Velha questão: direita unida, esquerda estilhaçada. Vol. 1: Por quê?, por Romulus

Velha questão: direita unida, esquerda estilhaçada. Vol. 1: Por quê?

Por Romulus

– O mito do conflito entre irmãos ao ponto do fratricídio povoa a psique humana desde sempre: Seth e Osíris, Caim e Abel, Esaú e Jacó, Romulo (opa!!) e Remo…

– Esquerda e direita: de um lado, guerra fratricida. Do outro, irmãos trabalhando (juntos) em uma empresa familiar.

– A distância entre a “vaidade” na esquerda e o “preço” na direita.

*   *   *

De um lado guerra fratricida. Do outro, agem como irmãos em uma empresa familiar: a distância entre a(s) “vaidade(s)” na esquerda e o(s) “preço(s)” na direita.

É interessante notar como a direita – pragmática que só ela – consegue aparar arestas e fazer convergir seus interesses com muito mais facilidade do que as esquerdas.

E isso em qualquer lugar do mundo: há um filme do neorrealismo italiano (o nome me escapa agora) em que, numa cidadezinha, prendem-se na carceragem de uma delegacia todos os militantes locais das esquerdas: stalinistas, trotskistas, maoístas, anarquistas, etc.

Há, momentos depois, um diálogo antológico entre os dois agentes do conservadorismo no local: o prefeito e o delegado. Esse último expressa ao primeiro seu temor em ter aqueles militantes – “todos vermelhos” – na mesma cela. Teme que, confinados, conspirem e formem uma frente perigosíssima, capaz de subverter a ordem da cidade.

Ao que o prefeito, raposa velha, retorque:

– Que nada! Você deve justamente deixa-los presos todos na mesma cela! Isso é im-pe-ri-o-so, Sr. delegado! É a garantia de que brigarão entre si e acabarão por matar uns aos outros. Farão, eles mesmos, o serviço para nós, ora!

Pois é…

A distância que separa o pragmatismo da direita, que resulta na sua união, e as eternas querelas internas das esquerdas, dividindo-as, é tão ampla que gera anedotas como essa.

A propósito, por que será que se fala muitas vezes “as esquerdas”, no plural, mas nunca “as direitas”?

Não existe divergência entre os diferentes setores da direita?

Evidente que sim! Sucumbem a paixões humanas tanto quanto a esquerda, suponho. Embora, talvez, trate-se de paixões de sinal trocado.

Ou não?

Pode ser que apenas o objeto sobre o qual essas paixões se projetam – traçando, então, objetivos  é que seja diferente, não?

De qualquer forma, como é que sempre acabam fatalmente se entendendo entre eles?

Esse enigma me intriga há muito tempo. Desenvolvi, então, uma resposta esquemática – com todas as limitações e abstrações de um esquema – para consumo interno.

Vejamos se a hipótese a que cheguei passa pelo crivo dos leitores:

*   *   *

(i) Direita

Seus interesses são bem concretos e são facilmente expressos em uma negociação. Estão ligados à parte mais sensível do seu corpo: o bolso.

E o que enche o bolso da direita?

Quando não é o poder – o meio – já é o seu fim o dinheiro.

(e/ou vice-versa?)

E o que é o dinheiro?

>> Bem fungível – que “não tem carimbo”, como disse o Delfim – mas que é facilmente quantificável e divisível. É expresso, inclusive, em números! <<

Assim, fica fácil individualizar do todo – fungível e “sem carimbo” – a parcela que toca a cada um na divisão do butim. O problema se resume, então, a determinar o “preço” de cada um, em patamares aceitos por todos.

E como se resolvem as divergências?

– Dando mais – ou menos – do tal “bem fungível sem carimbo” para cada lado, ora!

Ponto.

Acabou o conflito e seguirão “todos juntos até a vitória”:

–  Por Deus, pela família e pela propriedade, evidentemente!

*

Nota: mesmo sendo óbvio, é melhor registrar…

É evidente que há pessoas de convicção conservadora. Pessoas que não “têm preço” e que, em seu âmago, acreditam de fato nas virtudes – para o todo da sociedade – das doutrinas da direita.

Acreditam, por exemplo, na trickle down economics de Reagan. Ou seja: no “gotejamento”, do topo para a base da pirâmide, da riqueza que se deixa crescer – “sem embaraços do governo!” – lá em cima. E que – “fatalmente!” – transbordaria do alto para baixo.

[“Transbordaria” – condicional mesmo. Estamos esperando a comprovação desde 1980. Sem sucesso]


É isso que acontece?

*


Ou é isso aqui na verdade?
Pergunte ao Piketty e ao Bernie Sanders o que eles acham…

*

Quando falo de “preço” e negociações para chegar ao seu valor, refiro-me ao acerto entre as lideranças das bases sociais do pensamento de direita, que, a seu turno, vincula seus porta-vozes: os partidos e políticos de direita. No caso do Brasil, personalista, mais os políticos que os partidos propriamente.

O que foi o fenômeno Eduardo Cunha senão o maior porta-voz de interesses de direita? Ou melhor: de pessoas “da direita”?

Foi mais longe que qualquer outro pela habilidade pessoal que o fez munido – mais do que qualquer outro – dos meio$ para realizar esses interesse$.

Não?

É também evidente que os interesses de, por exemplo:

(i) rentistas + mercado financeiro – brasileiros e estrangeiros;

(ii) industriais – brasileiros e estrangeiros,

(iii) agronegócio – brasileiro e estrangeiro;

(iv) gigantes dos serviços – brasileiros e estrangeiros;

(v) profissionais liberais e pequenos empresários;

(vi) igrejas; e

(vii) militares; …

… não são coincidentes.

Mas, no frigir dos ovos, encontram um meio de fazê-los convergir para um meio termo, não é mesmo?

Meio termo que é, por exemplo, acertado nas concessões que são feitas a, de um lado, a bancada BBB no Congresso, e, de outro, rentismo e finança, a quem se entrega a Fazenda e o Banco Central – em maior ou menor grau, mas sempre. Desde FHC, passando por Lula e Dilma e, finalmente, chegando ao golpe do grão-mestre Temer.

Tudo se resolve com a divisão do orçamento da União, em parcelas que agradem a todos. Ou, ao menos, que possam tolerar. Como se diz em inglês, em patamares com que todos possam conviver (terms that they can all live with).

“Interesses” e “convergência”…

Hmmm…

De que lado acabaram esses atores – diferentes – na longa novela do golpe?

Estavam juntos ou separados?

*

(ii) Esquerda

Supostamente – no meu esquema ideal – a esquerda não pensa com o bolso. Preza, em vez dele, ideias e valores. Em vista disso, uma composição entre divergentes de esquerda é necessariamente mais difícil e complicada.

– Como fazer a divisão “do todo”?

– E – questão prévia fundamental – o que será esse “todo”? Social-democrata, socialista, comunista, anarco-sindicalista, …?

“Ah, algo no meio entre todos esses…”

– Muito bem. E onde fica esse “meio”? Quem determina? Você ou eu?

Percebem?

Como chegar a uma concertação em termos abstratos? Sua interpretação é necessariamente subjetiva, certo? Isso quando não é orgulhosa, caprichosa, vaidosa, mesquinha…

Hmmm…

Vaidades e caprichos?

Sim, exatamente. Por definição, idealistas pautam-se por ideais. Assim, nos seus bolsos, em vez de dinheiro, carregam ideias.

E há diferenças capitais entre dinheiro e ideias:

(i) As ideias das diferentes facções de esquerda são, por definição, diferentes. Não são, como “os dinheiros”, fungíveis. Ou seja, uma ideia não substitui à perfeição a outra. Sempre se notará diferenças depois de uma eventual “troca”. Isto é, se for de fato possível uma troca. Nesse caso, para viabilizar o “encaixe”, imaginem quantos golpes de cinzel e martelo ficaram pelo caminho? E quantos traumas, sequelas e até amputações deixaram?

Não muito alvissareiro, certo?

E fica pior:

(ii) Diferentemente do dinheiro, ideias tem carimbo. Tem “selo de origem”. Os “ismos” sempre estão ligados indelevelmente aos nomes dos seus autores e defensores. “Marxismo”, “Trotskismo”, “Stalinismo”, “Maoismo”…

(Alguém já ouviu falar em “dinheirismo”?)

Ideias com selo são de fácil individualização. “Têm dono” e têm, cada uma, um “Vaticano” próprio para dizer o que “é cânone” e o que “é heresia”.

E tem mais:

Como o bolso dos idealistas está destituído de dinheiro, seu “patrimônio” se resume, grosso modo, àquelas ideias.

E, aí, as (maravilhosas) contradições humanas resolvem o restante da charada:

– Contrariando o discurso geral pregando altruísmo e solidariedade no que tange a bens materiais – sincero muitas vezes! – no caso particular do “mercado” de ideias, imateriais, o idealista quer assegurar o seu (único) patrimônio.

O seu quinhão.

Ou seja: todos os ingredientes reunidos para que se testemunhe a “melhor” expressão de algumas “paixões humanas”:

Orgulho, capricho, vaidade, mesquinhez…

*

Quem milita na esquerda sabe exatamente do que estou falando, certo?

😉

Desabafo:

– Oh! Que sorte tem a direita!

– Como é infinitamente mais fácil chamar um bom contador para fazer um balanço do seu “todo”.

– Que já fica até expresso em número$, ora! – e depois combinar o “preço” de cada um.

– Ou melhor, as respectivas “participações acionárias” na “sociedade” que se forma com reunião das diferentes “direitas“.

– E, evidentemente, a fração correspondente de “lucros e dividendos” nessa “empresa” coletiva (o orçamento da União).

– No caso, a palavra “empresa” conserva, também, seu sentido original de empreitada, campanha, aventura

– … e até golpe!

– Direita, sua sortuda! Conta qual é o seu preço para mim, vai!

*   *   *

Nota 1: essas considerações (em 3 posts) foram reunidas depois de ler o artigo “PT: entre a paralisia e a divisão?”, do Prof. Aldo Fornazieri, e os excelentes comentários aqui no GGN ao mesmo – vários antagônicos entre si – ótimo!

Nota 2: a trilha sonora do post há de apelar, pela mensagem, a quem é de esquerda. Ou, pela “forma”, ao menos a quem valoriza a nossa cultura: “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, na interpretação de Elis Regina. Esse, para mim, deveria ser o hino do MTST.   😉

*

Leia mais:

Vol. 2: cláusula de barreira

Vol. 3: a complicada relação PT vs. PSOL

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(perfil da minha brava e fiel escudeirinha)

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Quando perguntei, uma deputada suíça se definiu em um jantar como “uma esquerdista que sabe fazer conta”. Poucas palavras que dizem bastante coisa. Adotei para mim também.

 

Redação

18 Comentários

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  1. direita inteligente e esquerda tola

    Tudo isto está muito bem e é verdade, até mesmo uma verdade, uma análise, suficiente para explicar a direita inteligente e a esquerda tola. Falta um aspecto um pouco mais difícil, principalmente para quem, como eu, não tem a expertise da psicologia, da psicanálise, mas nem por isto deixa de enxergar as coisas. Pela minha experiência “em campo” por muitos anos e observação e reflexão de toda uma vida, um número muito grande de esquerdistas, e justamente aqueles mais alvoroçados que adquirem a liderança até por covardia dos mais sensatos, são loucos, recalcados, invejosos e patologicamente vaidosos. Ah, e morrem de medo de tudo estando sempre se defendendo e nunca acreditando em nada e em ninguém. Nos bons tempos em que o PT existia, fez uma depuração destas hordas de radicais e seus agupamentos suicidads e só assim conseguiu crescer e chegar ao poder. O probema é que só os covardes sobraram e pouco a pouco foram mostrando a sua tibieza e sua paralisia pelo medo respondendo aos desafios com concessões e acordos com os inimigos. Este desequilíbrio levou o PT ao fim.

  2. Gostei do todo; faria várias

    Gostei do todo; faria várias considerações, mas nenhuma de mérito. Desde que Stalin, assumindo o poder, perseguiu até a morte todos os esquerdistas do próprio partido, a esquerda foi e será sempre assim. No Brasil da era Lula o que mais aconteceu foi a stalinização (sem morte lógico), dos seus mandatos. Como pode fazer acordo pragmáticos para governar? Isso nada mais é que estelionato ideológico. No caso do Lula ainda chegou-se a atribuir-lhe que falou que nunca foi de esquerda. (my god!!!).

  3. Confirmo e assino embaixo.

    Romulus,

    Com este post-artigo você desvendou a xarada. Nos quase 30 anos que acompanho noticiário e as discussões sócio-política, observo e noto o mesmo que você sintetizou neste artigo. E mais importante: chego/uei às mesmas conclusões que você. Na semana que passsou, participei de um evento público de um partido de Esquerda (ou de uma das alas da Esquerda ou de uma das ‘esquerdas’, para concordar com o que você e eu já verificamos); nesse evento eu estava com a camisa de um partido de uma ‘esquerda’ que não aquela representada pelo partido que ali apresentava candidatos a vereador e a prefeito e angariava apoio às propostas que têm para administrar a cidade.

    Os que participavam do ato deram sugestões e apresentaram temas e propostas para serem debatidos pelo grupo. Usina de idéias, nas sugestões e propostas ficaram evidentes o  caráter fragmentário da Esquerda e a fogueira de vaidades; o caráter não divisível e a dificuldade de compartilhar idéias, que implica em ceder e abrir mão de certas convicções, ficou mais do evidenciado, pois provado de forma irrefutável.

    Pouco antes do término do ato, um dos últimos a chegar e dos mais exaltados começou a fazer críticas e ataques virulentos não à Direita que governa a cidade há mais de uma década, mas às outras ‘esquerdas’, inclusive a que está sendo deposta do governo federal por meio do golpeachment. Terminado o ato, eu disse a esse exaltado o mesmo que você expôs neste artigo. Mas em vez de me ouvir, refletir e me dar razão, ele começou a me atacar, assim como ao partido cuja camisa eu vestia. Eu disse a todos naquele ato que a Direita é muito mais sábia e que ao invés de digladiar entre si, as correntes se associam e se fortalecem, para chegarem ao poder. O oposto ocorre com a Esquerda. Não por outra razão é muito mais difícil a Esquerda chegar ao poder e mais difícil ainda é conseguir manter-se nele.

    No contexto de golpe, repressão violenta, de corte de direitos e de aumento das desiguladades e exclusão social, o único caminho pra as ‘esquerdas’ é se associarem. Mas a fogueira de vaidades leva os mais sectários e radicais a aderirem ao coro golpista, atacando o PT, tentando ocupar o lugar desse partido. Luciana Genro cometeu suicídio político, ao declarar apoio e/ou simpatia ao golpeachment. A visão curta e a vaidade das ‘esquerdas’ que não chegaram ao governo federal as leva  a atacar o PT e os peistas, cerrando fileiras com a Direita. O que os integrantes dessas ‘esquerdas’ esquecem é que assim fazendo eles fortalecem o verdadeiro adversário/inimigo: a Direita reacionária, conservadora, oligárquica e plutocrata. Enquanto isso vemos essa Direita se arranjar; Eduardo Cunha não será cassado e muito menos condenado pela segunda turma do STF. Os grandes corruptos do PSDB, do PMDB, do PPS, do PSD, etc., estão se arranjando no governo golpista, para se salvar. O PJ, oligárquico e plutocrata, também representa a Direita; e juntamente com a PF e o MP – na chamada “Lava a Jato”, formaram uma ORCRIM, para aniquilar o PT, os petistas e a esquerda em geral.

    Por tudo isso é que um longo tempo de trevas se abaterá sobre o Brasil, após consumação do golpe de Estado midiático-policial-judicial-parlamentar.

     

    1. Obrigado!

      Como é bom publicar a minha contribuição humilde ao debate aqui no GGN e ter esse tipo de retorno.

      Esse seu relato é bastante ilustrativo.

      Fique atento para os próximos volumes.

      Tocam em coisas que vc menciona.

      Abs

  4. Acho que a questão é mais ou

    Acho que a questão é mais ou menos por ai. A direita sabe bem o que quer: grana. Nem que para isso tenha que tratar o povo como lixo e submeter o país a condição de colônia. Para ela pouco importa, desde que seu lucro esteja garantido.

    Já a esqueda não tem a menor noção do que quer e se perde em devaneios teóricos imbecis, onde sobra vaidade e falta pragmatismo político puro. Não aprenderam com Stalin.

    Assim, a reconstrução da esquerda passa pela definição de uma agende simples e básica: saber quem são seus inimigos, nacionalismo, garantia de distribuição de renda e cruzada sem-fim contra a direita. O PT ficou longe, pois só conseguiu fazer, mal e porcamente, um esboço de distribuição de renda. Mas espero que tenha aprendido que com a direita não se negocia, se luta para exterminá-la.

     

  5. S E N S A C I O N A L!!!!

    Estupendo Rômulo! Mas se permite, na minha humilde explanação esquerdista ( é mesmo de esquerda , pois critico-a). Sempre tive que o termo direita e esquerda nasceram na prática , a partir da divisão do partido social democrata russo em bolchvique e menchevique. ( Lenin X Trotsky) A esquerda estava Lenin, com sua ideia de revolução permanente e ditadura do proletariado e na direita o social democrata Trotsky em seu conceito mais liberto de estado. O nacional socialismo se baseou em Trotsky, mas recebeu uma carga forte de conservadorismo e outros defeitos próprios de quem não tolera a diferença. Os ditos democratas, hoje os neosíssimosliberais, tomaram conta da concepção de direita , talvez por que a esquerda já estivesse ocupada , ou porque o canhoto sempre pertenceu ao lado dos maus.

    A esquerda foi conflituosa desde que nasceu. Para começar, ela é a antítese do liberalismo, do capitalismo, que como se baseia em dinheiro e poder, evidentemente , não poderia embasar a esquerda. Dentro do pacote ideológico da esquerda, um dos alvos era combater o acúmulo de dinheiro em poucas mãos. Ora , você acumula dinheiro por ser rico, ou por ser corrupto , ou pelos dois. Quem tem o vil metal de berço é o rico; quem tem o vil metal por corrupção é quem exerce o poder , ou seja: O político. A esquerda idealizou diversas fases para acabar com o rivo e igualar as riquezas. Iríamos do Socialismo ao Comunismo ao Anarquismo ( todos iguais, sem um estado, sem governo, uma maravilha…) só que no meio do caminho havia um problema: O dinheiro. O antagonismo capital/trabalho exigiu das esquerdas, provar que eles eram melhores do que os capitalistas. Só que como disse o filósofo Mané Garrincha: ” Vocês combinaram com eles?”. Calro que não, né?

    Meios de produção estatizados, empresas estrangeiras fora do país. Enquanto a guerra fria sustentou a URSS , ela manteve um padrão de poder forte nas imediações de suas fronteiras e ainda podia se dar ao luxo de manter uma pequena porção de terra no calcanhar de seu maior inimigo , a cutucar o esporão do todo poderoso. Além disto , com o sucesso de seu aliado na América, financiou diversas revoluções que foram bem sucedidas ou mal sucedidas , ou até tiveram relativo sucesso.

    Só que o dinheiro é o que move o mundo e ideias , ainda mais quando viram de umlado para o outro e não saem do papel, pois esbarram  na necessidade de dinheiro, não servem para nada.

    O maior representante da esquerda em nosso país, até pouco tempo, hoje nem sei mais se é, sabendo da necessidade de dinheiro e a inviabilidade de uma revolução bolchevique, aderiu a um esquema de obtenção de recursos de maneira ilegal , a partir de esquemas pré estabelecidos pela direita que governava o país até o limiar deste século. Por que não se encontra veios financeiros que abasteciam os inívíduos pertencentes ao PT? Simples: ao contrário da direita , o PT arrecadou para um projeto de poder, uma viabilização financeira para as ideias que guardava no bolso. Os políticos de direita, estes que põem dinheiro na Suiça, no HSBC, etc. recebiam para si. Os contratos de privatização de FHC , criaram para os políticos do partido uma forma de ganhar dinheiro com a venda de bens públicos à iniciativa privada. O PT não. Ele desejou o crescimento das empresas públicas onde os seus aliados faziam as transferências ao partido para o fomento da ideia socialista. O problema é que as empresas continuaram ocupadas pela direita (PMDB, PP, PTB) que não gostaram da história. O resultado é o que se vê hoje.

    A direita pragmática e que despreza os menos abastados , não idealiza um mundo melhor. O mundo é bom naquilo que ´´e bom para eles. E mais: Ela alimenta o anseio da classe média ludibriada em ficar rica. A burguesia fede. E vai feder muito ainda.

     

    1. Gregos e Troianos

      Em geral quem bate em todo mundo nao agrada ninguem.

      Se a “bateçao” nao é “por esporte” (ser “do contra” por ser), mas embasada, me agrada.

      Mesmo que possa discordar dos argumentos ou de parte deles.

      No artigo tentei adotar essa postura critica.

      Vc claramente a adotou.

      Maniqueismo e simplificaçao, “nos contra eles”, é para reta final de campanha eleitoral.

      Nao para periodo de reflexao – necessária e que deve ser profunda.

       

  6. Se é esta e a visão que a

    Se é esta e a visão que a esquerda tem sobre o que é a direita, eu ate entendo o comportamento da esquerda.

    Quer entender o que é direita e não o sua caricatura descrita acima leia a DSI, doutrina social da igreja (católica), que apesar de evidentemente ser um manifesto religioso mostra exatamente os objetivos da direita conservadora e em parte da direita libertária.

     

     

    1. Caro,
      Acho q vc perdeu a

      Caro,

      Acho q vc perdeu a parte do artigo em que dei o exdemplo (um apenas!) de quem cre em “trickle down economics”. Sim, poderia falar de outras vertentes.

      Mas, como vc deve saber, a democracia cristã – que anda em linha com a doutrina social da igreja – se define como centrista e nao direitista.

      Acho que vc tambem perdeu a parte em que digo que no esquema eu represento a base social organizada da direita – e nao individuos que tenham crenças conservadoras.

      Fique atento aos proximos volumes, porque toco em coisas que vc menciona.

    2. se é…

      Direita/esquerda isto nunca existiu no Brasil. Até porque diferentes até dos nossos vizinhos, pelos quais nutrimos preconceito, mas tem nivel cultural acima do nosso, a maciça maioria da nossa população não tem nem nivel intelectual para discernir sobre suas diferenças. O que temos é um país que não funciona, uma população tão limitada institucionalmente que não consegue desenvolver mecanismos de uso e controle do poder público. Direita ou esquerda, o que temos são certos grupelhos, estruturados politicamente que representam seus interesses fazendo-os parecer o interesse de toda a população. Somos a pátria do voto obrigatório, decidido por meia dúzia de “representantes do povo”. Alguns de direita outros de esquerda. E o povo? Que povo? Ah! sim, e importa? É a caricatura de democracia brasileira (alguém um dia disse que o brasileiro não sabia votar. E foi crucificado por esta afirmação. Vocês sabem a justificativa do voto obrigatório?Direita/esquerda sabem)

  7. Introduçao à serie – de altissimo valor:

    Introduçao à serie da leitora-xodó:

    “Quem se dispõe a trabalhar para nos ajudar a compreender o momento terrível que estamos vivendo não para nem em fim de semana… ai, ai! É o caso de Maya Vermelha, que mais uma vez compartilha aqui, diretamente conosco, o primeiro de uma série de 3 artigos a serem publicados nos próximos dias no GGN de Luís Nassif. Com a dura serenidade necessária para encarar o golpe de frente, Romulus nos convida a ver o presente numa perspectiva histórica mais ampla para melhor pensar o que nos espera no futuro. A leveza habitual do seu estilo, quase conversa com o leitor, nos conduz numa viagem agradável, mas seríssima, em que é preciso avaliar o atual sistema político para saber como nos organizarmos para as próximas batalhas de uma guerra que promete ser longa e dolorosa. Vale a pena ler o artigo e esperar pelos dois próximos que certamente serão compartilhados aqui.”

     

  8. Uma texto idealista (no “mau” sentido da palavra).

    Primeiramente acho que o caminho da discussão está equivocado.

    O algo em comum na esquerda não pode ser apenas defender ideias ou ideais, pois a direita também defende ideias ou ideias. Afinal o pragmatismo também é uma ideia ou um ideal. Se a esquerda se une deve ser em torno de  algo mais do que ‘defender ideiais’ independente do conteúdo destes. Creio que uma união deve ser em torno dos conteúdos de ideais e ideias que se identificam como esquerda em oposição aos ideias de direita.

    Principios implicam em fins. Ou seja, se defendem ideiais e ideais com um objetivo :se o da direita é o dinheiro no bolso, há de haver um objetivo comum da esquerda. Se o objetivo da esquerda é defender ideias por defendê-los então é só ‘onanismo politico’ e unida ou separada pouco importa. Isso coloca a questão se unir para que? Chegar ao poder? Ganhar uma eleição? sobreviver politicamente?             

    Principios e fins implicam em meios. Ou seja, devem haver não só ideiais com determinado conteúdo e objetivos, mas, algumas práticas devem unir a esquerda e diferenciá-las da direita. Mesmo que a diferença seja apenas negativa: a esquerda tem em comum que não faz isso ou aquilo sob nenhuma circunstancia ou pelo menos na maioria delas. Por exemplo, não aceita que sua diversidade de ideias seja sufocada em nome de uma unidade forjada em uma unanimidade.

    Se a questão não é meramente idealista, então fica uma outra questão: A unidade vem das ideias e dos militantes de esquerda ou é a própria situação real da maioria da população (também conhecida como ‘condições objetivas’) que em alguns momentos impõe ou facilita essa unidade? Quem cria a unidade é a vanguarda militante ou a ‘massa’? Nâo seria muito idealista achar que basta a boa vontade ou “O diálogo civilizado” entre os militantes de esquerda que leva a essa unidade, independente da situação concreta?

    1. Deliberadamente não entrei
      Deliberadamente não entrei aqui no conteúdo dos ideais e idéias que instruem a ação de esquerda.

      O objetivo era comparar classes de “bens” de cada grupo: “dinheiro” vc idéias.

      Definir as idéias seria ter de definir também o “tipo de dinheiro”: “quantidade”, moedas em que é expressa, “suas regras” (seus “juros”, etc.).

      Obviamente estou fazendo mais uma metáfora aqui.

      Mas fique atento aos novos capítulos. O próximo sai hoje. Mas o q interessa ao seu comentário está no 3.

      Escrevi tudo como 1 post só, originalmente. Estaria mais completo. Mas ninguém ia ler 25 páginas de Word, ia?

      Nego já reclama aqui à beça…

      Hoje em dia todo mundo quer texto resumido em um tuite e 1 meme.

    1. Homem mau
      Meu caro,

      “Page not found” I’m afraid.

      Pergunta: o que achou da definição da dinâmica na direita?

      Afinal, vc. é o homem mau do mercado, né…

      1. Founde

            Este negócio de “esuqerda ” X  ” direita ” é passado, assunto para sociólogo, filósofo, jornalsita etc…, dá para ganhar dinheiro idependente da coloração politica vigente, é só “trocar o sinal ” , já a atuação destes “politicos” é mais ou menos assim, como fazer founde :

             A “direita” : Seleciona os queijos; emmenthal, gruyére e decide rapidamente, de acordo com a qualidade/preço, se coloca appenzeller ou sbrinz , já o kirsch é basico, não se discute.

             A “esquerda” : Vai de emmenthal e gruyére ( tradicionais, tipo Marx e Lenin ), já para o terceiro é necessária uma assembléia, alem da introdução de um queijo minas ( vão discutir a cura ), e se chegar um “verde”, será necessário parar o founde para verificação de origem, já quanto ao “kirsch”, será liminarmente descartado, é bebida de burguês, então após mais algumas reuniões, a assembléia, após discutir algumas questões de ordem, colocará em votação: vinho branco, conhaque e rum ( cubano, para refletir o embargo americano aos bravos da ilha caribenha, vitimas da pressão americana ), e claro, uma cachaça preferencialmente mineira. Mas o founde não sai, por que ?

              Chegaram os trotskistas nacionalistas do PCO, PSOL e PSTU, que exigem que se jogue fora todos estes ingredientes, pois founde é coisa de pequenos burgueses adesistas, e para evitar tal declinio direitista, levam embora o rechaud e as panelas para fazer uma farofa de ovo com banana. Mas a discussão entre eles será dificil, pois a Luciana Genro, como boa gaucha, desejará colocar charque, já o Zé Maria como bom mineiro irá desejar um queijinho, e Heloisa Helena que a farofa tenha carne – seca.

        1. hahaha (e convite(s))

          Estamos em sintonia.

          Amanha é o volume 3: relação PT vs. PSOL.

          E tem Luciana Genro.

          E “fondue” não podia ser mais pertinente, dados os ingredientes e o país de origem.

          Aliás me deu vontade.

          Acho que vou num sabado que vem.

          Em geral peço o que vem com champignons fatiados na mistura dos queijos.

          Aqui, alem dos paes, tambem vem cesto com pequenas batatinhas cozidas – melhor ainda para banhar no queijo derretido.

          Quando estiver por estas bandas te convido!

          Mas…

          Em troca, vc e o André Araujo vao ter que me mostrar aqueles restaurantes da aristocracia decadente (?) de Sampa. Rs

          Aliás…

          No vol. 2, de hoje, já tinha feito o meu convite ao Aecim:

          Velha questão Vol. 2: cláusula de barreira, por Romulus          

          ROMULUS      DOM, 14/08/2016 – 10:52

          Velha questão: direita unida, esquerda estilhaçada. Vol. 2: cláusula de barreira

          Por Romulus

          – Fenômeno da fragmentação da esquerda não ocorre só no Brasil: na França, com eleições no ano que vem, o presidente Hollande terá de se submeter a prévias no PS, caso tente a reeleição. Há, também, uma miríade de candidatos mais à esquerda.

          – Já no Brasil, a cláusula de barreira ensaia o seu retorno.

          – Prof. Wanderley G. Santos: os tempos são tenebrosos! Ilumine a nós com mais um brilhante artigo. Agora sobre a cláusula de barreira, por favor. 

          – Sabe quem a patrocina desta vez, professor? Vem pelas mãos de não outro que Aécio Neves!

          – E de Gilmar Mendes e do STF também?

          – Sim, pode ser: tudo é possível no Brasil de Cunha/Temer, Gilmar – e Janot!

          *   *   *

          França

          A fragmentação das esquerdas não é um fenômeno que ocorre apenas no Brasil. Na França, por exemplo, com eleições gerais no ano que vem, o presidente Hollande terá de se submeter a prévias dentro do seu partido caso tente a reeleição. Há diversos outros pré-candidatos.

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  9. bola pro mato, que o jogo é de campeonato..

    eu sou o Zé Povo, anos-luz atrás do conhecimento teórico aí da galera, mas deixo meu pitaco entre os doutos: me parece que essa profusão filosófica não conciliável das esquerdas tem um fim em si mesma.. a impressão que eu tenho é que não há mais espaço para esses melindres, a não ser como bate papo acadêmico.. a luta do dia a dia é muito mais simples: as políticas são inclusivas, ou excludentes.. é um bit.. 0 ou 1.. acrescente aí a dramática necessidade de sustentabilidade e deu.. desconfio que nem temos muito tempo para jogar..

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