Guedes ataca deputados e indica que relator da reforma da Previdência cedeu a lobby

Ministro da Economia disse que parlamentares 'não têm compromisso com as novas gerações' e que relator fez mudanças respondendo a ‘pressões corporativas’

Paulo Guedes em audiência no Senado para explicar reforma da Previdência. Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado, divulgação

Jornal GGN – O ministro da Economia Paulo Guedes saiu em defesa do seu pacote da reforma da Previdência e dos bancos, criticando as mudanças no texto da reforma da Previdência estabelecidas pelo relator na comissão especial da Câmara dos Deputados, Samuel Moreira (PSDB-SP), após acordos com lideranças partidárias no Congresso.

Guedes perdeu feio na negociação com o Congresso até agora. No relatório apresentado na noite desta quinta-feira (13), Moreira confirmou a retirada do modelo de capitalização na Previdência e aumentou a tributação para os bancos de 15% para 20%. (Clique aqui para saber mais sobre as alterações)

Nesta sexta-feira (14), após sair de um evento em Brasília, Guedes disse para jornalistas que as mudanças feitas pelo relator poderão “abortar” o que ele chama de nova Previdência. Ele ainda procurou relacionar as alterações a um jogo de interesse que move os parlamentares.

“Eu acho que houve um recuo que pode abortar a Nova previdência. As pressões corporativas de servidores do legislativo forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do legislativo que já são favorecidos no sistema normal”, afirmou Guedes segundo informações da Folha de S.Paulo.

“Eles [parlamentares] mostraram que não há compromisso com as novas gerações. O compromisso com os servidores públicos do Legislativo foi maior do que o com as novas gerações”, continuou na crítica.

No relatório apresentado ontem, Moreira manteve alguns pontos da reforma como a idade mínima de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, mas alterou as regras de transição para o trabalhador privado, funcionários públicos. Ele também manteve a retirada dos estados e municípios do debate, além de aumentar a taxa sobre os bancos e retirar o plano de capitalização – esta última, considerada a menina dos olhos da reforma de Guedes.

Outros comemoram…

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Nesta sexta, durante sessão no plenário do Senado, o presidente da Comissão de Direitos Humanos na casa, Paulo Paim (PT-RS), comemorou o relatório da comissão especial da Câmara dos Deputados.

“Claro que gostaria que tivéssemos avançado mais em uma série de outros artigos, mas não tem como eu não vir aqui e não dizer que, até o momento, avançou. Vai ainda haver debate na comissão, vai para o Plenário da Câmara. Acho que dá para melhorar muito a proposta, ainda. E depois vem para o Senado. E como eu digo sempre, o Senado não é uma Casa carimbadora”, disse.

Guedes, por sua vez, continuou usando o discurso da economia de R$ 1,2 trilhão em dez anos, que sua pasta calculou e defendia como marco central da reforma da Previdência levada ao Congresso. Ele lamentou que, com as mudanças propostas por Moreira, a economia em uma década passará para R$ 860 bilhões.

“Recuaram na regra de transição e como ia ficar feio recuar só para os servidores, estenderam também para o regime geral é isso custou R$ 100 bilhões”, atacou novamente Guedes, dando a entender que o relator Samuel Moreira foi pressionado por uma única categoria.

Ao final da leitura do relatório, o deputado indicou que a economia prevista em dez anos passará para R$ 913 bilhões, o que também foi contrariado por Guedes.

“Não são mais de R$ 900. Aí estão colocando imposto sobre banco e isso é política tributária. Estão buscando dinheiro de PIS/PASEP, mexendo nos fundos. Estão botando a mão no dinheiro do bolso dos outros”, reclamou o ministro, se referindo aos bancos, quando disse “bolso dos outros”.

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“Se sair só esse corte que o relator acenou, o que ele está dizendo é: ‘abortamos a nova previdência e gostamos mesmo da velha previdência e cedemos ao lobby dos servidores públicos que eram justamente os privilegiados.’”, concluiu o ministro.

Plano B para salvar capitalização 

Ainda ontem, após a leitura do relatório na comissão, o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, disse que o governo continuará negociando para a reinclusão da capitalização no texto e, ainda, que o Planalto tem um plano B.

“Pelo impacto fiscal que está sendo colocado no texto, há uma possibilidade de apresentar a capitalização em um segundo momento, em outro projeto”.

O relatório de Samuel Moreira ainda pode sofrer mudanças na comissão especial, onde o debate do texto está previsto para começar no dia 25. Depois o texto ainda será submetido à votação no Plenário da Câmara dos Deputados, em dois turnos. Por fim, o pacote será avaliado no Senado.

Leia também: Paim comemora relatório da reforma da Previdência; texto ainda pode sofrer alterações

 

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7 comentários

  1. A histeria de Guedes e sua revolta contra aumento da tributação dos bancos é significativa. Meter a mão na mão do contibuinte e trabalhador pode, mas ele acha que os bancos é uma outra coisa. Este senhor está possesso pois prometeu aos bancos a capitalização. Apos a previdência o seu proximo passo e fazer o Brasil ir de novo ao FMI. Isto é , paralisar a economia, despencar o investimento publico, chamar todo e qualquer investimento publico em gasto, e com a economia paralisada, as receitas caindo de forma absurda, com ajuda da PEC do orçamento, o caminho esta sendo cuidadosamente traçado, para chegar ao FMI. E agora talvez alguns compreendam que ir ao FMI significa submeter toda a nossa economia ao mercado financeiro. Isto é a submissão tão desejada. Parar o país e a sua economia não foi um ato apenas de incompetencia deste governo, mas sim um ato deliberado.
    Guedes agora esta histérico, pois cederia em tudo menos na capitalização. . Os seus sócios nos fundos de pensão estão frustrados. E apos o FMI, ele sairá do Brasil dizendo que o Brazil não tem jeito.

  2. Logo, logo bate o pé, faz birra e vai embora gozar sua vida boa, conquistada, quem diria, com dinheiro público, que tanto quer tirar dos aposentados….
    Esta difícil para ele dar o naco que os bancos reinvidicam por apoio ao golpe…… é uma safadeza tão grande e sem propósito, que é impossível alguém justificar sem sujar as mãos……
    Aliás, não é por falta de esforços da mídia assassina quadrilheira e corrupta que não vão conseguir, o que recebo de reporcagens de jornalixos a favor invadindo meu celular sem licença é uma monstruosidade……

  3. Justamente o que os bancos, o patrão de Guedes, mais queriam ficou de fora: a capitalização. Guedes deve ter levado uma comida de rabo homérica deles e por isso soltou os cachorros no relator. H

  4. por enquanto eu digo isso Deus ouviu nossas orações para essa reforma não passar e o melhor a capitalização da previdência por enquanto parece que não vai acontecer e tomara que esse guedes suma do Brasil por que aqui ele não faz falta

  5. Excelente trabalho do Relator! Na medida nescessária. o Guedes , vcs ainda devem tomar muito cuidado, primeiro porque ele agora quer passar aos Bcos Privados o Direito de Arrecadar os tributos dos Brasileiro, porque este dinheiro é de graça e vira em ações sociais ao povo. Depois ele quer os desmonte do Bco Brasil e CEF, dizendo que vai mandar até final do Ano 83 Bilhões para o tesouro, sim aí é o fim dos Bcos públicos, sem dinheiro para repassar , emprestar , quebra. Não permitam isso. O sistema financeiro internacional vai adorar ficar com nossas coisas boas. Parlamentares botem a bco no Trombone. Avisam ao povo , isso não. Não Permitam

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