sobre as praias, pois o subsolo já está privatizado…

  3. Djalma S Oliveira

    2 de junho de 2024 3:26 pm

    O jornalismo é utiliado apenas e tão somente para fins políticos, pessoais e econômicos de quem controla os meios de comunicação no Brasil e no mundo e Tarcisio de Freitas, assim como o bozo, representa e sempre representará os anseios e aspirações dessa gente.
    Corte de gastos sociais representa que o pobre continuará pobre e é isso mesmo que gente essa almeja, mão de obra barata e abundante. Essas pessoas não estão interessadas em distribuir riqueza e renda. O jornalismo é parte do sistema de exclusão.

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    2 de junho de 2024 3:34 pm

    Semana que vem a Folha de São Paulo certamente conseguirá recolocar Tarcísio de Freitas no topo do Twitter-X ao dizer que ele será o árbrito do conflito entre Luana Piovani e Neymar. O jornalismo não afundou na irrelevância, o que ele faz agora é transformar coisas irrelevantes em crises ou soluções políticas.

  5. jossimar

    3 de junho de 2024 8:21 pm

    Os jornalões, a globo, CNN e outras emissoras de TV são hoje agências de propaganda neoliberal e os jornalistas são marketeiros.
    O jornalismo acabou para eles. Vamos ver para onde estão levando o mundo. Olhem as desgraças que estão acontecendo em todo o mundo e o jornalismo desse pessoal esconde todos os impactos negativos ou que possam gerar comoção e revolta na população.
    E quem ousar falar qualquer coisa contrária ao pensamento imposto por eles não conseguirá progredir na profissão de jornalista de verdade.
    Vc vê algum jornalista sério trabalhando nestes locais? Só os penas de aluguel.

    1. ed.

      3 de junho de 2024 10:55 pm

      ATENÇÃO!
      Obrigado pela republicação do meu comentário, mas ela se repetiu truncada. Percebi então que o caracter “menor que” e “maior que”, colocados antes de 1% e 99% eliminou todo texto depois de “menor que 1%” e “maior que 99%”.
      Peço portanto que delete os comentários duplicados e truncados e republique o que se segue, agora sem os sinais que causaram o problema. Obrigado.

  6. ed.

    3 de junho de 2024 10:56 pm

    Eu “discordo”!
    Primeiro porque não é “incapacidade”, é dolosa assessoria ao neoliberalismo, financismo e proteção à submedíocre elite dos cerca de 1%, onde as famiglias miRdiáticas se inserem.
    Segundo porque eu sou 100% FAVORÁVEL ao “corte de gastos”!
    Gastos com o SERVIÇO DA DÍVIDA! (o da corrupção e dos privilégios públicos são ainda mais difíceis).
    E continuar INVESTINDO (não são “gastos”) no “resto” da sociedade brasileira, os mais de 99% de seres vivos que carregam esse país nas costas para manter privilégios dos menos de 1%.
    Quanto reduzir? 0,25%? 0,5%? 1%? NÃO!
    Para uma inflação de ~4%, uma Selic de 6% (-4,5% ou >170 BILHÕES*) é uma bela redução de “gastos”, o que deveria deixá-los felizes, némêz?
    Por que não, né?
    (*): É o dobro do que pretendem economizar com os gastos do INSS

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